Quinta-feira, Junho 11, 2009

Errar é humano? ou a culpa é das máquinas?


Cada dia que passa mais me vou convencendo de que o melhor estado para uma mulher é o estar sozinha. Eles acabam sendo uns emplastros, deus me valha, que o vigor com que atacam a carne não compensa as dores de cabeça.
Como foi? Eu conto.
Apesar de ser uma criatura das matemáticas com uma realidade baseada em raciocínios frios e complexos, o Alberto chegou-me com falinhas mansas a olhar-me de cima, como se eu fosse ignorante das estruturas da arquitectura informática. Ele sabe-a toda, pensei logo no primeiro contracto; porém, os atributos sensíveis à execução aqui do “je” foram desenhados há já muitos anos e para conhecer o funcionamento interno de uma mulher ainda falta muito aos homens.
É que a mim a gestão de equipamentos nunca me passou ao lado. Programar é coisa que faço com uma perna às costas e a electrónica digital é cá das minhas há muito, muito tempo, na falta de sistemas de processamento ou mesmo quando o volume dos dados é escasso.
Ele veio-me com aquela capacidade de raciocinar de uma forma lógica e estruturada, definindo pressupostos, estabelecendo etapas, querendo tirar conclusões numericamente fundamentadas, mas quem fez a avaliação dos resultados fui eu, cansada já da conversa das competências.
Aquilo de montar os chips, depois de conceber o modelo não é a melhor abordagem e o vício das máquinas torna os homens peças simples de uma qualquer linha de montagem. E eu, que monto bem qualquer engenho, não deixo de ser exigente com a autenticidade dos elementos. Por isso é que me enfastiou aquela sequência de instruções que não visavam mais do que tornar-me um simples processador. Ainda por cima com exigências de garantia de satisfação. Era fazer login e zás, a coisa dava-se! Era bom que as mulheres andassem ali na casa dos GHz e pudessem processar centenas de milhões de instruções por minuto, não era? Mas para isso, no mínimo, era preciso que partilhássemos os mecanismos de comutação, meu anjo, porque os circuitos de apoio, mesmo estando na motherboard, carecem de conectores adequados.
O mínimo erro custa milhões, dizia ele. Mas meu querido Alberto, bem sei que errar é humano; por isso é que de futuro vou optar por contratar software pronto.

Quarta-feira, Abril 08, 2009

O Náufrago



Encontrei-o no areal pela manhãzinha, assim sem energia, desfalecido e debilitado.
Estou a recuperá-lo com muitos mimos e caldinhos, pois esteve muito tempo sem comer e não posso dar-lhe comida forte.
O pior foi deslocá-lo, por causa da robustez.
Ainda não fala.
Se as coisas correrem bem, este ano não devo ir de férias.
Aguardo as melhoras.



Quarta-feira, Abril 01, 2009

O publicitário

Como é que foi possível eu ter embarcado em mais uma?
Ah, santa ingenuidade não ter percebido que tudo não passava de publicidade enganosa! Num momento da vida nacional em que o investimento se encontra retraído eu devia ter tido cautelas, mas ele veio-me com aquela conversa das redes neurais e nem me apercebi que a coisa também metia inteligência artificial, porque se tivesse dado conta não daria importância à referência às outras técnicas que até hoje estavam apenas no imaginário ou nos filmes de ficção. Foi com essa promessa que me levou à certa, fartinha que ando de gente de baixa estatura.
Aquilo dos slogans a toda a hora bem me enfastiava, mas pronto, podia ser que o indivíduo se sentisse mais homem no seu papel de free-lancer e sem querer, até me deixei ir na voz activa do pregão.
Potenciar o valor do produto foi o que ele fez desde o princípio mas o que eu tive de descobrir sozinha é que aquilo não passava de uma técnica de gestão de marca … e de branding’s ando eu enjoada!

O nutricionista

Prometeu que me iria arranjar um programa especial de educação alimentar. Teria de planear ementas e ajudar-me a optimizar a relação custo/qualidade porque, dizia ele, comer bem é fácil e não custa caro.
Ora é sabido que sou uma mulher de alimento e que nunca tive queda para a cozinha; por isso e porque ele era um pão bem encascado, veio-me à ideia que a ementa poderia levar brinde. Ouro sobre azul, um homem que finalmente me alimentasse de maneira saudável, de manhã à noite, aliviando-me das porcarias tipo fast food que como por aí e que depois me deixam o corpinho numa lástima.
Cedi à experiência e marcamos logo a sessão prática. Foi aí que ele agiu: olhou, pesou, mediu, calculou, … e depois disse que o IMC estava alto e que era preciso ter muito cuidado com a boca.
Ora eu, que sou e sempre fui mulher de muito alimento, fiquei deveras preocupada. Não me pareceu que fosse coisa fácil, mas pronto, estava por tudo!
Para começar estipulou que teria de evitar a as entradas; depois colocou-me à frente um prato com duas rodelas de milho tufado, metade de uma nós e um queijinho fresco deslavado. E disse que, como era a primeira vez, poderíamos ainda usar a banana e o mel. Já eu me lambia, de olhos arregalados quando percebi que aquilo era tudo menos o que parecia: foi quando o vi deixar escorrer meia colherzita de mel sobre a amostra do dito fruto, que colocou com profissionalismo no meu prato.
Mas pior ainda foi vê-lo colocar o aparelho de step ao lado da mesa e sentar-se à espera, de balança na mão.

Quarta-feira, Março 25, 2009

Jorge Rebelo Tinto


Eu já devia estar avisada sobre a complexidade da mente artística. Não é que cada homem seja um artista ou contenha em si um artista, que as artes masculinas são assim umas coisas mais ligadas ao bricolage, coisas de encher garagens ou arrecadações com todas as inutilidades que já não cabem em casa. Mas dizia eu que devia estar avisada sobre as artes ditas nobres, uma vez que o pianista e o dançarino tinham arte inata e nem por isso deixaram intacta a minha alma apaixonada. Artifícios da vida! E se ela não é mais do que um rame-rame feito de rotinas pasmadas, de vez em quando lá cedemos à pitadinha de loucura que um artista traz e transmite ao cinzentinho dos dias.
E assim dizendo, ou assim pensando, deixei o Jorge Rebelo Tinto instalar-se na minha vida. Ele depois disse que fui eu que me instalei na vida dele, ou melhor, na casa dele, mas foi a solução para estarmos perto, que o Jorge não arredava pé da mansão de família cuja sala cheirava a cinza velha, a mofo e a couros furados pelo bicho entranhado há décadas. Dizia que precisava da minha companhia para lhe inspirar uns textos, mas hoje desconfio que a inspiração tinha outras fontes, pois de mim pouco mais queria do que umas refeições a horas certas e umas garrafas de V.Q.P.R.D. para alegrar o fumo das cigarrilhas. E falava de amor, o Jorge. Amor em versos emparelhados, sonetos de rima pobre, repetidas as palavras de paixão em acessos de euforia que lhe agudizavam o tom de voz.
Por amor apliquei cera nos ladrilhos, para que o cheiro a passado o encantasse nas noites de Outono, quando a chuva batia nas vidraças grandes e ele dizia inspirar o cheiro para se inspirar para as letras. Inspirava também eu, farta do tec-tec do teclado, pela noite dentro, para depois suspirar de pasmo e de abandono.
Por amor desfiz os fios das teias que aprisionavam as histórias às paredes, dizia ele; recuperei a armação de um globo antigo, já tombado sob o peso universal das suas escritas famosas e trouxe folhagem dos jardins para encher jarras.
Foi também por amor que avancei a quantia necessária à edição de autor com que fez sair o último livro, entre choros de homem sensível e beija-mãos lambuzados de gratidão.
Depois disso não avancei mais nada. Nem por amor. A não ser a marcha-atrás que agora faço sempre que um homem me diz que gosta de palavras, a querer já meter-me na frente dos olhos textos adornados de poesia, olhando-me com ar de quem espera elogios e aprovação. Malditos escritores famosos!


(texto recuperado lá de trás...)

Domingo, Março 22, 2009

Mulher resolvida... eu?




Deve ter sido por ouvir muitas vezes à minha mãe que uma mulher atrapalhada é pior que um homem bêbado. Por isso mesmo ou porque os genes já prometiam desembaraço, nunca se me entaramelou a língua. As mãos também sempre bordaram com perfeição mas nunca em pano cru, que as palavras podiam cair em saco roto. Para os paninhos nunca tive jeito e para a cozinha ainda menos; por mim as casas podiam suprimi-la. Mas nem por isso gosto de fast-food; habituei-me, desde cedo, a comer só do que gosto pois o prazer quer-se trabalhado e prolongado, mas que se esmerem os comparsas, a bem do sucesso . Movo-me no lado mais pragmático da vida, depois de satisfeita a minha sede de saber. Aprendo depressa; definam-me a tarefa e apresento resultados. Mas não me peçam que falseie os dados. De falso apenas tenho umas madeixas loiras; coisas do feminino, não tanto por vaidade mas por bem parecer. E para parecer bem, sou solta no vestir e em quase tudo. Se me apertam ponho-me a milhas, não gosto de sufocos. De beijos, sim, mas dos verdadeiros.


Domingo, Março 15, 2009

Eu é mais emoções. Ela é mais lógica.

«... uma mulher a partir dos 30 devia ter direito a dois homens: um jovem para o "mel" e um "grisalho" para a alma, as discussões filosóficas e para apreciar em conjunto uma refeição que não seja fast-food.» (maria-arvore)

Domingo, Março 08, 2009

A perfeição



Freud encontraria, algures lá para trás na minha vida, a explicação.
Eu é mais pr’à frente é que é caminho, por isso estou-me nas tintas para a razão das coisas e quando passo pela rua olho para eles como se a vida ganhasse de novo as cores da adolescência.
E as formas, meu deus, as formas: nádegas cheias, duras, abençoadas! Nádegas que gostam de mãos maduras, daquelas que não se esganiçam em ciumeira nem aprisionam à custa de pequeninas chantagens.
Por mim nada espero, a não ser viver aquele momentozinho de novidade e satisfação. Momento soberbo. Mais nada para além do Carpe Diem, que isso do amor é uma coisa de posse e cobrança; coisa demasiado complicada e geradora de sofrimento.
Amor é a sensação de se estar bem, o desejo satisfeito, a tranquilidade depois da loucura. Amor é fogo líquido a derramar-se na pureza do corpo, liso, limpo.
É amor próprio? Se for, que seja para mim a realização e para o outro o gosto. Que o outro se deixe levar e aguarde, primeiro; e que depois dê de si em igual entrega.
Há coisa mais perfeita?
Ele deixou-se levar e aguardou quase tudo. E eu, lambendo o mel do seu corpo, revisitava a juventude passando-a para mim. Era de silêncio a dádiva, não fosse a consciência acordar e pôr-se a cobrar ousadias.
Ah Fausta Paixão! Será possível olhar para o grisalho dos outros cabelos depois disto?

Quinta-feira, Março 05, 2009

Alô!!!

O Nando era casado. Era e será, que há nós que não se desfazem.
A mim pouco me incomodam os nós dos outros; a paixão quando aparece, com aquela força bruta, não olha a essas coisas e pede caminho livre.
Ora do caminho tratou o Nando. Eu por mim levei a lingerie e o tinto, que o serão, das outras vezes, tinha-se prolongado pela madrugada e a garganta secara.
Não vou falar aqui dos acessórios porque o Nando é um tímido e se o descobrem aqui ainda vai ficar encabulado, mas aviso já que me apetrechei bem apetrechada. Podem imaginar o que nos esperava naquele apartamento de turismo rural, ali para o sul caloroso do país.
O Nando gostava de me aconchegar a ele e ficar assim a mimar-me durante horas; ele era atenções, carinhos, roçadelas, miaus e patinhas no ar; enfim, de tudo um pouco e tudo regado com produtos de qualidade, desde o tinto ao branco.
E assim nos entretivemos durante horas; acho que até nos esquecemos do jantar porque a hora a que toda a cena aconteceu era já tardia e bem tardia!
Fui eu que vi o telemóvel a piscar e dei conta da situação; doutra forma creio que teria metido polícia e tudo! Pois se a polícia já andava no encalço dele, depois da esposa ter falado para os hospitais todos a saber se lhe tinha acontecido alguma coisa!
É que o Nando esquecera-se do telemóvel no silêncio e aquele telefonema da noite com que tranquilizava a esposa dizendo-lhe que estava no quarto do hotel a descansar dos trabalhos do congresso, falhara.
Bem… eu por mim tanto me fazia que ele comunicasse com a senhora ou não, que os hábitos das mulherzinhas controlarem os seus mais-que-tudo nas ausências era coisa que me passava bem ao lado. O mesmo já não posso dizer do desempenho do Nando, que quando se apercebeu que até já os filhos estavam metidos ao barulho, telefonema p’ra cá e telefonema p’ra lá, ficou incapaz de levantar um dedo. Aquilo parecia uma cena de velório, com uns contactos de urgência para uns amigos cúmplices e muitos ais de desespero.
Que é que eu fiz?
Ora, virei-me para o lado e adormeci na paz dos anjos, que uma mulher sabe tirar partido das situações em qualquer circunstância e o descanso traduz-se sempre em mais frescura na manhã seguinte. O Nando que fosse meter-se debaixo das saias da senhora dele, que eu, haveria de encontrar rapidamente um par de calças à minha medida!

Segunda-feira, Março 02, 2009

O Senhor Silva


Ele tinha até um jeito engraçado de falar, uma coisa assim entre o chefe de secção e o dono de casa. Mas era cinzento dos pés à cabeça e isso aborreceu-me. Até porque o antevi de pantufas e de comando na mão a ressonar num sofá de paninho coçado.
Contudo a agência matrimonial tinha-nos posto no mesmo caminho e eu acreditei que aquilo funcionava, pois tinha pago uma quantia razoável para desperdiçar ali todas as minhas esperanças.
Aquela horazita de conversa enfastiou-me e não hesitei em demonstrar-lhe que eu não era a pessoa indicada. Há que ser diplomata nas alturas certas e não ia dizer-lhe que as mãozinhas sapudas me arrepiavam mais do que a falta de cabelo, que uma mulher não se pode guiar apenas pela contagem dos pêlos.
Enfim, lá fui ao jantarito, mas fiz descambar a conversa pois estava interessada em vencê-lo pelos excessos escabrosos, mas parece que quanto pior me pintava mais ele arregalava os olhos. Homem estranho, ostentando um sentido de humor dito assim em confissão, que quem o tem não o declara, mostra-o.
Às tantas pensei que devia aproveitar. O homem devia ter alguns atributos, não era possível que me tivessem vendido uma mercadoria de tão pouco valor. Fecharia os olhos e aguçaria os sentidos. Tinha bebido o suficiente para que a tontura fosse gostosa e a promessa de uma noite em glória elevava-me o volume da satisfação, visível quer no rubor das faces, quer na dimensão da parte superior de um decote escolhido para a ocasião. Esperava eu que a elevação fosse bilateral e, de preferência, duradoura. Mas… o que se seguiu ainda me aflige a tranquilidade das mãos e o que recordo é a pele arroxeada e morta de uma coisa fria e sem uso. Não estranhem a frieza com que o digo. Ali até a saliva era fria. E nem umas mãos calorosas e um corpo arqueando-se em malabarismos fizeram o milagre da ressuscitação.
Não sei se ficou vexado. O que me pareceu, na realidade, é que aquilo devia ser habitual e que mais um fracasso não lhe acrescentara nem diminuíra nada.
Fica uma mulher a babar-se de excitação, antevendo horas de trabalho duro até à vitória final e depois tem de bater assim em retirada como se cada minuto a mais fosse um ultraje à sua honra de fêmea.

Ó senhor Silva, bem sei que estamos no era do digital mas a uma mulher ainda lhe sabem bem as tecnologias antigas!




Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009

Particularidades


Quem sou eu?

Foi a maria-arvore que me passou a tarefa de me particularizar em seis pormenores dos mais coladinhos a mim. Daqueles que fazem de nós seres diferentes de todos os outros, não pela diferença em si mas pela combinação de todos entre si.
O que resulta dessa combinação – eu – tem a ver com uma mania inata de me apaixonar por todas as coisas e de as viver até ao limite; tem também a ver com o meu nariz empinado e com a incapacidade de sorrir quando não me apetece. No geral aguento as pisadelas até ao momento em que me salta a tampa, por isso sou pouco polida nas reacções, mas só às vezes, porque normalmente digo com os olhos, que são sempre o meu espelho e são muito bonitos.
E… com tanta conversa esqueci-me do que vinha fazer aqui. Era suposto vir dizer a verdade – ou seja, que não compreendo os homens; que ando à procura de um companheiro compatível e ele não aparece; que à conta dessa procura vou provando daqui e dali porque só a experiência empírica pode desempatar nas indecisões; que sou muito gulosa e exigente nas provas, que me farta a conversa fiada e que as particularidades de cada um variam consoante as ocasiões, a idade que se vai tendo e a definição de objectivos que se vai fazendo na vida.
Não sei se isto chega, mas é que hoje está a puxar-me a escrita para a nostalgia!
Vou-me já embora!

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

As Revelações

Ora vamos às revelações:
Não acreditem que seja tudo verdade, aquilo que eu vou escrever; por que razão haveria de ser eu a única pessoa verdadeira neste país?

1. Aqui, na blogosfera, quem me conhece sabe que tenho duas caras: uma que ri e outra que está sempre muito séria. (quem não conhece terá de investigar). Logo, a primeira afirmação é falsa.

2. Já viajei de avião sozinha, sim senhor. E não pilotei, deixei isso para quem sabe; o que eu queria dizer é que não tinha ninguém com quem falar porque vinha por minha conta. Mas pronto, se se entender que não estava sozinha no ar… a segunda também pode ser falsa.

3. A lista de nomes da minha vida tem, infelizmente, nomes repetidos. Será falta de imaginação ou é triste sina?

4. Nunca escrevi um livro. O que não me faltam são páginas escritas mas não morro pela ambição de me ver editada. E quando para isso a gente tem de pagar… ai, ai!

5. Perdoo sempre os maus desempenhos dos meus companheiros? Às vezes nem sei o que diga! Eu sei lá se são eles ou se sou eu! Contudo, sou complacente e, como todas nós sabemos, um bom desempenho não tem necessariamente de acabar assim com aquela coisa do “foi tão bom para ti como para mim”. Ou seja, se nunca mais acabar… é um excelente desempenho!!! Esta nem é falsa nem é verdadeira, é como a quiserem entender!

6. É que sou mesmo uma grande comilona. Deixo a questão do conteúdo à vossa imaginação.

7. Os colegas de trabalho não são boas opções, nunca. Se aquilo dá para o torto nunca mais nos livramos da companhia, ou vice-versa! Mas às vezes…

8. Televisão? Dispenso.

9. Sócrates. Passo. Já antes tinha passado e continuarei a passar. É falso.
Quem?
Ele!

10. Já me perguntaram se eu era da televisão. E não foi só uma vez!

Parece que não cumpri o que me era pedido!
Paciência! Mas ao menos tive um pretexto para falar convosco.

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

Desafio

Imagem daqui

A Hipatia desafia-me para um meme. (eu sei lá o que isso é!!!)
Tenho de fazer nove afirmações, sendo que em três delas não estou a dizer a verdade.
Para mim… que falo sempre verdade… foram precisos alguns dias de reflexão para me lembrar de mentiras, mas lá vai…

1. Aqui na blogosfera, só me conhecem por Fausta Paixão;
2. Já viajei de avião absolutamente sozinha;
3. A lista de nomes da minha vida tem nomes repetidos;
4. Nunca escrevi um livro;
5. Perdoo sempre os maus desempenhos dos meus companheiros;
6. Sou uma grande comilona;
7. Nunca cortejei um colega de trabalho;
8. Raramente vejo televisão;
9. Nas próximas eleições votarei Sócrates, pois adoro-o.
10. Já me confundiram com uma locutora da tv.


E agora, passo o desafio a quem quiser agarrá-lo, que é como quem diz ... aqui na blogosfera cada um come do que gosta e quando gosta (a bem dizer, é um excelente lema para todas as coisas da vida).
Quanto a desvendar as mentiras... a gente logo fala!
Ah, não resisti a transgredir as regras e em vez de 9... escrevi 10. Bem feito!




Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

As coisas que uma mulher faz...

Apareceu-me de fato cinzento e gravata ainda mais. Era uma mancha parda, de alto a baixo, que me aguardava junto à vidraça, como se estivesse a ver as vistas; mas estava nervoso, eu bem topei, que os homens parecem rochedos mas tremem que nem caniços na hora H.
Agradei-lhe. Mas os olhos tentavam a discrição.
Sentou-se e começou a desfiar informações, como se estivesse a vender um produto difícil e fosse preciso puxar-lhe o brilho. Tarefa vã, que o conjunto era baço e o palavrear travava-me a resposta, de tão faustosamente polido.
Contive-me.
Apeteceu-me sair pela porta fora, porém, era preciso manter o nível.

Sim, pus um anúncio.
Desespero?
Até pode ser que sim, confesso-o. Ao menos não escondo que ando à procura, como fazem por aí as minhas amigas, que disfarçam as carências mas andam de olhos esbugalhados e peitinho emproado, que a maminha é minúscula e a inveja muita.

Depois fiquei ali sentada a fingir que ouvia; se não tivesse fingido tinha, no mínimo, saído dali com uma trela e teria de me limitar ao quadradinho que ele traçou sobre a secretária dizendo que a vida tem normas e o mundo limites. E que as mulheres precisam da protecção dos homens.

Não, não fiz nada. Já ando mais contida do que no passado e apenas me despedi com dois beijos dizendo-lhe que a figura junta não correspondia aos meus parâmetros.

Domingo, Fevereiro 15, 2009

Voltei


Palmilhei mundos, conheci gentes, bebi todas as espécies de chazinhos, suportei bons e maus aromas, bons e maus paladares, enchi a alma das mais variadas e melodiosas vozes, dancei ao ritmo de um nunca mais acabar de corpos, assoei o ranho a crianças mal vestidas, provei o sal dos mares mais distantes, repousei o corpo cansado em camas perfeitas e outras desfeitas, encontrei-me em longos céus, ajudada por tripulações de homens lindos e prestáveis, mas sempre muito profissionais: deseja tomar chá?
Aventurei-me por becos mal frequentados, fui assediada e assediei, pernoitei em hotéis de cinco estrelas com piscinas aquecidas e demolhei as mágoas em águas aromatizadas de jasmim. Vi o pôr do sol nos mais longínquos quadrantes e a aurora nas janelas de quartos coloridos.

E voltei.
Cansada de tanto ver e de nada ter.
A precisar de mimos, de palavrinhas doces, de actualizações e emoções menos cosmopolitas, mais brandas, mais caseiras.

Sei agora o que quero: quero um homem que seja grande, bom, enérgico, meigo, preocupado, descontraído, culto, rico, elegante, bem falante, que saiba dançar, cortar a relva, mudar as lâmpadas, que goste de um bom vinho, que conheça os melhores restaurantes, que olhe para as minhas amigas e não faça comentários nem bons nem maus, que não esteja comigo 24 horas por dia, que não se ausente por mais de 48 horas, que não ressone, que não durma na outra ponta da cama, que não me sufoque, que não tenha apneia do sono, que tome um duche todas as manhãs, que não atire caixas de chiclets vazias pela janela do carro, que não passe o fim de semana preocupado com o seu clube favorito, que resista às investidas sem queixumes, que não cheire mal dos pés, que não puxe a meia dúzia de cabelitos de uma margem para a outra da nuca, que me mime e que queira ser mimado.

Aguardo respostas.

Segunda-feira, Agosto 11, 2008

Ruínas


Depois de muito uso... há coisas que se gastam mesmo!

Domingo, Junho 29, 2008

Ai tanto, tanto calooooor...


Eles (os corpos) podem ficar quentes e até molhados de tanta transpiração. Podem incomodar na partilha da cama ou do quarto num dia de Verão, a gente sabe disso...
mas...
... o que é que uma mulher faz com tanto caloooor?!

Quinta-feira, Junho 26, 2008

Ai tanto calor...


O calor mata uma mulher.
E, de facto, morto o desejo está tudo morto.
Bem, não se trata de morrer morrer, mas somando o calor de dois corpos juntos fica-se pelo menos com uma insolação.
No Verão os quartos deviam ter camas separadas.
Vocês não acham?



Sexta-feira, Junho 20, 2008

A codificação dos elementos


Fiquei ali a olhar para a tabela periódica exercitando a mente em invenções: Nb de nabo, Db de diabrete, Rf de refinado, Pb de púbico, Rb de rabo bem feito e … cheguei ao elemento Cu, como não podia deixar de ser.
Para afastar os maus pensamentos pus-me a ler a descrição das fórmulas, mas, ai Jesus!, não era, definitivamente, um exercício refrescante, pois o P, na lei de Stefan-Boltzmann estava indicado como a potência total irradiada por um corpo.
Num dia de calor! Caramba!
Desviei as atenções para a constante de gravitação universal (G) e para a frequência do movimento ondulatório (f), no cumprimento de onda; mas à sala onde decorria o exame não chegava a ondulação da beira-mar e o único pensamento refrescante possível era estar deitada na areia da praia com os pés na água, pois só assim a capacidade térmica mássica do material de que é constituído o corpo (c) poderia entrar nos índices de refracção (n1 e n2) previstos na lei de Snell-Descartes.
É claro que dei um nó nos cabelos quando percebi que no trabalho realizado por uma força constante (F, com uma setazinha em cima) que actua sobre o corpo em movimento rectilíneo (W=Fd co α), o d é o módulo do deslocamento do ponto de aplicação da força.
Deslocamento do ponto?
Ó Céus!!! Quando o exame acabar vou direitinha ao ginásio e fico 40 minutos naquela máquina do abre-fecha-abre-fecha-abre para rentabilizar a soma dos trabalhos realizados pelas forças que actuam num corpo num determinado intervalo de tempo (w), como manda o teorema da energia cinética.
Depois… pode ser que, considerando a 2 ª lei de Newton, a aceleração do centro de massa do corpo ajude a amplitude do sinal (A) na respectiva função.

Domingo, Junho 01, 2008

O Senhor Inspector


O senhor inspector era demasiado centrado em si próprio. Eu diria que a coisa mais importante do mundo para ele era o seu membro fálico, que queria ver inspeccionado ao milímetro e com fervor.
Inversão dos papéis mas só no que lhe convinha.
Desde o primeiro momento a sua grande preocupação foi fazer-me crer que o seu desempenho, avaliado em excelente, não precisava de se sujeitar a acções de aperfeiçoamento contínuo.
Ainda estou cá a pensar que o excelente lhe deve ter sido atribuído mais pelo número de casos do que pela qualidade. Digo eu, que aquilo de trabalhar para garantir a qualidade, e equidade e a justiça num quadro de responsabilização era conversa da treta, como se fosse um disco riscado a arranhar os ouvidinhos sensíveis de uma mulher como eu.
Não sei se é o excesso legislativo ou o excesso de acompanhamento, controlo, aferição e auditoria que põem um homem naquele estado, mas bem pensado qual é o homem, mesmo não tendo nada a ver com os órgãos de política criminal, que não sofra da tendência narcísica para fazer girar o mundo em torno da sua virilidade?
Eu é que fiquei em verdadeiro estado de choque quando percebi que as metas eram falaciosas e os alvos não passavam de decretos regulamentares.
Nem tive vontade para lhe testar as qualificações; saí porta fora sem dar cavaco, na defesa dos meus legítimos interesses, não fosse uma portaria qualquer obrigar-me à execução de um programa específico para o qual não estou minimamente vocacionada.





Domingo, Março 23, 2008

e a culpada sou eu???

O Valter era um serzinho fleumático, emoções à flor da pele, fantasioso nos desejos e facilmente dado a grandes neuras. Bem... das neuras só soube mais tarde porque nos inícios não há nenhum que revele a matriz genética que a gente depois reconhece; o que ele queria exibir era as credenciais convencido que me impressionava com o selo de Bóston. Mas muito rapidamente a finesse descambou em desastre, que um gajo pode vestir-se de oiro mas o cheiro a sovaco não sai com os disfarces.
A verdade é que eu já andava a ficar com azia quando ele se aproximava. O arzinho de caniche acabado de vir do cabeleireiro enfastiava-me e não me agradava aparecer com ele em público. No privado também não, pois aquela fantasia de querer que eu me vestisse de professora de liceu estava a pôr-me os nervos em franja. O homem era passado dos carretos, no mínimo, pois a maneira de me dar conhecimento dos seus anseios diários era um articulado escrito na forma mais institucional possível; havia alturas em que chegava com aqueles olhos de carneiro mal morto e me apresentava uma proposta para logo a seguir me trazer a contraproposta, no mesmo dia. Dizia que uma profissional se queria flexível e de desempenho acima da média. E que tinha de me habituar aos novos paradigmas, que a contabilização era uma ciência e que a profissão precisava do rigor dos números.
Ora estes dizeres davam-me cabo da paciência pois o meu desempenho já tinha sido avaliado por muita gente e nunca o resultado fora insuficiente; então para que precisava ele que eu apresentasse os planos detalhados das cenas? Grelhas, cálculos, estatísticas… Tanta teoria para uma mulher com a minha rodagem não era apenas uma afronta – era uma dúzia de afrontas.
Pior de tudo foi quando comecei a questionar o desempenho dele; aquilo é que foi bramir, o cretino, acusando-me da descida de temperatura, do estado das estradas, do desemprego, da falência do Estado social, da má formação das famílias, da tendencialite da imprensa nacional, da linguagem desbragada dos blogues, do aumento de preço do gasóleo e… imaginem… da derrota do Sporting com o Vitória de Setúbal!

Livra, descarregar em cima de mim só porque me viu de lencinho ao pescoço não vale!

Sexta-feira, Março 21, 2008

Avaliações e outras decepções


fotografia gentilmente roubada daqui


Antes de qualquer avanço apresentou-me um projecto individual. Eu sei que ainda era cedo para lhe falar em avaliações mas achei aquela antecipação um pouco acelerada.
É claro que li e reli mas aquilo era teórico demais: entre objectivos e competências, tudo ali esquadrinhado em grelhas super desenhadas, a minha atenção desviou-se para o número de sessões. O calendário era generoso.
Cedi à experimentação do modelo.
E assim andámos; os meses corriam e eu, nem bem nem mal servida, estava curiosa com o desfecho, a ver onde aquilo ia parar.
Dizia-se frequentemente indignado; e complicava-me os neurónios aquela sensibilidade à flor da pele, que ele dizia serem os ossos do ofício. Bem… não é que a sensibilidade masculina me repugne, mas ali a coisa assumia a mania da perseguição.
No dia em que o vi de bandeira negra acenderam-se-me as esperanças: íamos ter luta!
Preparei-me o melhor que sabia, dei lustro à minha pele hidratada e expectante e afiambrei-me ao pedaço de homem que ali tinha, esforçando-me para esquecer por momentos os argumentos amargos, mais do que esgrimidos, sem que eu tivesse culpas no cartório.

Espantei-me verdadeiramente quando me disse que estava na hora de eu me ir embora, alegando que estava instrumentalizada e ao serviço das políticas governamentais de avaliação.

Avaliar o seu desempenho, eu?
É claro que estava à espera do momento, mas já não seria a primeira vez que me dispunha a conceder a segunda oportunidade. Depois disso é que lhe daria a nota.
Salvo seja.

Domingo, Fevereiro 24, 2008

Não se pode deixar morrer a Paixão

Entre dilúvios e enxurradas, discursos acusatórios e mensagens promocionais, repórteres da desgraça e comentadores sapientes, tenho-me deixado ir com as águas ...

Por todo o lado faz-se ouvir o descontentamento, morre gente nas estradas e morre o entusiasmo profissional que se calhar nunca foi de monta. De uma maneira geral o país está deprimido. Excepção feita a uns quantos obesos que fazem tilintar o metal na barriga.
Haverá futuro?


Hoje dei-me conta de que não posso deixar morrer a Paixão.






Terça-feira, Janeiro 08, 2008

Analfabeta-me


Por sugestão deste blog e inspirada num textozinho mal empregado, que é o do anúncio, resolvi falar a sério a brincar:





Tirem-me o A de todos os Amores vividos e por viver e o B dos Beijos, a ver se me importo.
Tirem-me o C da Cama e levem também o C dos Cornos com que fui brindada ao longo da vida;
Tirem-me o D dos Dias felizes ou o E dos Encontros e eu encontrarei outras formas de enfrentar a vida.
Tirem-me o G de todos os Gostos e eu arranjarei desgostos abençoados;
Tirem-me o H da História que às vezes me enfastia de tanto a saber de cor, o I das Ilusões efémeras, o J de todos os Jogos com falsas terminações e o L da Libido dos sábados à noite e eu terei todos os outros dias da semana.
Tirem-me o M das Melhores sensações e levem também o M dos piores Males.
Tirem-me o N das Noites mais suadas ou o O dos Ódios que nunca guardei para depois e eu suarei durante os dias mais gelados.
Tirem-me o P dos Prazeres benditos e eu converterei os malditos em satisfação.
Tirem-me o Q de todas as Questões impertinentes; o R dos Restos, o S da Sarna que em certos dias arranjo para me coçar.
Tirem-me o T de Todas as Tentações e eu tentarei tornar-me Tentadora.
Tirem-me o U do Último dia que preciso Urgentemente de adiar; e o V das Vitórias mal digeridas.
Tirem-me também o X dos Xaropes que não curam e o Z das Zangas que nunca melhoraram.
Porém… deixem-me o F.
Depois de me tirarem todas as letras não poderei mais ser eu. Só me resta pois um grito... Foooooooooda-se!



Domingo, Janeiro 06, 2008

cuecas azuis dão sorte?


Apareceu-me assim na noite da passagem de ano e disse que a coisa só funcionava se eu me apresentasse da cuequinha azul. Dizia que era para dar sorte.
Ora eu que não sou nada dessas superstições – já me conhecem o lado pragmático, não conhecem? – e que detesto consumismos de coisas inúteis, exibi-lhe a gaveta a abarrotar de lingerie variada e fiquei à espera dos olhitos mansos de macho a deixar-se vencer pela sedução dos cetins.
Que cena triste!
Ainda telefonei a duas amigas a ver qual delas me emprestava o acessório - aquela hora onde é que havia comércio aberto? - mas cada uma delas estava a usar o dito, ou antes, as ditas, e tive de reconhecer que aquele dia era de facto o dia da pouca sorte, pois o fulano, visivelmente incomodado, não se portou nem bem nem mal e no fim desapareceu tão depressa quanto tinha chegado, que nem a garrafita do espumante tínhamos ainda acabado.
Fica uma mulher de castigo a engolir as passas para ver se se passa alguma coisa de extraordinário e verga-se a mais uma frustração por causa de umas cuecas.
Isto compreende-se?

Sexta-feira, Dezembro 28, 2007

Mise en Scène


Essa coisa da mise em scène fez-me lembrar o Tozé.
Nunca vivi dias tão bem representados. Ele fazia da vida um palco, o lugar onde o drama acontecia a qualquer hora do dia ou da noite.
Mas não falemos de dramas na sua verdadeira acepção pois a língua portuguesa não nos deixa muitas margens. Falemos de entretenimento.
O Tozé tinha o bom hábito de começar sempre pelo estudo da obra analisando cada elemento com o detalhe necessário ao bom desempenho. Durante os ensaios criava e definia caracterizações comportamentais mas tudo com muita movimentação no cenário; o investimento queria-se forte nas atitudes, nos gestos, nas entradas e saídas, enfim, em todos os elementos dos quais dependia o ritmo geral da sua actuação. De facto a resistência física de um actor é uma condição sine qua non para o sucesso, pois pode ser solicitado a executar movimentos exigentes, das acrobacias às pantomimas, da ginástica à dança, pelo que nunca me furtei à maior colaboração no sentido de o manter em forma.
Aquilo é que eram horas de trabalho!
O Tozé era também um grande especialista em dobragens, dizia ele, porque in loco, nunca o vi nesse desempenho, o que foi para mim, diga-se de passagem, fonte de grande frustração, tendo em conta o grau de expectativa. E o que mais me ficou em registo foi um pequeno senão relacionado com o hábito de decorar textos e movimentos. Precisando, como qualquer actor, de uma excelente memória, dei com ele a perguntar-me se não havia "ponto", num dos momentos em que uma terrível “branca” lhe negou a capacidade de continuar a acção.


Quinta-feira, Dezembro 20, 2007

Fausta Literata

Embrenhei-me nos subgéneros do romance.
Gosto de investigar aquilo que me interessa e quando me interessa. Obrigações, bem bastam aquelas do sustentozinho, que uma mulher não pode andar por aí aos caídos.
Percorri as nomenclaturas e diverti-me porque para cada um dos achados eu tinha a correspondente representação, mas é que aquilo batia tudo certinho, sem tirar nem pôr.
A meio da aventura conheci um romancista, bem entendido, posto que sou mulher pragmática e nunca teorizo sem poder dar o jeitinho à experimentação.
Venho pois, partilhar convosco um pouquinho do que aprendi como actante, mesmo parecendo pretensiosa, que é coisa que nunca pretendi ser. Porém, já que criei este espaço para que se veja a minha erudição por que não torná-lo extensível à minha… Paixão! (ou é ao contrário?)
Pois bem, de romance em romance resolvi que dos de cavalaria ando eu cheia, se bem que de picaresco os cavaleiros tenham pouco e eu, quase a deslizar para o género pastoril, pois que estou a abarrotar de sentimento, decidi que doravante só embarco num romance de aventuras, barroco quanto baste para que o epílogo seja de bom desenlace, sem dramas pelo meio, que de folhetins ando eu fartinha até ao âmago da minha pobre microestrutura. Vou, pois, focalizar-me no acto de linguagem, pelo menos como incipit de uma montagem em que só a pluralidade de registos poderá levar a um myse en abime mais-que- perfeito.

Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

Comparações


Fiquei ali presa, qual adolescente deslumbrada, amarrada às formas, embevecida com a perfeição dos traços, a lembrar todos os Apolos sobre quem as minhas paixões haviam recaído.
Ele era a personificação da beleza mais completa, a dignidade do amante mais terno, a marca perfeita da luxúria, a ânsia do desejo mais corpóreo, a euforia do sonho, a contemplação…


… mas, meu deus, tanta pólvora para tão pouco rastilho?


Não há dúvida! A natureza nunca é perfeita, mas pedra é pedra e a dureza nunca se despreza!
Mas… por que razão tem a fantasia de se assemelhar tanto à realidade?

Quinta-feira, Dezembro 13, 2007

Tratar ou não tratar deles

Estava ali sentadinha a ver o envolvente azul dos Jerónimos e a pensar para comigo que tantos homens juntos são um desperdício: desperdício de tempo, desperdício de gasóleo gasto nos voos que os trazem e os levam e nos carrões donde saem para posar, desperdício de euros gastos nas compridas passadeiras que pisam inchados de tanta importância, desperdício de tempo de antena, desperdício de sol, que até brilha mais hoje… ouro sobre azul, dirá Sócrates, ali eufórico a fazer as honras da casa! Look at me! I’m really a very important person!
Alguns quase rebentam os botões dos fatos azuis… bahh, não os queria nem vestidos de pai natal, que as barrigas obesas são um estorvo a qualquer actividade física.
Reparei agora que o Barroso traz uma gravata a condizer com o casaco da comissária, que vem de vermelho.
Ah, lá vem o Zapatero! Humm, este não precisava de se fantasiar de coisa nenhuma…
… mas … pensando bem, o que faço aqui sentada em casa com este ar guloso? Já chega de virtualidades!
Vou aproveitar a borla da carris!

Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

que fazer quado as noites são este pesadelo?!

Não é que os insucessos se somem e me impeçam de ser feliz. Feliz sou eu sempre, ou não fosse faustoso este estado de permanente paixão!
Contudo há umas noitinhas em que a coisa corre menos bem, pelo que esta ausência de compreensão dos homens deve ser um problema que morrerá comigo. Ou… antes morresse, que era sinal que as outras mulheres minhas iguais não o viveriam.
Não, isto não é angústia. É resignação.
Só que de resignação em resignação há uma pergunta que me apoquenta e me amarga os dias. Ou melhor… as noites, pois é no escuro que a coisa mais se complica.
Será que os homens têm todos este problema?
Qual?
É que ressonam que nem uns porcos, normalmente de forma proporcional ao tamanho das suas partes mais interessantes!

Domingo, Novembro 11, 2007

castanhas e vinho

Estou um bocadinho combalida.
Não, não foi efeito do vinho, que o Martinho não era muito de bebericar. O que ele era mesmo era um verdadeiro labrego, daqueles com quem uma pessoa aceita sair para não ficar fechada em casa que, em dias festivos, o que faz uma mulher sentada à lareira, não estando nem sequer frio que o justifique?
Imaginem onde o homem me levou! Disse-me que a “movida” era no Terreiro do Paço. Ainda lhe perguntei se era outra vez a árvore de Natal, meio atordoada pela grandeza da coisa, que ele vinha apregoando desde ontem.
Claro que me assolou o desejo de grandeza, que é uma coisa que assola qualquer mulher.
Ou consola?
Seja como for, acedi e lá fomos a caminho do centro.
Para estacionar foi o que se viu ... e já se sufocava com o fumo enquanto dávamos voltas à praça. Depois, para chegar lá, foi outra tarefa de Hércules (meu deus, só me ocorrem referências de grande monta!), a furar por entre a multidão de velhos e velhas que clamavam por não haver para todos. E eu não sei? Sempre que alguma coisinha mais apetecível aparece em cena nunca chega para todas…
Não percebi o que fazia ali aquele monstro de latoaria; não fosse o Martinho contar-me eu não acreditava que tal fosse possível, uma coisa de medidas, a puxar para o majestoso, para ser maior do que os outros e entrar no guiness
Mas acreditei, enfim, os homens, quanto toca a medições trepam por qualquer pau ensebado!
E ali, entre a confusão, o calor e o cheiro a suor, vi o Martinho dirigir-se para dentro da vedação e empunhar a forquilha com que virava a castanhada, ao mesmo tempo que abraçava o tosco do engenhoso, amigo do peito, o trasmontano; e seguramente amigo de partilhar as coisas grandes, que as pequenas, digo eu, ninguém as havia de querer, nem assadas!


Sábado, Outubro 20, 2007

Escutas tu ou escuto eu


- tá lá? sr. Procurador?
- Sim...
- sr Procurador, vinha apresentar uma queixa!
- Sim, diga!
- olhe, sr Procurador, eu acho que o meu telefone 'tá sob escuta; ando desconfiada, sabe!
-...

Sexta-feira, Outubro 12, 2007

A Fausta recomenda 2.

... nem é por nada!

é que... se calhar eu nem preciso de pôr mais na carta...

... mas os homens quando se encontram serão sempre assim?

ah, tristeza!!!

investir em asas curtas?


Tinha de ser amador; não estou a ver que a criação de passarinhos se faça em regime profissional com quadros de nomeação definitiva e essas coisas. Tão amador que nem tentou arrastar-me a asa e foi preciso eu abrir o bico para ele perceber que afinal tinha ali ao lado - e à mão de semear - uma passarinha.
Não aguento mais este investimento a fundo perdido; nem tão pouco o fundo dos fundos que é onde me sinto ao chegar a casa, de asa tombada e bico rombo.
Que pode uma mulher fazer com um ornitólogo de barriguinha balofa a cheirar a alpista e que passa uma hora a falar do acasalamento das aves?
O que é que fiz? Armei-me em catatua, emproei a popa e arrimei-lhe uma daquelas frases que usualmente caem das varandas das casas decadentes ou das portas das tascas onde o papagaio parece que se enfrascou. Deixei-o de asa à banda!

Venham, poetas, venham!, e escrevam para mim sonetos alados.
Debicarei cada palavra, cada verso, cada rima. E, saltitando, soletrarei os decassílabos, um a um.


Quinta-feira, Setembro 27, 2007

Em estado de choque


Ele falava-me de fenómenos eléctricos como quem explica o padre-nosso ao vigário.
Interessadíssima não tardei a levar a conversa ao meu campo magnético, ou antes, ao terminal oposto, pois quando se começa pela entrada dos electrões portadores de carga numa fonte de tensão, fazendo-se a passagem através de toda a espécie de condutores e componentes, não tarda que se chegue à desejada luz.
Garanto-vos que se uma pessoa se interessa pelo assunto aprende num ápice e eu não tardei a tomar o gosto pela produção energética, a bem do aquecimento global e do meu próprio. Além disso não consta que haja alguma coisa melhor, em termos planetários, do que a lógica binária, pelo menos quando se trata de descargas eléctricas em circuitos digitais. É uma belíssima maneira de ajustar o magnetismo aos filamentos dos nossos engenhos internos.
Só me lembro de lhe ter dito que sendo a electricidade um fenómeno físico, não há carga que aguente o estado de repouso e, tão rápido como um raio, ele ergueu-se em toda a sua verticalidade. Depois, exibindo-me um núcleo carregadinho de cargas positivas, levou-me em visível atracção durante um intervalo de tempo delta tê alongaaaaaado.


Nem vos conto mais. Ou ficam como eu, em positivo estado de choque.


Sábado, Setembro 22, 2007

A Fausta recomenda 1.


Pois é, meus amigos. A partir de hoje e porque não quero que vos falte nada aqui estou com uma rubrica semanal (se não estiver muito entretida, claro, que a vida tem prioridades...) que pretende ser pedagógica e hedonista, combinação perfeita e acima de tudo faustosa, nos dias que correm.
Vejamos o que há de novo:
Na blogosfera há sempre quem respeite as opiniões dos outros pois, embora sejam opiniões atrasadas, têm o mesmo direito à livre expressão que todas as opiniões do planeta e dos arredores; mas só nos blogues dos outros, pois se for nos nossos a gente apaga, porque atrasos de vida é só para quem não usa fio dental…
Aliás só não usa fio dental um homem que é igualmente avesso à depilação, prática muito saudável e de grande capacidade de resistência, que o diga a Vanda, a menina dos integrais (vulgo depilação inglesa) que quando os apanha lá retarda as mãos para os ouvir gemer.
Mas eu não devia falar assim; por mim podem vir limpos e lisos, que me agradam bastante ao toque; e lá por exprimirem adoração pelo seu próprio rabo e usarem butt plugs não deixam de ser menos machos… o que é preciso é que o desempenho deles não me deixe ficar mal a mim... e o resto é conversa.

E por hoje é tudo, boas visitas aos lugares mais pedagógicos da blogosfera e voltem sempre pois aqui vão encontrar os caminhos de vos hão-de tirar desse atraso mental que caracteriza as gentes que se recusam a ler blogues de qualidade.


Domingo, Setembro 16, 2007

Acabadinha de sair da manutenção



Agora que tudo acabou, estou tão cansada...
Vou ficar assim mais uns dias a descansar da manutenção. Uma mulher não é de ferro!
Sobretudo se quer estar preparada para novas aventuras.
Quem é que agarra esta nova Paixão?

Até já.

Terça-feira, Julho 31, 2007

Fausta em manutenção


Eu sei que estranham esta ausência mas uma mulher não aguenta este ritmo, tanto mais que um calor destes tira a energia a qualquer um…


Uma vida atribulada como a minha, com aventuras e desventuras a toda a hora, desgasta e envelhece a pele. Para não falar noutros pormenores que andavam a pedir oficina.

De forma que entrei em manutenção.
É que andava já com uns pneus fora de prazo e a fiabilidade dos sistemas estava a falhar, até porque tinha de dar entrada a umas energias alternativas, a bem do arrefecimento global. Doutra forma entraria em curto-circuito em três tempos…

Daqui a umas semanas terei o mecanismo oleado, os geradores limpos, os equipamentos disponíveis e o exterior polidíssimo. A rentrée é que vai valer a pena, só espero ficar reconhecível.

Beijinhos a boas férias a todos.

Sábado, Julho 28, 2007

Malabarismos




Se a vida é um malabarismo?
Decerto que sim.
Mas isso de filosofar sobre a puta da vida é tão entediante que não vou agora pôr-me aqui a dizer coisas e mais coisas que toda a gente sabe.
Prefiro contar como foram estes dias passados com o malabarista – uma divertida maneira de passar o tempo. Ele falava naquilo da integração corpo-mente e não me parece que tenhamos ficado muito aquém. Desde eventos para empresas a festinhas familiares fizemos de tudo. Serviu-se sempre das diversas partes do corpo, principalmente das mãos, mas também dos pés, dos braços e da cabeça. Querem coisa mais completa?

Do contacto próximo com a arte concluí que não se deve ter medo de tentar; e se não funcionar da primeira vez, não se desiste e tenta-sede novo e de novo. É este o conselho que posso dar-vos.


Como foi?

Foi bom porque meteu muita destreza, muita devoção e sobretudo muitas bolas. Todas manobradas com exímia perfeição e um cuidado extremo.
Se gostei?
Digamos que sim, mas confesso que já andava um pouco enfastiada. Vou agora à procura de formas mais anatómicas!


Domingo, Julho 01, 2007

Fausta no Circo


Perguntaram-me se preferia pão ou circo.
Um bom Pão seria um singular desejo… mas… a esgotar-se rapidamente na estreia, que o pão é nutriente mas não se multiplica.
A opção Circo era mais vasta e diversificada por isso a minha preferência foi esta até porque a promessa de magia deixou-me a salivar.
Assim, era-me dado escolher entre a diversidade da oferta:
Havia o ilusionista, que dominava a arte de entreter criando ilusões. Não servia. Gosto de entretenimento a sério e de ilusões já tive a minha conta.
Havia o homem-bala, que era um tiro certeiro. Não servia. Não gosto de ser alvejada assim, a toque de percussão.
Havia o palhaço, que costuma fazer rir mesmo sem ter vontade. Não servia. Gosto de um boa gargalhada mas detesto homens choninhas.
Havia o engolidor de fogo, homem de peito grosso e depilado, não fosse o diabo tecê-las. Não servia. Não gosto de bocas lambuzadas e de tipos alambazados; a engolir, que seja eu, já que nem sempre posso estar em brasa.
Havia o homem do pêndulo, equilibrando-se ali direito que nem um fuso. Não servia. Pendentes já os conheço de outras fitas e palavra que já não tenho pachorra para os içar.
Havia o domador de leões, de chicote na mão e voz de comando, o bravo da acção, o destemido. Não servia. Ousadia a mais tira o encanto a qualquer cena e eu, fera, depois de amansada nunca mais seria a mesma.
Havia o contorcionista, o que representa o drama com as flexões do corpo. Não servia. Era homem demais para mim; pôr-me-ia de rastos em três tempos, que a elasticidade de um artista assim, deixa uma mulher assarapantada naquele múltiplo estica-encolhe.

Escolhi o malabarista: prometia o desafio das leis da gravidade, o domínio e o controlo no manejo dos materiais…

Fico com ele por uma noite. Dir-vos-ei depois como foi.

Quarta-feira, Junho 20, 2007

'tou farta de conversas de gajas


Estava eu a pedir o cafezinho da manhã e já elas, cinco numa mesa e com o botãozinho do som no máximo, riam das suas próprias piadas e olhavam à volta para ver se quem estava presente também se ria.
O Zeca era o único homem na sala; de natureza pacata e de poucas falas, o que diz costuma ser acertado. Olhou para mim e eu para ele e só disse “eu estava aqui tão bem sentado...”
E de que falavam elas? Falavam das dores de cabeça e uma delas apregoava que não perdoava a acusação genérica porque ela nunca se tinha queixado com dores de cabeça, nunca na vida. A Maria João está agora a divorciar-se e anda eufórica, descontrolada.
Já cá fora, olhei para o Zeca e disse qualquer coisa como “estou farta de conversa de gajas”; e ele, com um ar enfastiado, rematou “vai tudo dar ao mesmo!”
Não, não estou a fraquejar. Não virei defensora dos homens.
Mas palavra que ando a ficar farta de mulheres mal resolvidas!
P.S. ainda vou levar nas orelhas, ai se vou!!!

Domingo, Junho 10, 2007

Voos em queda

imagem daqui


Detesto homens burros.
Não sei como fui capaz de fazer a cedência mas pronto, uma mulher tem de aumentar o seu nível de conhecimentos empíricos nem que seja de olhos fechados.
Afinal ele até prometia dez horas seguidas de elevado nível e eu, que detesto horas mortas, apeteceu-me preenchê-las com a confirmação de tal desempenho.
E depois… os apregoados galões davam à cena um ar um tanto institucional, ainda por cima com as credenciais da Força Aérea Portuguesa e com a promessa em voo de umas horas nos píncaros da glória.
Ai Fausta Paixão, por que caminhos andas!!!
Não tinhas necessidade de fazer mais uma vez a verificação da fanfarronice masculina, especialmente quando ela é galardoada. Os píncaros da glória tê-los-ia atingido o Major Alvega, esse mocetão do nosso imaginário adolescente. Mas este não lhe chegava aos calcanhares, nem no solo nem nas alturas, apesar daquela paranóia pelo controlo aéreo, que ele bem esticava os bracitos para me alcançar a parte superior – o gajo era daqueles que são obcecados por mamas.
Que coisa enfadonha, a mexeriquice e o palavrear esquizofrénico com vista à tentativa desesperada de dar vantagem corpórea ao apêndice. Parecia-me até que a paranóia do cumprimento da missão estava ali colada ao cabelo ralo do major, que só se calava nos momentos em que a língua rastreava os canais. Sempre desafiado pela força da gravidade, digo eu, que a queda dos graves é a primeira coisa que salta à vista de uma mulher.
Acho mesmo que sofria de desorientação espacial, a julgar pelo modo como os olhos lhe saíam das órbitas enquanto se contorcia para gerir os fracos recursos humanos com que a natureza o dotou.
E depois a conversa fiada sobre os movimentos de instabilidade, os desequilíbrios, a resposta do ser vivo na procura de um novo equilíbrio, blá, blá blá… com uma espiritualidade fundada nos Paulos Coelhos que decoravam a estante, deram-me cabo da paciência.
Voos autopropulsionados? Nunca mais!
Nem voos de reconhecimento… que o índice de risco é deveras superior à paranóia do terrorismo internacional com que fui bombardeada do princípio ao fim.

E foi assim que eu aprendi um palavrear novo, muito aeronáutico, tendo desejado, retrognosticamente, nunca me ter passado pela cabeça alistar-me na força aérea.

Quinta-feira, Junho 07, 2007

em defesa dos direitos humanos, particularmente os meus...

Era especialista em direito internacional; foi assim que esta minha tendência para os intelectuais se viu plenamente satisfeita com a presença de um expert.
Embevecia-me a ouvi-lo falar de direitos humanos…
Reflectindo, que nisso posso gabar-me de ser super-veloz, achei que tinha ali a pessoa ideal para garantir o respeito das obrigações assumidas. Tão subitamente como reflcti… achei que ando a ser implacável face ao 12º direito - o do casamento. Quem sabe… terá acabado de despertar em mim a mulher conservadora a aguardar noivado como forma de reparação da vítima que sou eu própria.
Quer dizer, vistas bem as coisas o que eu queria mesmo era a confirmação do direito ao processo equitativo, bem me importava se existia ou não uma violação da Convenção ou se se cumpriam os prazos legais para a renovação dos mandatos.
Direito ao recurso individual, querido - foi o que lhe respondi quando ele me sugeriu que ordenasse as minhas preferências – esse para mim é o primeiro.
É claro que o direito à vida está aqui bem expresso neste meu cantinho umbilical.
É certo, ainda, que lhe ouvi dizer que defendia a proibição da escravatura e do trabalho forçado, mas quanto a isso nada a fazer que eu sou de muitas insatisfações.
E quanto à proibição de tortura… franzi o nariz: há lá coisa mais apetecível que um chicote!



Sexta-feira, Junho 01, 2007

E pronto... fiquei assim!!!


Domingo, Maio 27, 2007

tomates?????

É pá será mesmo complexo das gajas, isto de não ter testículos? *

Sinceramente… eu que os tenho - não os testículos, salvo seja, mas os tomates – e que sou uma gaja, não vejo qual a necessidade de auto-promoção através dos ditos.
E depois a fulana manda-se assim para tudo o que é blogue a dizer que há prémio e não sei quê!... mas tanto quanto me apercebi vai só deixar a marca… o resto é conversa porque ler o que cada um escreve dá cá uma trabalheira… e se assim é, como é que ela sabe se cada um tem tomates ou não?
A blogosfera deve andar maluca…

A pretexto dos direitos humanos??? **

Que um gajo os coce em público para que os olhos de quem passa lhes avaliem o tamanho, ainda se percebe. Eles precisam disso para se fazerem homens. E para que se saiba que não são chumaços...
Mas uma mulher?!!!!
Alguém me explica por que é que aqui precisaram de promover a tomatada a troco da ideia de que o prémio vale a sujeição?
Prémio com tomates?
Sim, devia ser bom, mas eu teria de os ver claramente vistos! E apalpá-los!





* Foi uma gaja que teve a ideia de andar a distribuir tomates, mas não a divulgo aqui, ou estaria a dar-lhe a milionésima possibilidade de ser vista…



**confirmar em qualquer blog... todos têm sido nomeados.


Quarta-feira, Maio 23, 2007

as artes ... indomáveis




Começa-se sempre pelos preliminares, não é novidade para ninguém! Não vou, pois, perder tempo com aquela parte em que ele fez caminho de mãos sobre os meus pés, numa escalada toda feita de arrepios e ais promissores acompanhada de uis inspirados.
Mas também não desejo acabar já o relato com a outra parte mais barulhenta – raios, tenho de mandar consertar a cama! – pois teria de confessar que os vizinhos do terceiro (o meu é o quarto) devem ter danificado o cabo da vassoura de tanto bater no tecto, para eu sentir vibrar no chão o desespero da inveja. Quando me cruzar com ele no elevador hei-de lançar-lhe o meu olhar malvado… e seja o que deus quiser. A ela não lhe falo nem pintada! Uma mulher que não é solidária com as manifestações de normalidade da outra, mesmo que seja pela madrugada dentro, não merece que lhe olhem para a cara! Aquilo deve ser do peso do rabo, coisa de banda larga a dar-lhe aquele andar de pata-choca…
Mas o que me trouxe aqui foi a questão do auto-domínio.
Cortesia, integridade, perseverança, auto domínio e espírito indomável - foi assim que ele disse, por esta ordem, quando me falou no seu desporto de eleição. Quer dizer, a fixação nas artes marciais como coisa de eleição já nem era muito abonatória, mas pronto, o chorrilho de substantivos dava-lhe credibilidade.
Apareceu-me, pois, imaculado num Dobok largo e convenceu-me: foges à rotina, minha!, aquilo é um escape, mas um escape com mais de mil técnicas! E então se for Shoto Kai é o paraíso; repara, os movimentos são sempre suaves e a energia deve concentrar-se num ponto único!

Que esperavam que eu dissesse?
Nem que fosse Tae Kwondo! Ou Shodo Kan! Ou Aikido! Se até movia energias universais!!! Bóra lá! Fosse eu Atena para emparelhar com Marte e seria perfeição o ideal supremo.
Quer dizer… até que nem correu mal. A gente sabe que a a concentração é indispensável mas aquela coisa de absorver a energia do atacante não sei muito bem para que lado funcionou! E o gajo sempre na defensiva! ...
Mas o bom, mesmo… era aquilo do espírito indomável.
O dele?
Não, o meu!
O dele concentrava-se num ponto único!
O meu, bem coordenado com o auto domínio, deu aquele resultado que foi a longa insónia dos vizinhos.

Quarta-feira, Maio 16, 2007

Peregrinar


Eu explico.
Esta ausência foi apenas uma questão de fé. A aproximação do 13 de Maio faz milagres nas pessoas e a vista das centenas que caminhavam estrada abaixo com os pés cheios de bolhas e as varizes a estoirar foi a verdadeira revelação.
Meti-me a caminho. Pedi o cajado emprestado a um dos peregrinos mais robustos e peregrinei entre os demais durante dias de cheiro a sovaco e a um chulézito suplementar. Valeram-me os bons tratos de uns rapazes bastante voluntários que estacionavam nos postes (ou postos?) e massajavam as pernas de quem chegava.
Houve um dia em que ainda me pus a jeito várias vezes para uma massagem que chegasse à cervical (eles começavam pelos pés) mas a fila atrás de mim já ia longa e o rapaz de serviço naquele dia e naquele posto não era dos mais voluntários.
O que me custava mais era o roçar do entre-pernas, que uma mulher em marcha dias seguidos acaba por ficar toda assada e não há unguentos que safem a coisa.
Triste fim, digo-vos eu. Era a derradeira tentativa para compreender os homens e uma vez junto ao tronco de azinho não sairia dali sem uma resposta divina.
Porém, no dia exacto acabou-se tudo. Umas boas centenas de moços com coletes fluorescentes em cordão de mãos impediam-me a entrada dizendo que estava a lotação esgotada.
Ora que gaita! Eu cheia de boas intenções e lá tive de voltar para casa sem resultados e, pior do que tudo, outra vez a pé e sem outra companhia que não fosse o cajado.
Pensei assim: ou vai ou racha. Se a fé, quando se trata do ir, não dá frutos, apostemos no vir.
E agora?
É esperar, meus amigos… é esperar para ver!
E para recuperar um pouco, porque estou verdadeiramente nas lonas!!!

Sábado, Maio 05, 2007

eu, Fausta Paixão

A fatyly puxou por mim...

Se eu fosse uma hora do dia, seria ... 24 sobre 24
Se eu fosse um astro, seria... Plutão, para rimar com Paixão
Se eu fosse uma direcção, seria... o cabo da Boa Esperança
Se eu fosse um móvel, seria ... uma cama das robustas
Se eu fosse um liquido, seria... creolina, para lavar o mijo dos gatos
Se eu fosse um pecado, seria ... a cobiça do homem alheio
Se eu fosse uma pedra, seria ... uma lasca de xisto
Se eu fosse uma árvore, seria ... um chaparro
Se eu fosse uma fruta, seria ... um mamão…
Se eu fosse uma flor, seria ... um antúrio, que tem uma ponta erecta
Se eu fosse um instrumento musical, eria ... uma gaita de foles
Se eu fosse um elemento, seria ... fogo muito quente
Se eu fosse uma cor, seria ... cor púrpura
Se eu fosse um animal, seria ... uma leoa
Se eu fosse um som, seria ... sei lá… o ranger de uma cama, o trote de um cavalo…
Se eu fosse música, seria ... a sagração da Primavera
Se eu fosse estilo musical, seria … pimba
Se eu fosse um sentimento, seria ... paixão
Se eu fosse um livro, seria ... o Kama Sutra
Se eu fosse uma comida, seria ... umas migas de coentrada
Se eu fosse um lugar, seria ... uma ilha deserta
Se eu fosse um gosto, seria ... muito doce
Se eu fosse um cheiro, seria ... o cheiro da paixão
e eu fosse uma palavra, seria ... amor
Se eu fosse um verbo, seria ... fazer
Se eu fosse um objecto, seria ... um edredon
Se eu fosse peça de roupa, seria ... um filme com bolinha vermelha
Se eu fosse parte do corpo, seria ... a parte do meio
Se eu fosse expressão facial, seria ... a languidez
Se eu fosse personagem de desenho animado, seria … a jessica rabit
Se eu fosse filme, seria ... Não compreendo os Homens
Se eu fosse forma, seria ... curva
Se eu fosse número, seria ... não sei se dez é muito? … mas …dependeria do parceiro
Se eu fosse estação, seria ... a estação do Oriente, que é arejada
e eu fosse uma frase, seria ... foi tão bom p’ra ti como p’ra mim?

Quinta-feira, Maio 03, 2007

I'll be back


... foram só problemas técnicos.
estarei de volta logo que eles estejam resolvidos.

Quinta-feira, Abril 26, 2007

... agora são os gatos!!!


Tenho um quintal e albergo por lá uma gata desde há uns tempos. Uma fêmea que me dá cuidados como se fosse minha filha. Quer dizer, não é a mesma coisa… mas por causa da prole que possa aparecer, enfio-lhe uma pílula no bucho de quinze em quinze dias e a pobre bichana anda ali como se estivesse no paraíso.
Entretanto apareceu um gato. Preto. Escanzelado. Dei-lhe comida e ele cresceu a olhos vistos. Nem se dão mal…. Ele às vezes quer trepar-lhe p'ra cima mas ela, coitadinha, o que quer é sopas e descanso e troca-lhe as voltas.
Porque é que estou a contar isto?
Porque ando com uma coisa aqui atravessada! É que …. descobri que também não compreendo os gatos!!!
Será que ando a ficar com problemas psiquiátricos?
O gato preto deve ter pensado que era da casa, porque agora sempre que algum outro ronda o quintal há luta brava. Enrolam-se um no outro, o preto e o amarelo ou o preto e o pardo, porque o de cá marcou o território dele e não deixa nenhum dos outros entrar.
Pois querem saber o que faz o amarelo ou o pardo quando o preto se ausenta?
Entram cá dentro (à vez, está claro) e mijam em tudo o que é sítio: na porta de entrada da casa, nos canteiros das flores, no portão da garagem, nos postes, em cima da salsa, no muro, nas cadeiras...
Alguém pode esclarecer-me... já que gatos destes não têm sido a minha especialidade: isto é normal?

Domingo, Abril 22, 2007

o Maestro


Já aqui tenho falado dos benefícios do treino.
É costume dizer-se que todas as qualidades são dons naturais que só progridem se praticados e treinados à exaustão. Há talentos inatos que, se descuidados, perdem-se.
Por isso é que recorri aos trabalhos do Maestro, que diziam ter o raro privilégio de possuir, não somente uma sólida formação no domínio da arte de posicionar a voz através dos mecanismos da biofísica da fonação, mas também uma longa experiência pedagógica. Iríamos, pois, dedicar-nos à técnica da voz cantada.
A primeira coisa que me disse, quando começamos as nossas lições de canto, foi isto: toda a arte é difícil, mas se o interessado for ágil, dócil e expressivo no desempenho, os resultados serão os esperados. Era só tirar partido das cavidades do corpo – a nasal, a craniana, a toráxica e a bucal – e dos articuladores, onde cabiam a língua, os lábios, o palato duro e o palato mole, os dentes e a mandíbula.
Adoro gente com vasta experiência no uso dos órgãos e o Maestro tinha descoberto a importância da função vocal na estrutura da personalidade, mobilizando isso todo o corpinho.
Empolgava-se quando dizia que para além das notas e das palavras, existe algo invisível, impalpável, que é preciso adivinhar, sentir, expressar e que não está escrito. E falava de um canto interior e vibrante através do qual podíamos libertar os pensamentos e os sentimentos. Era aí que as minhas expectativas cresciam, aguardando impaciente que a relação íntima entre o corpo e a voz crescesse também.
De lição em lição ele lá ia dizendo que a minha personalidade era ritmada e poderosa e que estava a meio caminho de conseguir a flexibilidade necessária à perfeição.
Ora é sabido que detesto ficar ali pousada em meios caminhos, sem sair do nem p’ra lá nem p’ra cá. Tinha de agir depressa ou caía num impasse chato. Ainda por cima obrigava-me a beber litros de água quando a mim o que me apetecia era umas bejecas geladas para criar ambiente. Mas não, aqueles exercícios repetitivos de duas oitavas e meia na escala vocal e três de uma oitava para falsetes estavam a deixar-me enervada.
Mas o dia pior, mesmo, foi ontem. Não aguentei.
Primeiro proibiu-me os derivados do leite a pretexto de que engrossam a saliva e dificultam a articulação das palavras e a vibração das pregas vocais e depois reagiu que nem um possesso à minha observação do exercício laríngeo.
Então eu andava ali a deixar couro e cabelo para perder o meu tempo com as habilidades instrumentais básicas depois da expectativa das abordagens integrais?

Sexta-feira, Abril 20, 2007

Terapia da fala


Há coisas de que é difícil uma mulher recuperar
De vez em quando lá me vejo a braços com merda suficiente para me debruçar sobre a desgraça e ficar uns dias de molho.
É aquela promessa de aleluia, gemida em agudos, que me deixa constantes ilusões; mas o que eu sou, mesmo, é uma ingénua… venham cá vocês dizer se se pode confiar nos homens! Era o podes! Chibos, espécie de gentinha encornada, camelos embossados em vistas curtas, de armadura em riste como se a vida fosse apenas enrolanço e beijação.
Uma mulher quer mais.
Nunca neguei que gosto de cama, onde quer que ela seja feita. Acusem-me de perversidade, vá, eu não levo a mal... já comi fruta madura e outra fora da época; já adocei a boca com mel, mesmo, daquele mais biológico; já fiz ginástica suficiente para muscular a flacidez dos desgostos por que vou passando, já armei muitas cenas, já deixei gajos apeados, já fiquei apeada…
… mas gosto de me apaixonar, pronto! Chamem-me louca mas o meu sonho é viver um Grande Amor!
… e quando um gajo se vira para o outro lado e me diz que está com enxaqueca… eu passo-me!
Enfiei-lhe dois trifenes no bucho e disse-lhe: coração, ou te pões grosso ou tenho ali uns supositórios que fazem efeito instantâneo e dão alívio imediato.
Esfregou os olhos, que encenavam sombra com as pálpebras, abriu-os muito e gaguejou…
E olha, disse eu já com a voz grave, um gago não me serve para nada… a única terapia que gosto de pôr em prática é a do falo!
Acham que ele percebeu? Pois eu não tenho assim tanta certeza! Nem quero saber…


É terrível esta minha busca…
… mas se eu um dia desisto de compreender os homens é a minha desgraça!



Terça-feira, Abril 10, 2007

Coisas que acontecem...


Sinto-me um pouco estonteada, a visão está turva e dóem-me as articulações.
Acho que não me estou a sentir nada bem...
... terei abusado da carne?
... terá sido castigo?
Provavelmente vou ficar de quarentena!

Segunda-feira, Abril 02, 2007

A arte de bem cavalgar - lição 2.


Dizem que o cavalo é um animal pacífico mas nada voluntarioso. Ainda por cima dizem que se engana muito facilmente. Se algumas vezes chega a comportar-se como herói é sempre por medo, como alguns homens.
Mas também dizem que o preceito fundamental do ensino é pedir muitas vezes, contentar-se com pouco e recompensar muito.
Ora que treta! Estas duas afirmações comprovam o erro crasso que é aprender com base na teoria.
Se o cavalo se arma em herói em razão do medo, por que é que temos de nos contentar com pouco? É dar neles até os tornar heróis a sério! E nada de recompensas excessivas. “No pain, no gain”… ou bem que mostram a nobreza da casta ou nada! É uma questão de boa escolha, digo eu: dos mais lusitanos aos mais árabes, desde que se deixem montar com afinco, podem ser sempre bem trabalhados.
Até porque a alta escola tem exigências e o elemento base é o trabalho de duas pistas. Sim, porque ter um cavalo rigorosamente direito é uma das maiores dificuldades da equitação, de forma que o uso de duas pistas sempre permite obter um bom grau de satisfação em pelo menos uma delas.
O caso mais frequente de dificuldades é o cavalo encurvar para a esquerda, isto é, com a cabeça para a esquerda e as espáduas descaindo para a direita. Um animal nestas condições resiste à perna esquerda e à rédea direita de oposição. Para o corrigir convém insistir com o trabalho de espádua adentro para a direita, trabalho este que exige que se lhe agarre com firmeza a cabeça obrigando as espáduas a descaírem; só assim a garupa se eleva e esse pormenor é de suprema importância para o sucesso da montaria!
Mas, amigas (ou amigos, que nisto, como disse na primeira lição, a prática da equitação não escolhe sexos…), o melhor, mesmo, é encavalitarem-se num cavalo a sério e praticarem MUITO. É que montar já foi uma forma de sobrevivência mas agora é uma arte. Mais do que arte, a equitação é uma ciência viva.
O Marquês de Marialva era conhecido por montar 12 cavalos por dia quando tinha 70 anos! Já imaginaram o que é chegar aos 70 e montar uma dúzia por dia?!
Está bem de ver que o treino faz tanta falta como o pãozinho para a boca.

Sexta-feira, Março 30, 2007

a arte de bem cavalgar - lição 1


A quem interessar, que nisto de cavalos não podemos fazer distinção de sexos, deixo aqui recomendações muito importantes que fazem parte da arte de bem cavalgar. (chamo particular atenção a quem teve a ousadia de questionar o meu desempenho...)
Em equitação, como em todas as artes, há indivíduos que nascem dotados de uma habilidade rara e outros que não servem nem para alçar a perninha. Não é que manejar um cavalo seja coisa difícil, mas sempre é mais complicado do que guiar um automóvel ou um avião, digo-vos eu. Mas calma… também é mais emocionante porque estamos a lidar com um ser vivo, dotado de vontade própria, de personalidade e de iniciativa…
É preciso, contudo, usar das máximas cautelas porque eles apresentam muitas manias mas nada que um bom treino não corrija.
Por exemplo as ancas do cavalo são o foco da impulsão, ao mesmo tempo que constituem um autêntico leme que efectua as mudanças de direcção. Ora é preciso ter em conta que a submissão das ancas deve ser pronta e absoluta e deve manifestar-se por uma estrita obediência às pernas de quem monta. Nada de dar abébias porque um cavalo bem ensinado é a base de um bom trabalho. Tendo em conta que o animal não reflecte, apenas procede por associação de sensações recebidas, dizem as teorias que não se deve prescindir de um treino intensivo – montar o dito numa média de pelo menos 3 a 4 horas por dia.
Como vêem, permanecer no arreio é mesmo a única forma de se tornar a coisa numa arte.
É claro que os treinos podem sempre ser realizados com o auxílio de freios equipados com barbelas. É um trabalho de chicote até que o diabo da desobediência seja exorcizado. Usar embocaduras férreas, idealizadas para provocar a dor, pode ser também muito eficaz. Contudo, a moderna equitação, baseada no conhecimento neurofisiológico do bicho, diz que quem monta torna-se parte da montada; por isso são aconselháveis as embocaduras suaves e – confiem em mim – pode-se sempre adestrar o animal sem o levar ao desespero.
Quanto ao trabalho sem estribos, apesar de muito vantajoso apresenta riscos para principiantes. É preciso uma grande dose de confiança e de flexibilidade para poder suportar o trote sem grande fadiga. Mas isso fica para uma segunda abordagem.

Esta minha primeira lição termina com uma máxima árabe que diz que
“o verdadeiro paraíso terrestre reside sobre o dorso de um bom cavalo”.

Vão por mim!!!

Quarta-feira, Março 28, 2007

equus e tal...

imagem gentilmente roubada a uma Diva

Ah! Virgem Santíssima, Jesus Cristo, São Teófilo, Santo Eliotério, São Cristóvão, São Judas Tadeu, São Brás de Alportel e Santo Tirso, São Mateus e Santa Maria da Feira...

...o que eu te fazia se te apanhasse meu cavalo!!!


Sexta-feira, Março 23, 2007

Vegetais e afins




A mim o que me apetecia era um bife do lombo, espesso e a transbordar de natas; ou comida alentejana… um chouriço assado para abrir a sessão, uma febras de porco preto… um naco na pedra… qualquer coisa de carnal, suculenta, proteica, substante!
Mas ele insistia no vegetariano… dizendo que só assim se conseguia manter o corpo são e a mente pura.
Ora o corpinho saudável não era coisa de desprezar, mas aquilo da mente soava a roupa demasiado lavada… assim tipo lençol de hospital, e para asséptico já chegara a experiência de um tal Ângelo de mãos esguias.
Não, não me apetecia ficar-me pelas cenouras, nabos e folhas de couve… com aquele intragável arroz branco, mesmo que fosse aromatizado com ervas e limão. A ideia dos tomates secos ou das beringelas engelhadas tirava-me a pica toda.
Bróculos? Oh deuses… o que é que uma mulher faz com um molho de bróculos marinados? E cebolinho? Valha-me deus, que coisinha fina!
Ele que vá saltear os vegetais para a casinha da mãe, que essas que têm muito orgulho na saúde dos seus rebentinhos, mesmo que eles já tenham apagado as quarenta velas de aniversário.
Não tenho paciência para as ervinhas de cheiro!

Paixões?
Que grandes enganos!!!




Quarta-feira, Março 21, 2007

Ai Primavera... de novo!


Em tempos idos escrevi aqui uns versos brincalhões mas depois
especializei-me nas rimas e na métrica até me sair das unhas um soneto,
que é coisa feita quase a martelo, por causa da cadência.

Ei-lo.

Gosto de te sentir quando amanhece
Teu corpo no meu corpo, docemente
Desfrutemos, amor, este presente
Esta doce ventura que enternece.

Assim pousado em mim, teu corpo oferece
O instante da loucura permanente
Colados, tu e eu, num beijo ardente
Seremos, meu amor, bendita prece.

Mantém as tuas mãos junto de mim
Que eu quero em teu carinho enlouquecer
Não digam que é pecado amar assim

Depois de te beijar, de te morder
É louca a sensação de não ter fim
E é longo o teu gemido e o meu prazer.

… e é por hoje ter sido Primavera que me apetece editá-lo de novo.
Se estou a florear? É bem possível, mas como há dias confessei, estou apaixonada: só o estado da paixão é que nos faz escrever coisas assim… ou não é?

Domingo, Março 18, 2007

Em Formação


Aprendi umas coisas, podem crer.
Há lugares do mundo em que se aprendem coisas giras...
Hoje estou cansada de tanta formação; deixo os detalhes para depois...

... mas as massagens foram boas... ai se foram!!!




Domingo, Março 11, 2007

Ai Primavera!

violas cornutas

Dia suculento para passear pelo campo e repetir os nomes das florzinhas e dos arbustos em que se tropeça sob a hipnose da satisfação.
Até aos narcisos, espontâneos por sobre o tapete verde, eu perdoei a vaidade porque as violetas violas, como ele me ensinou – acompanhavam-nos, na sua modéstia, como se dissessem que aos homens esses pequenos defeitos são permitidos sob a nobreza da nossa tolerância feminina.
Amor secretamente escondido no amarelo das acácias, romance nas azáleas, graça na flor do jasmim, cujo cheiro enche a mata de delicadeza.; satisfação plena depois de conhecer a mangifera, especialmente aquela que ele me mostrou no canto mais recatado do bosque. Nada, mas nada se assemelha àquela maravilha do mundo. Talvez só a boca-de-leão, mas em complemento.
Quando ele me pôs na mão um lírio, baixei-me e colhi uma papoila. Onde dizes pureza eu digo sonho, pensei e disse-lho com os olhos. Ou papaver rhoeas, pensei cá para comigo, agora na posse de todos os nomes, embora aquilo de papar com os olhos fosse metáfora ultrapassada depois do trifolium exercitado em pleno bosque.
Não me esquecerão mais as tâmaras, Phoenix dactyliferas, de grande impacto na redução das angústias, melhores do que qualquer raiz de valeriana, não obstante me agradar sempre mais o raizedo aprumado: se o queremos conhecer é fácil… basta ir na direcção do terminal e nada de ramificações pilosas a perturbarem a pesquisa.
Açafates, esporinhas, angélicas, eufórbias… sim, mesmo as eufórbias, tirando a pulcherrima, que à conta de se armar em boa, larga aquela seiva leitosa que é veneno para qualquer pele sensível.
Mas… depois disto… até mesmo uma viola cornuta.

Agora … tanto faz ... já valeu a pena!


Terça-feira, Março 06, 2007

as minhas visitas


Pois tenho muito gosto em receber no meu sitemetter visitas de todos os credos e religiões e apraz-me ainda mais responder às excelsas dúvidas que trazem por cá gente de longe…


Para quem interessar:

mulheres de grandes grelos – não comento...
treino para exercitar e engrossar o pescoço – eu conheço várias maneiras, mas uma
delas também engrossa a língua, quer experimentar?

Pão faz mal ao intestino – pois isso depende da maneira como o come…

Vassourinha integral – é para ver se há ou quer comprar?

Homens frios – vira p’ra lá essa boca…

Anatomia externa da mulher não virgem – ah… isso é como procurar agulha num palheiro, pois não me consta que haja marcas externas visíveis… para isso tem de procurar debaixo da palha.

Homens lindos de pau de fora – bem… ou são lindos ou têm o pau de fora, as duas coisas numa não será pedir muito?

Os mais belos cacetes – aqui não costumamos ter essa visão estética; aqui tudo serve desde que funcione, mas se é caprichoso(osa) posso convocar uns amigos meus para uma sessão ao vivo.

e agora... deixo-vos com estas buscas... se puderem respondam, que a mim já me vai faltando a inspiração.

Fetiches roupas femininas

Cadeira erótica de dentista

Blog de homens

Enrabar

Lengalenga da pata

Quais os exercícios que são para perder quadris

Semana ecunomica

Pk os homens são calados

Tudo gostoso nos homens


Mas para que saibam que este blog é muito bem frequentado, aqui vos deixo o texto do último email que recebi.
E... em jeito de consultório sentimental e porque estou indecisa sobre se devo ou não responder... muito grata ficaria se pudesse contar com os vossos conselhos.


"Oi, Depois de dar uma volta pelo teu blog, e uma vez que tal como tu, gosto deabordar o tema sexo de um forma frontal, natural e com jogos de sedução... pensei... Hummmm será que vale a pena enviar um mail!!! Não... isto deve estar cheio de tarados a enviar msg não me vai ligarnenhuma!! Mas como o não é sempre garantido, resolvi tentar. Não vou adicionar o teu msg até porque acho que seria um abuso da minha parte. Fico antes a aguardar uma resposta... tenho uma amiga que gostaria de uma conversa a 3 no messenger. Beijo. Joao"

livros

Há uma amiga minha que anda sempre na crista da onda, a Vague.
Por isso é que andou para aí a desafiar o pessoal para escrever
um texto de cinco linhas com títulos de livros.
É claro que eu ando bué ocupada com outras folhas mais vivazes, mas nos intervalos ainda me sobra tempo para umas "perninhas".




O erro de descartes foi nunca ter estado no vale da paixão a fazer a ronda da noite; não interiorizou a arte de amar nem o conhecimento do inferno e foi pena porque o tempo, esse grande escultor, acaba sempre por nos mostrar que no jardim sem limites, quando andam gaivotas em terra, consegue-se meter agradavelmente um diabo no paraíso e isso é a verdadeira obra ao negro, sortiégio pelo qual se chega ao dia dos prodígios.



Sexta-feira, Março 02, 2007

a floresta (quase) encantada...


Ainda estou meio atordoada com a conversa do Juventino Carvalho. Prometeu levar-me a ver as piceas, mas que acautelasse os pelos esparsos das do Norte, que os raminhos eram jovens. Adoro coisinhas que, não obstante serem tenras, têm os gomos pontiagudos, mas mesmo assim sugeri-lhe um exemplar mais robusto, dado que a minha energia estava em alta, pois com tantos dias secos fazia-me falta espairecer entre os troncos. Aquela pinha romboidal de ápice truncado não fazia as minhas delícias.
Levou-me então em direcção à picea orientalis, cujos ramos densamente peludos já faziam alguma vista. De facto engracei com as pinhas oblíquas, levemente apupuradas, de escamas arredondadas. E nem vos digo o meu entusiasmo quando me falou na casearia gossypiosperma . O quê? Sim, o pau-de-espeto! Mas aqui na mata, perguntei-lhe? Humm, talvez só no Brasil, mas da parte teórica sei tudo…
Não, por favor!, teoria não, ao menos mostra-me o cupressus , o massaroco, o buxo, o choupo-negro, o ranúculo, o piorno, mas nada de plantas prostradas, só daquelas de haste carnuda e de caule lenhoso, que eu sou adepta da biodiversidade mas tenho as minhas preferências! Coníferas? Ora essas não! nem as angiospermas nem as púnicas, por amor de deus. Femininas só as phoenix.
O Juventino, que conhecia bem a dinâmica da floresta, esmerava-se para que o uso dos produtos não implicasse a sua exaustão. Dizia-se adepto do desenvolvimento sustentável e por isso era preciso espetar muitos troncos. O mundo não pode acabar, dizia ele.
É claro que não, muito menos agora que estamos rodeados da natureza viva!
Que mundo aquele!
A qualidade da matéria-prima envolvente merecia um processamento a condizer por isso quando ele me perguntou se a minha corola preferida era das personadas, com limbos divididos em dois lábios, disse-lhe: alto lá!, então a definição de arvore não é a de uma coisa permanentemente lenhosa e de grande porte? Então para quê andar com rodeios?
Para mim a questão tinha mais a ver com a conexão entre o caule e a folha: se fosse caduca estava excluída; se fosse persistente já a coisa soava de outra maneira, especialmente se fosse de pecíolo não côncavo nem achatado na parte superior. É que há pormenores de grande importância para que a ascensão da seiva bruta se dê sem problemas; só assim o limbo se tornaria viçoso.
Já me estava a chatear tanta conversa... porém, o que me agradava mais era prosseguir o passeio por entre aquela humidade natural do arvoredo.

As expectativas aumentavam...

Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007

passeando pela floresta...

eu nem tenho tempo para escrever... isto é cá uma aprendizagem!!!

Sabem o que é isto?




pois fiquem sabendo que é uma picea abies.

Até mais ver... que a floresta espera por mim...



Sábado, Fevereiro 24, 2007

No experimentar é que está o ganho




Espero que não tenham estranhado esta minha ausência mas é que tive de passar à fase empírica para comprovar algumas dúvidas.
Não foi mau! Mas de tanto canalizar as atenções para a verificação das hipóteses, a experimentação foi quase laboratorial e isso resulta sempre numa postura demasiado científica, percebem?
E depois eu precisava de alargar a amostra para que os resultados pudessem ser relevantes. Muito tempo gasto nestas andanças e uma mulher não é de ferro!
Primeiro andei a ler sobre o método experimental e deduzi que as experiências costumam ser feitas com animais… só que eu não queria entrar por aí… por via da contestação social, embora pudesse chamar ao texto alguns testemunhos de verdadeiras acrobacias equestres, de fantasias emplumadas, de garras felinas sobre a minha pele ou de lambedelas de cachorros nos dedos dos pés. Há de tudo, até rastejantes serpenteando-se para chegar à presa, ou cobaias a pedirem para serem testadas… embora os verdadeiros mamíferos tivessem sido sempre os da minha preferência.
Porém o que me fixou a atenção foram os caules: desde que um tal engenheiro agrónomo me disse que era costume deles espetarem o pau e ficar a vê-lo crescer, não parei as minhas pesquisas para tentar saber quais são as espécies que crescem em menos tempo e quais são as espécies retardadas; quais as que oferecem mais resistência e as que se quebram com um apertão forte ou mesmo as que murcham sem explicação aparente.
E… vejam só: caules angulosos, compridos, bojudos, cilíndricos, cónicos, estriados, sulcados…

Está decidido – vou à procura de guarda florestal para aprofundar os meus conhecimentos nesta matéria.


P.S. ah... já me esquecia! Eles não fingiram, na generalidade. Aquela matéria é demasiado sensível para ser comandada por um esforço de vontade. Houve, contudo, os que confessaram que às vezes abreviam para ver se a coisa acaba depressa. Mal sabem eles que nós ainda abreviamos mais...





Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

será que eles fingem?


Era a propósito desta antiguidade.
Estava eu a pensar, olhando para o casal nas suas intimidades de alcova, que naquele tempo, ainda a gordura era formosura, era preciso que os rapazes fossem bem estruturados ou então a zona do tendão de Aquiles era muito maltratada.
Vai daí os meus pensamentos deram um nó.
Porquê?
É que imaginei o desgraçado a gemer que nem um perdido com uma tendinite localizada ali na região do calcanhar, ou mesmo com uma ruptura dos gémeos, que apesar de robustos, estão ali bem duros na sustentação do peso da moça.
E não é que se me pôs uma dúvida malvada!
Será que quando os homens gemem que nem uns perdidos estão a fingir orgasmos?
Por favor, venham esclarecer-me ou ainda acabo transformada numa céptica: é que esta questão é de fundamental interesse para a minha compreensão dos homens!

Terça-feira, Fevereiro 13, 2007

para o S. Valentim

A pedido, aqui fica um pequeno contributo, em forma de celebração do dia 14 de Fevereiro...




Caríssimo S. Valentim

Fiz pesquisas no google, percorri as páginas amarelas, fui pelo firefox e depois andei de farmácia em farmácia e saí de cada uma deixando os funcionários de rosto vermelho e olhos no chão. Devem ter pensado que sou tonta, mas não, o que eu queria mesmo era um produto polivalente – multiusos, melhor dizendo – que se pudesse tomar via oral sendo gostoso, mas que pudesse funcionar como hidratante corporal, sendo guloso e ainda com propriedades de lubrificante genital, sendo viscoso. Tudo em um, sim! E de preferência com propriedades viagrais ou cialíticas especialmente se for apresentado em forma de coração vermelho vivo. Chamar-lhe afrodisíaco é denominação já gasta e banalizada por tudo o que aparece no mercado para vender sem muito esforço. Pois meu caro aqui tem o milagre: tome, prove, lamba, gargareje, espalhe, polvilhe, massage, unte, borrife, faça como melhor lhe aprouver, mas por favor deixe um frasquinho em casa de cada ser humano da sua espécie com a recomendação de que devem usar sem restrições.
A ver se é desta vez que me sai a sorte grande!

Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007

o cheirinho do sovaco


Fui visitá-la e olhem só o que aprendi...

Investigadores de uma Universidade da Califórnia levaram a cabo uma investigação na qual descobriram que as mulheres se excitam com o suor masculino.

E pensei cá para comigo: de facto... quando hoje apareceram cá aqueles dois a trazer a máquina de lavar nova, até ia caindo p'ró lado... Um deles pôs a máquina sobre o dorso e disse, ao entrar: "é para pôr onde?"

Foi por isso que dei comigo aparvalhada, a dizer: "pode pôr no quarto; e fique lá para a montagem!"

Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

Encenações

O que mais me aborreceu foi aquela mania de supervisionar e dirigir a montagem. Mais do que aborrecer… direi mesmo que me foi insuportável tanta presunção de profissionalismo.
Criar e interpretar personagens sim, tudo bem, mas com funções pedagógicas? Ou pior, ainda, com funções de intervenção política? Ele pensava que estava a lidar com quem?
Às tantas se não me tivesse livrado dele ainda me caía ali com os argumentos moralistas dos defensores do não!
É que nas representações vocais e corporais ele não tinha nadinha a repreender no meu desempenho. Nos adereços eu esforçava-me por ser diversificada e no guarda-roupa, enfim, sempre me valia das minhas formas e dava um jeito para conjugar estilo e economia, ‘tá bem, não se pode ter tudo… ou pode? Ele é que não fazia esforço de inovação e os auxiliares nunca estavam a jeito quando as anotações apresentavam linhas em branco.
Recriar… recriar… enfrentar o desconhecido para o recriar como se fosse novo…
E eu ali a vê-lo em plena encenação, à espera da cena mais desejada.
Quem me manda a mim meter-me com gente do espectáculo! Espectáculo é o que eu procuro sempre mas estes, então, é um ver se te desembaraças porque o que lhes interessa não é mais do que a perspectiva pessoal, a filosofia do palco, a ideia de que todo o processo de conhecimento deve constituir-se de uma parcela de não intencionalidade… e tal…
Ah, como eu me deixo levar facilmente por filosofias!
De naturalista e realista vi pouco, em má hora lhe dei ouvidos quando me disse que a performance seria basicamente uma linguagem da experimentação sem compromissos.
O que é que vocês faziam se vos propusessem uma experimentação sem compromissos? O mesmo que eu, certamente! E ainda por cima com aquela promessa de lidar bem com a transgressão, desobstruindo os impedimentos e as interdições colocadas pela realidade!
Ok, eu sei que a vida é um jogo teatral, uma encenação. Mas se ele dizia querer experimentar propostas cénicas que não tivessem o texto como ponto de partida por que é que passou o tempo todo a falar, a falar e acção… népias!
Meto-me em cada cena!

Sábado, Fevereiro 03, 2007

O melhor jogador de mishu do mundo

Aliciou-me com aquele olhar matador, copo de vermute on the rocks na mão e muita, muita convicção. Não era comigo que falava mas ouvia-se bem o convite dirigido à companheira: “queres vir jogar michu p'ra minha casa? Não encontras ninguém tão bom a jogar mishu como eu”.
Eu, que tenho bom ouvido, apesar do som ambiente a muitos decibéis, ia ficando colada ao entusiasmo com que ele lhe dizia: “por cada cinco de seguida é a pontuação a subir”. E a parva fazia uma carinha de pouco convencida... Ao menos dizia que era giro comer sempre coisas diferentes, quanto mais não fosse por causa da música. Só nisso é que eu lhe dou razão, bem entendido, embora a música ali estivesse muito codificada. As opiniões das mulheres pouco me interessam, de facto... E ele que não, que não, que era mesmo necessário que fossem cinco iguais de seguida; e que o que fazia crescer o corpo era enfiar nas argolas – até lhes chamava donuts, imagine-se…
Que conversa! O pessoal depois de beber uns copos abusa das metáforas, pensava eu. Aquilo era musiquinha de engate, ‘tava-se mesmo a ver; e ela a dar-lhe p’ra trás! Palerma!!!
Pois o rapaz não era nada de se deitar fora e quando o ouvi dizer que passava horas naquilo até arregalei os ouvidos. Horas e horas pela noite dentro até já não ter forças nem concentração. Mas que era persistente e que não desistira até dar provas de ser o melhor.
De forma que, quando ela se despediu dizendo que não, que pelo menos hoje não estava preparada para aquele jogo, encarei-o de frente e lancei-lhe um sorriso cheio de sacanagem.
É claro que deu certo: pegou no copo e dirigiu-se à minha mesa com um ar triunfante: “Olá, sabias que eu sou o melhor jogador de michu do mundo? Sabias que sou detentor do record de 1790960 pontos? Queres vir a minha casa?"
Acham que ia perder a oportunidade? Pus a mão na malinha e confirmei se estava tudo em ordem; sim, tinha comprado outra caixinha, que aquilo gastava-se a uma grande velocidade; e nunca fiando nos gajos quando já estão com uns vermutes on the rocks no buxo! Mulher prevenida vale por duas.
Já em casa ligou os dois computadores e fez-me sentar ao lado dele: “tu jogas nesse e eu neste. O objectivo é este: o michu está esfomeado e tens de lhe dar comer. Se ele comer cinco peças iguais de seguida somas pontos, aí é que está o segredo da vitória”.
Ok, pensei, adoro jogos eróticos. Este gajo sabe fazê-las! Um mishu esfomeado devia dar cá uma luta!
… ... ...
Depois de duas horas a ouvir os dings, dongs, doings em séries de cinco e os poing-poing-poings, e de novo dings, e de novo doings e de novo dongs… a paciência esgotou-se: “alto lá com isto!, disse-lhe, tenho os olhos fodidos, os ouvidos até chiam, dói-me o pulso direito, já não aguento as costas nesta maldita cadeira… ... e as minhas expectativas reduzem-se a zero de cada vez que essa minhoca perde tamanho! Ainda vais ficar muito tempo a jogar?”
E ele: “é só até chegar aos dois milhões de pontos! E a minhoca tem nome - chama-se mishu! E se lhe deixo um corpo grande esmaga-se contra as pedras, não percebeste ainda?"
Estava no limite, eu!!! Levantei-me e gani, mas ele ainda teve lata para me dizer: "eu sei que sou o melhor do mundo mas tenho de deixar uma margem para ver se ninguém me bate nos próximos dias. Agora não posso desistir!”
E, sem tirar os olhos do monitor, sem reparar no pontapé que dei nas oito ou nove latas de cerveja alinhadas no chão da sala, no murro que dei na máquina do café e nas chávenas sujas que andavam lá por perto, acrescentou: “agora podes ir dizer a toda a gente que estiveste em casa do melhor jogador de mishu do mundo!”
Já na escada ainda continuei a ouvir os dings e os doings em séries sucessivas de cinco e a voz dele em som triunfante: “YESSSS!!!!!”

Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007

Provérbios e conotações


Enquanto o pau vai e vem... folgam as costas.


Pelo menos é o que se diz! Mas é daqueles provérbios que puxam para a risada.
... ou não?
É que o Júlio Machado Vaz, esta semana ria que nem um doido com aquela menina que contracena com ele na antena 1 ... ela disse que as costas folgavam ou algo parecido e ele, zás... mandou-lhe com o pau!

Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

ele é pelo sim ó não...

Com nove semanas e meia podemos dizer que esta menina é um "imbrião" ou outra coisa mais engenhosa?
É melhor tirarem aqui as vossas dúvidas...
Ele é pelo sim ó não e, dadas as circunstâncias, eu compreendo-o...
Eu, não sendo homem, vou pelo sim ó sim, que estas meninas não são propriamente a minha maior atracção!

Domingo, Janeiro 28, 2007

Como é que eu posso compreender os homens?!


Estava eu a começar a abrir os olhos... ainda na cama, que é o lugar onde costumam surgir as reflexões mais profundas, e ouço aquela afirmação lapidar: "foi um jogo muito viril".
Ele referia-se à encenação ontem ocorrida no Restelo, onde o SLB meteu dois na baliza do CFB, que por sua vez só conseguiu meter um no lado contrário.
Ele era o responsável pelos vitoriosos, mas até me confundiu um pouco porque elogiava o bom desempenho dos derrotados. Até aí tudo bem, é uma questão de fairplay e tal...

Mas...
... mas eu, no quentinho da minha cama, ainda mais p'ra lá do que p'ra cá, ia pensando: viril????? Mas viril quer dizer que os rapazes deviam estar todos com vontade de se foderem uns aos outros!
Mas... mas nesse caso...

... bem... desisto de compreender os homens!





Quarta-feira, Janeiro 24, 2007

Quando os astros são asteróides



Não parava com aquela conversa de modelos físico-matemáticos baseados nas interacções: era a interacção electromagnética, a interacção fraca, a interacção forte e a interacção gravitacional. Meu deus… só a palavra chegava para activar a minha cosmogonia interna. Eriçava-me toda, eu, quase a entrar na zona de ionização da nebulosa ante a perspectiva da exploração de novas fronteiras. Era lá que os fotões assumiam a sua energia máxima, não havia que hesitar.
Fiz-me convidada para ir ao observatório. Espreitar o telescópio era um desejo legítimo. Pudera!, sabendo-o equipado com um sistema complexo de detecção de dados e um sensor CCD , estava absolutamente segura de conseguir ver todas as estrelas, todos os planetas e todos os cometas do sistema solar, podendo, talvez com maior propriedade, ver também os do sistema lunar ou quem sabe os de um sistema qualquer inter-galáctico. Se aquilo metia “coupled” na descodificação, oh deuses, era para rumar ao zénite, à galáxia anular, à fusão nuclear… eu sei lá o que era… eram as ondas gravitacionais já a imprimirem balanço à acção e eu a tentar maximizar a detecção do sinal fraco, na ânsia de me tornar numa super-nova!
Este fascínio pelos astros mata-me – é como um pólo de atracção permanente, uma carga magnética inevitável que me leva vezes sem conta às cenas mais insólitas.
É claro que em vez das estrelas fiquei a ver uma chuvita de meteoros, ali, antes do tempo previsto para o pulsar binário, porque se o homem era o máximo na astronomia extra-galáctica… o mesmo não se pode dizer da eficácia da lente. Havia ali um grãozinho qualquer na engrenagem, talvez a posição ou o movimento dos objectos astronómicos ou uma evidência indirecta na maneira de lidar com tecnologias de ponta, sei lá!
O que é certo é que eu esperava assim como que uma entrada em órbita celeste, enfim, já não falo de um buraco negro porque essa zona misteriosa podia acabar comigo e com ele ali numa fracção de segundos e se é certo que o caos sempre me atraiu, também não valia a pena entrar na quinta dimensão. Mas entre o fracasso da quinta e o levar com um asteróide em cima antes da primeira vai uma diferença grande – tudo uma questão de corpo pequeno, portanto!
E nada mais há a acrescentar a este caos depois de mais um fracasso astrofísico: eu a querer medir os fractais, e a apanhar com a imprevisibilidade dos comportamentos das superfícies. Tinham-me dito que mesmo no caos podem ocorrer arranjos e alguma forma de ordem mas parece que comigo o que resulta são os axiomas intuitivos.
Decididamente, vou dedicar-me à astrologia.

Sábado, Janeiro 20, 2007

oralidades


A actuação do jovem iniciou-se com uma avaliação da minha saúde oral.
Chamava-me paciente, para a cena ser mais verosimilhante. Pelo menos foi o que eu idealizei, mal me sentei na cadeira e ele a elevou até pousar os olhos sobre o meu peito. E eu a fingir paciência, por via daquele olhar muito lânguido, por detrás do plástico protector dos óculos.
Examinou-me a região intra-oral, através da qual observou minuciosamente a língua e o palato. As palavras, pronunciadas ali mesmo sobre o rosto, traziam um hálito a flores frescas, infelizmente quebrado pelo cheiro forte dos anestésicos.
... e a sessão, propriamante dita, ia começar!
Bem… aplicar o produto não custava, disso eu já tinha experiência; remover cálculos e manchas ainda vá que não vá, podia ser a etapa seguinte, mas a coisa azedou foi quando me falou na dessensibilização do seis e do nove, por excesso de hipersensibilidade.
E mais: aplicar selantes nas fissuras?! Ah não, isso seria demasiada cedência e uma mulher não pode entregar assim as decisões, de boca aberta, nas mãos do outro!
Que é que ele pensava? Que era assim que me incentivava às visitas regulares para a rotina? Que me mudava os hábitos alimentares e me impedia do prazer dos doces?
Um plano de tratamento só com a minha anuição, porque nisso de polimentos, alisamentos e amálgamas eu só alinhava se tivesse confiança nos instrumentos, particularmente no aspirador de saliva ou até no próprio aparelho de RX intra-oral, porque a boca de cada um é propriedade sua e nas minhas raízes não era qualquer pessoa que tocava.
E ele que não me viesse cá ensinar a técnica da escovagem porque se ela era frequente ou não era problema meu!
É claro que, de boca aberta, eu não lhe podia dizer nada disto, nem sequer dizer que sim, que já levava muitos anos de uso fio dental. Mas logo que ele recolheu o tubo lambi a secura dos lábios e fiz-me cara no troco: disse-lhe que era capaz de me sujeitar a tudo, mas que a minha hipersensibilidade tinha de permanecer a cem por cento.
Quanto às fissuras, ele que fosse apresentar a sugestão dos selantes à mãezinha dele porque essa sim, já devia estar fora de prazo!

Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

Testicocéfalos?


Eu não tenho culpa.

É mais forte que eu, mas se deus pôs no mundo uma criatura com tantas e tão impressionantes características não foi por acaso. Tem defeitos? Ah pois sim, mas todas sabemos que Adão também os tinha, com aquela mania de andar a fazer mijinhas por todo o lado quando se apercebeu que, dos dois, ele era o único a possuir a capacidade de as fazer de pé. Há heranças eternas! Mas se é criatura de deus não pode ser tão destituído de virtudes. É por isso que quando olho para um homem não posso deixar de imaginar o que está lá dentro.

Onde?

Podendo parecer que é ali mais ou menos ao nível do quadril – ali relativamente próximo do eixo transversal situado no plano onde se efectuam os movimentos de flexão e extensão; ou talvez um pouco acima, no enfiamento do eixo vertical que faz as rotações externa e interna – a verdade é que por causa de uma extensão que leva o membro inferior para trás do plano frontal, o músculo extensor do quadril (que passa pelo centro da articulação), bem como os extensores (que estabilizam a pélvis no sentido antero-posterior) e ainda os ísquios-tibiais (que activam o glúteo maior e os músculos cuja direcção é semelhante à do colo do fémur), a verdadeira localização do dito é, no seu todo, forçada para o acetábulo, o que, apesar de tudo, também acontece com os pelvitrocanterianos e com o obturador externo e o glúteo pequeno.

Tendo, pois, como ponto de referência os músculos sustentadores do quadril, chegamos muito linearmente à conclusão de que aquilo que verdadeiramente funciona nos homens, qualquer que seja a sua localização, tem, em tudo, uma analogia directa com a imagem junta.

De tudo isto se comprova que deus soube o que fez quando manuseou a semântica da palavra testicocéfalo. É tudo uma questão de semiótica, como muito facilmente se percebe pela descrição anatómica que aqui vos deixo.

Sexta-feira, Janeiro 12, 2007

Põem-me as mãos em cima ... e eu...




Foi ele que pediu.

Era para usar um conjunto de palavras e escrever um texo.
Também era para divulgar a ideia. para quem quiser colaborar.


Não sei porquê, mas as palavritas sugeridas mandaram-me logo a memória para o Mateus.


Para não o embaraçar olhei assim de relance no espelho, a fotografar-lhe as formas, enquanto hidratava a minha pele com óleos afrodisíacos. Queria que aquela noite fosse assim como… beber um café a transbordar de natas, ao fim da tarde, numa esplanada com vista para as águas da mais romântica lagoa. Uma tarde que antecipava seguramente uma noite de sexo violento, daquele que faz qualquer um perder os sentidos. Seria audácia minha, talvez não me saísse bem diante daquela figura escultural, mas o negrume que saía do vermelho da manga dava cá uma pedra à imaginação!
Só numa tela! Não era possível que a realidade me destinasse tão venturosa delícia! Uma mulher até fica atordoada com o eco que sai de uma voz assim! Eu treparia todos os degraus para lhe chegar ao cimo, porque o cimo adivinhava-se lá no topo, e eu… obcecada pelos mitos, tinha de tirar a limpo, antes da morte, a verdade da coisa.
Atrapalhada nos gestos, senti-me sem norte no momento em que ele me pôs as mãos em cima! Mas não me dei por vencida. Havia de o fazer em retalhos…






Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

cumprimentos às visitas...



Quando um pessoa vê isto não pode deixar de dar uma volta pelo seu sitemetter para ver quem vem cá ter.
E, de facto, dá vontade de entabular conversa com quem veio às buscas:


- homens exibindo cacetes - ao senhor ou à senhora que os procura eu respondo que... se eu os apanhar guardo-os no meu álbum pessoal, não venho aqui partilhá-los, ok?


- anúncios de mulheres para dar uma queca - ... aqui não, não costumamos aceitar, mas continua à procura , não desistas!


- obrigada amiga - é um gesto cortez que cai sempre bem aqui na casa, mas confeso que não sei o que fiz eu para merecer tanta deferência. Só pode ter sido o tal co-piloto a agradecer-me a disponibilização do Dico.


- bruxarias - já fizemos, em tempos. Agora mudámos de ramo e é mais reiki, mas o efeito é o mesmo.


- yomba oro - não, não é aqui, mas qualquer farmácia tem, pode levar escrito num papel se tem medo de se esquecer. também pode pedir ... Viagra ou Cialis, sempre se decora melhor o nome da coisa.


- pelo no peito - esta já me parece mais ofensiva, nem vou comentar... mas veja aqui.


- imagem de homem na sanita - não me diga que lá em casa não tem? Costumam levar literatura e ficar lá horas, nunca reparou?


- calorias de pão e água - confesso que não sei, mas não creio que seja alimento para uma pessoa normal... eu pelo menos não gosto da ideia e já o disse antes.


- compreender os homens - às inúmeras pessoas que vêm cá parar com essa intenção eu respondo: se eu os compreendesse andava aqui a fazer o quê? Não reparou que aqui são mais as frustrações que as satisfações?


- porque é que os homens não fazem nada em casa - olhe... continue perguntando aqui e ali... alguém há-de saber o segredo!


Boas buscas. Eu cá estarei para ver...




Domingo, Janeiro 07, 2007

Camelo!!!



Era para ser sua co-pilota, disse ele num telefonema urgente.
Foi há umas três semanas, não havia tempo a perder. Só vos digo que nunca me tinha aplicado tanto nos treinos. Apliquei-me tanto, tanto... que ainda hoje os meus ouvidos se ressentem da violência, que o ronco do motor de um camião é coisa de abalroar, garanto-vos.
Treino permanente para reforçar a condição física e psicológica... tudo p’ra cima!, que uma pessoa quando se embrenha na co-pilotagem não pode fazê-lo por menos. Aquilo desgasta... mas desgasta!!!
7915 quilómetros em todo-o-terreno prometiam as quotas máximas. Dezasseis dias de bem- bom, pensava eu a atacar, à força toda, nos primeiros quilómetros... e sem capotar!
E não seria só trabalho... a segurança (só bombeiros eram 170...), o convívio (com 508 veículos, vá lá... pelo menos metade com co-pilotagem, porque os motards andam bem por conta própria... acrescentando o suporte mecânico, o mediático e os mirones... aquilo daria aí para cima de mil e tal cromos, à noite, no Hotel). Mais a paisagem, as dunas, os pós, os camelos...
Bem... podem compreender o tamanho da minha frustração, aqui em casa, hoje, a lavrar mais um queixume.
Mas eu conto tudo:
Depois de bem treinados eu e o Diogo Cunha Rego tínhamos todas as condições para efectuar uma boa prova, desde a potência da máquina à vontade férrea e incontrolável de levar tudo à frente. Ele apostava num bom tempo para as classificativas e eu, colaborante, achei que uma hora, vinte minutos e trinta e oito segundos, para começar, não era nada mau! Dei, pois, tudo o que me era possível, não obstante os atascansos sucessivos. E que pica que eles davam! Depois de racionalizado o espaço a bordo para nos sentirmos à vontade, trocámos de centralina e ensaiamos a tracção traseira; mas a tracção às quatro, essa sim, firme e segura, era a nossa aposta. Bom andamento vivo, um espanto de caixa de velocidades, pronta para atacar as dunas de frente, a um ângulo de 90 graus; ou mesmo usando as redutoras (na quarta ou na quinta, pelo menos), para fazer render a prova.
Ele era cheio de cuidados: ajeitou o compressor para encher os pneus nos intervalos, montou um sistema de navegação que incluía um desenrolador eléctrico road-book, um conta quilómetros com comando lateral e GPS orientado e extensível, fez exercício de perícia em terra batida, sem esquecer as zonas dos buracos e... bem... a perspectiva de curtição era o máximo...


Mas não. O Diogo Cunha Rego (o Dico, como todos lhe chamavam), ali mesmo em cima da hora, trocou-me por um co-piloto com dois metros de altura, cavas longas e uma mota XXL tatuada no bíceps.

Uma mulher aguenta isto?


Sábado, Janeiro 06, 2007

Para satisfazer os meus leitores masculinos (antes que eles bazem...)


Ok. pronto, eu cedo.
Deixo aos Homens o espacinho de entertenimento, mas não me peçam para escarrapachar aqui tudo, vão lá ver!
Se tiverem outros gostos basta pedir... o que é que uma mulher não consegue?!!!
(Não pedi autorização ao dono, espero não ir presa... além de que é por boa causa. Explorem...)

Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

Parabéns Maria Árvore



Ela é bonita, exigente, irreverente, ousada, aventureira, perversa, felina, atenta, apimentada, curiosa, cuidadosa, venturosa, calorosa, musicóloga, imaginativa, inspiradora, organizada, apreciada… com muito sentido de humor e um elevado sentido estético. E junta a tudo isto uma escrita com muito nível, puxada do coração, aprumada na forma e envolvente no conteúdo. Não exagero, garanto!
Gosto de a visitar e sou uma das muitas visitas que lhe descobriu a porta sempre aberta, onde ninguém fica sem resposta.

Também gosto de lá ir por outras razões, claro, que ela não se poupa nas gravuras mais esculturais, havendo para todos os gostos...

Experimentem, se não conhecem, e verão que ficam reféns! Porque "nada vem do nada"...

Aqui lhe rendo homenagem pelo terceiro aniversário da casa.
E deixo um mimo, claro!, com muito prazer!!!

Quando eu era pequenina e pensava em ser grande...

A Marta mandou-me fazer um TPC.
Eu disse-lhe que não ia sair boa coisa, mas ela insistiu...
Ora aqui vai o exercício:

Quando eu era pequenina gostava de vir a ser cantora de festivais da eurovisão, assim bonitona e de cabelo entufado, a aparecer para toda a gente e a receber flores. E então punha-me em cima do muro do quintal, improvisava o microfone e lá vai disto: “sei quem ele é… trá-lá-lá-lá-lá-lá-rá-lá-lá-lá-lá-rá...".



Um dia convenceram-me a ir vestida de anjinha numa procissão do senhor dos passos. Era assim o mais aproximado que havia para dar nas vistas. Um vestido até aos pés e umas asas penduradas às costas eram acessórios suficientes para uma tarde de glória. Mas… livra, aquilo era lindo, só que ter de palmilhar a vila toda com um objecto votivo nas mãos, exposto num pano de cetim, era cá uma responsabilidade… e depois tinha de me esforçar mesmo para ir para o céu porque o senhor prior a quem me obrigaram a confessar os meus pecados antes da procissão fora bem duro: primeiro perguntou-me se eu tinha pecados a confessar; perante o meu silêncio disse umas coisas que eu não compreendi na altura e perguntou ostensivamente se eu já tinha feito malandrices com rapazes. Ora eu sabia lá o que eram rapazes? Só sabia que havia um que também estava à espera para se confessar e tinha reparado que ele era feio como uma noite de trovoada, desengonçado e com óculos de fundo de garrafa… tirando esse só conhecia o meu irmãozito de meses, que tinha pilinha, mas que, apesar disso, parecia ser normal.Fiquei, contudo, curiosa com a conversa do padre, que me ameaçou com uma coisa chamada penitência se eu tivesse maus pensamentos, que me valeriam uma ida para o inferno. Creio até que me mandou rezar umas avé-marias e uns pais-nossos, coisa fácil, aquilo estava tão bem decorado, até era eu que continuava a lengalenga da salve-rainha quando a D. Brites, a catequista, se deixava dormir! Foi por isso que ela me deu uma medalhinha de lata, baça, que fez as minhas delícias. Era uma santa, porque se fosse um santo, não sei que futuro teria sido o meu!Depois um dia tive um namorado que me levou para a sede dos escuteiros, que era nas traseiras da Igreja, e começou a lambuzar-me toda naquela casa sagrada e eu a arredar- me daquele Satanás que me estava a puxar para o Inferno.






Ó Marta, já viste o que fizeste, agora aqui estou eu a puxar pela memória e a lembrar os meus pecados todos!
Será que é daí que me vem esta incompreensão pelos homens?
Boa!!!
É capaz de ser, mesmo!
Já tenho assunto para a próxima sessão com o meu psicanalista (um homem, para variar… ai quem me dera compreendê-lo… é cá um pão!)

E ainda por cima, agora tenho de mandar o TPC a mais pessoas: então uma vai ser um amigo meu que não compreende as mulheres; outra amiga minha que compreende toda a gente mas niguém a compreende a ela; e o outro pode ser um gajo que aparece aqui a mandar umas bocas e que agora vai ao castigo.

Vou lá dizer-lhes e seja o que deus quiser!

Quinta-feira, Dezembro 28, 2006

Romance em Si maior

imagem daqui


Primeiro perguntou-me se preferia a flauta doce ou a travessa. Por mim gostaria de começar pela doce mas não deixaria de querer conhecer a outra. Então ele veio, munido das duas e deslumbrou-me com a magia da música que parecia contar-me histórias de ninfas e de pastores. Tocava em graves suaves, cheios; em registos médios, brilhantes, melodiosos; e prometia agudos penetrantes, claros e precisos.
O meu lirismo passa imediatamente de presto a prestíssimo, quando um homem pega no seu instrumento e executa melodias que tiram a respiração a qualquer mortal. Porém, nunca me tinha passado pela cabeça que um flautista pudesse ser interessante fora do palco. Não é por nada mas acho-lhes sempre algo de , provavelmente pela associação lexical do deus com os outros. Não era o caso.

Chamei-lhe encantador de serpentes, num murmúrio dito ao ouvido, o que o deixou ainda mais brilhante na execução.
À medida que as ondas sonoras se propagavam pela sala, passavam do ouvido à alma e da alma ao corpo, que vibrava, qual metrónomo, com o andamento moderado de tão magnífica flauta.
Entusiasmada com tamanha harmonia era já eu que comandava os andamentos pedindo, nos meus gestos insaciáveis, o ostinato rítmico, acompanhando o cânone em oitava de modo a tirar partido dos meus agudos. Nessas alturas ele acelerava e quando já ia em 60 semínimas por minuto tive de pegar na batuta com as duas mãos e reduzir-me ao pianíssimo, ou a música terminava logo ali.

A flauta é ágil e costuma ser o instrumento usado em passagens rápidas e salteadas – ele tinha-me avisado – mas eu tinha replicado dizendo-lhe que um flautista precisa de saber ter controlo sobre a natureza do seu instrumento, sob pena da peça perder qualidade.
Deliciei-me, pois, um pouco mais, em verdadeiro adágio, atenta à maneira como ele rangia o frulatto ou como usava os dedos tapando e destapando os orifícios para modificar o comprimento da coluna de ar e obter, assim, sons múltiplos, soprados em registos andantes. Usava a embocadura a rigor, no ângulo certo, acrescentando virtuosismo ao desempenho.
Depois, sim, foi a altura ideal para o vivace, fortíssimo, num vibrato extremo como eu não supunha que algum flautista fosse capaz.

Romance digno de registo, este.

Terça-feira, Dezembro 26, 2006

Coisas que só se comem em certas alturas

Eu sabia que me estaria reservada uma surpresa para o dia de natal.
Foi como num destes finais de ano em que me prometeram um anjo para o dia seguinte e eu não acreditei: pois ele veio, sim senhor e logo me foi encontrar desgrenhada, ainda em pijama e com as ruguinhas todas acentuadas pela noite de insónia. E veio carregado de tâmaras e passas de uvas. É claro que eu já estava bem enjoada dos excessos da véspera, mas o desígnio cumpriu-se. Vinha tudo um pouco amassado da viagem mas não teve importância, foi o suficiente para ter a certeza de que sou uma mulher com dias de sorte. Pena serem poucos, mas bem pensado, aquilo do outro dia sobre uma queca e um aquecer de pés… a conclusão não foi lá muito vantajosa para o aquecimento global; talvez uma aquecidazinha de vez em quando seja quanto baste para ser bom, porque há uma diferença entre o “até logo” e o “anda cá”. Um “anda cá” parece-se com uma corda e uma mulher não pode ceder a prisões, sob pena de não ter mais nada quente até ao fim da vida senão os pés.
Foi boa a surpresa. Não me lembro de ter vivido antes um momento assim (mas a gente nunca se lembra; quando corre bem esquece-se tudo o que está para trás). É certo que no dia 22 de Dezembro as coisas não correram mal para o meu lado, mas foi aquela cena da obrigação de contribuir para a paz, quase como quando nos metem na mão um saco, à entrada do supermercado, para contribuirmos para o banco alimentar. A gente dar, dá; e até gosta de ajudar os mais necessitados, mas há dias em que quem necessita somos nós!
Pois foi isso, foi assim uma cena entre o “até logo” e o “anda cá”, uma coisa que satisfez a necessidade de ajuda alimentar mas sem ser aquele arroz carolino do costume ou a massinha de pevide ou a sardinhazita em conserva.
Como é que eu posso explicar? Assim uma coisa situada entre um tronco de natal bem trabalhado e um “mon chéri”, que tem de se meter todo na boca para não ficar a escorrer pelos lábios. Coisas que só se comem em certas alturas.
Depois fiquei na paz dos anjos e, ao acordar, percebi que ele deixara na mesinha de cabeceira um pequeno livro com o retrato de Afrodite na capa.

Sexta-feira, Dezembro 22, 2006

22 de Dezembro - dia do Orgasmo Mundial pela PAZ



Quem é que podia esquecer a data?


A selecção foi difícil mas foi um prazer ...
Obrigada a todos os que se candidataram. É claro que os eliminados não eram desperdício nenhum mas eu tinha estabelecido as minhas regras.

Não posso perder mais tempo... vamos à PAZ!!!!!!!!!!

Quinta-feira, Dezembro 21, 2006

Eu nas prateleiras de um hiper-mercado… uma questão para reflectir …



Veio ter comigo e disse-me assim de uma assentada:
- Tu contas-me tudo e eu escrevo o livro.
- Conto? Mas conto o quê?
- Tudo, sei lá!, tudo aquilo que sabes dos gajos, tudo o que quiseres dizer sobre os tamanhos, as medidas, os desempenhos, as fantasias… sei lá!
Usava aquele sei lá de uma maneira irritante.
- No meio de tantas aventuras há-de haver por aí um famoso qualquer, não me digas que não!
Que raio de conversa. Eu já sabia que não lhe podia dar confiança, mas era bem boa aquela energia toda, nos dias mais frios.
- Mas nem é por isso; basta a situação em si: já viste a capa preta assim com as letras vermelho-fogo “Não compreendo os Homens!” Púnhamos a boazona da vassourinha em lugar de destaque e …
Logo, logo não percebi onde é que o Romi queria chegar. Mas ele não se calava. Já há uns tempos que andava bem lixada por lhe ter dado bola. O rapaz era competente, não digo que não. Mas era complicado aguentar-lhe o ritmo da conversa, sempre a queixar-se que fez o curso de Ciências da Comunicação para ficar no desemprego e que o sistema estava a esmagar-lhe as capacidades e que só não criava um jornal porque lhe faltavam outsiders da sua cepa e que no Brasil é que se safava bem…
- Vais ver que rende. Nesta época vende-se tudo. Se me contares coisas escaldantes e eu apimentar um pouco as cenas... estamos governados até à próxima quadra. Tudo a meias, claro! E ainda tenho a vantagem desse teu humor me dar cá uma ponta!

Fiquei a pensar no assunto. Palavra que fiquei.
Bem sei que os blogues são lugares de desabafos e é só por isso que este textozinho não destoa dos demais. É que o Romi tem razão! Mas por que é que há-de ser a meias? Eu, Fausta Paixão, sou mulher para isso e para muito mais!
Deixo passar a quadra (pode ser que o Pai Natal me compense, caramba, tenho andado tão certinha nos últimos tempos!) e depois… mãos à obra!

Domingo, Dezembro 17, 2006

Eu, Fausta Paixão


Estive quase a sucumbir, amigos, mas mulher que é mulher não se deixa gelar assim por coisa tão pouca como a falta do Natalino ou de quem o substitua. É certo que aconchegar os pés não é o mesmo que dar uma queca; dar uma queca é coisa de grande amplitude térmica, começando-se normalmente pela parte mais quente mas chegando-se rapidamente ao grau zero. Gelo outra vez, lá está!!!
Noites demoradas, com uma pitada de romance à mistura e… quem sabe, um grãozinho de promessa a mexer na alma… isso sim, já vale a pena porque o calor não se perde naquela parte da cena em que se apanham os trapos caídos pelo chão. A gente puxa o cobertor para junto do queixo e encaixa-se no outro, com todo o tempo do mundo e com vontade de só acordar no dia seguinte e … bem, já estou a divagar e a desejar coisas impossíveis quando toda a gente sabe que recorrendo à velha botija também se fica aconchegado; com a vantagem de não se ouvir o outro a ressonar.
Onde é que eu quero chegar? É muito simples de perceber – é tudo uma questão de vantagens: ter os pés aquecidos é meio caminho andado para um dia termos de levar à editora as folhas escritas de um livro natalício a denunciar o cheiro a chulé, os pneus decadentes, a dentadura postiça, a psoríase nos cotovelos e, pior ainda, ao fundo das costas, coisa horrível, parecendo-se o homem com uma saca de farelo já rota. Ah!, e os comprimidos azuis na mesinha de cabeceira e o hábito de coçar os tomates com a mão que não segura o comando, quando se distai a ver televisão.
Ter os pés quentinhos é ceder depois, também, a “são só mais três folhas, querida, até acabar este capítulo” e duas horas depois vê-lo fechar o livro com um sorriso sacana a dizer entre-dentes “tenho de comprar este para o Aires e resolvo assim dois problemas: o da prenda de Natal e o do cachecol do dragão que ele exibe à segunda-feira quando chega ao gabinete".
O outro tinha razão: aqui em Portugal o que vende bem não são os escândalos sexuais, mas sim os da corrupção. Sobretudo em época natalícia, que ao menos para isso temos dois olhinhos.
E… sabem que mais? Já não me falta muito para compreender os homens: “ a corrupção e não o sexo foi sempre o maior entusiasmo português” (1).

Sucessos, eu? Como, se a única coisa que os põe de pé é o futebol!
(1) Vasco Pulido Valente, Público, 15 Dez. 2006

Sexta-feira, Dezembro 15, 2006

Só encontrei gelo



Arrefeci um pouco no gelo do Norte. Não trouxe o Natalino.
Também não encontrei o Pai Natal. Não sei se estava fechado em casa, farto de mulherio ou se por ali as pessoas desaparecem, como duendes na floresta.
Aqui no Sul a gente tem sempre mais calor. Deve ser por isso que gostamos de andar na rua e falar muito. Bem... também gostamos de estar em casa, de preferência no aconchego de uns pézinhos quentes. Se para alguma coisa os homens servem é para esse pequena falha que nos acontece no Inverno.
Os homens do Norte são calados, sentam-se quietos, de mãos no colo e olhos de carneirinho. Não sei como são na cama, não cheguei a vias de facto, mas aquilo não me pareceu chão que desse uvas. O vinho, aliás era sempre do Sul.
Estou melancólica? parece que sim. Deve ser o efeito do mês de Dezembro, que é um mês que todos detestam, embora finjam que não e continuem a pendurar as bolas nas árvores de natal.
Não há pendurezas que resistam a tanta repetição, anos e anos seguidos!

Viram a fotografia? Pois é isso mesmo!
Por agora nada mais do que gelo e árvores despidas.

Terça-feira, Dezembro 05, 2006

Em memória do Natalino, que eu hei-de trazer de volta...



Uma mulher não passa sem a sua dose de ternura.
Por mais que digam que as coisas do corpo são assim a puxar para o mecânico e que depois de oleada a engrenagem tudo funciona com menos chiadeira, quem me tira as doces memórias tira-me tudo.
Bem… tudo, tudo, não!, porque de memórias não se vive propriamente com a qualidade desejada, mas esse é outro assunto; e não é agora que vou estragar o espírito natalício - que este mês já começou a anunciar-se - trazendo exigências à conversa. Para isso já bastam os comentários bem mordazes dos homens que passam por aqui.
Só que hoje deu-me para a nostalgia e lembrei-me do Natalino.
Ah! Não venham para aqui dizer que sou mulher insatisfeita. Nem tudo me correu mal na vida!
É por isso que em dias como o de hoje, com a chuva a fustigar-me as vidraças (ui, que mimo de frase!) e as memórias a darem-me cabo do canastro, veio-me à memória o Natalino, que partiu dizendo que o amor é bom mas tem o seu tempo, como todas as coisas.
Ora, não sendo eu mulher de ficar quieta à espera que os Pais Natais caiam dos céus, resolvi que eu também vou partir. Vou rumo ao frio do Norte. Não é que eu goste muito dos efeitos do frio sobre a pele dos interiores, mas se o encontrar… juro que o trago para junto da minha lareira, mostro-lhe a imagem da árvore de Natal maior da Europa para o estimular à competição e hei-de mantê-lo quentinho até à conso(l)ada.

Sábado, Dezembro 02, 2006

e nem à lupa!!!

Eu esquadrinhei os lugares certos, passei a mão por tudo o que era simulacro de volume, olhei de frente, de lado e de trás... e, não confiando no tacto, recorri aos outros sentidos: cheirei, fechei os olhos para ouvir a ressonância dos interiores, abri os olhos para me enfeitiçar de novo na profundidade dos dele... faróis que iluminavam a noite e eu perdida na luz divina da perfeição.
E só eu sei o que me tentam uns olhos assim sedosos, a chamar a chama, a laborar em labirinto louco, aprofundando o desejo na doçura da expectativa.
E poderia continuar a descrição, narrando também a demora, porque me apetecia fazer render aquele tempo preliminar...
... mas estava incomodada com a letargia, com tanta paz colada às mãos, com a imobilidade dos músculos em rosa vergado, belos... mas frios como todo o mármore.
Puxei da lupa.
Que diabo! Os que cheiram a cavalo suado afugentam-me; os apolíneos puxam por mim, mas por mais que eu aposte na reciprocidade... nem à lupa, deus meu... nem à lupa!!!
A falta dele é desesperante.
Mandei-o embora. Nem lhe quis saber o nome.
Ficou, definitivamente, anónimo!

Sexta-feira, Dezembro 01, 2006

Sirvam-se... cada um come do que mais gosta...



Enquanto vamos esperando... temos de ir ingerindo umas calorias.

Hoje é por minha conta!

Se quiserem mais é aqui...

Domingo, Novembro 26, 2006

ANÚNCIO MUITO URGENTE

22 de Dezembro

Dia 22 de Dezembro é o dia escolhido pela Organização Global Orgasm para um grande desafio: um Orgasmo Global Sincronizado pela Paz.
Dada a dimensão da causa, este orgasmo tem regras e exige (mais do que todosos outros) sintonia e entrega total, não só com o parceiro escolhido mas com o mundo em geral.



...é já a 22 de Dezembro?

... tenho de agir com muita eficácia.
Afinal este mês é trágico, com a lista de prendas para comprar, as filas nos shoppings e a decoração da casa para fazer. O que vale é que estou a dieta para ver se me posso esticar depois, nas festas. Pelo menos não tenho que cozinhar, basta-me ir ali à charcutaria e trazer uns rissóizinhos e umas empadas. A dona é muito gentil, faz tudo com ingredientes light...

Então é assim:



URGENTE

Procura-se homem que queira contribuir para a paz no mundo



Aguardo as respostas e os contactos. Marcaremos os testes de selecção com toda a urgência necessária.
Afinal está em causa a PAZ no MUNDO.
Querem melhor causa do que esta?
Acham que vale a pena correr riscos? É que a guerra ronda-nos; se não fizermos nada como vão ficar as nossas consciências para o resto da vida?

P.S. Será que vai dar tempo de fazer os testes aos candidatos até à data proposta?


Quarta-feira, Novembro 22, 2006

Arquitectos e Projectos...


Ufa!
‘tava a ver que o gajo não descolava…
Nem vos digo… tenho os ouvidos cheios de projectos estruturantes, de módulos planimétricos, (os altimétricos guardou-os ele não sei onde, que nada vi que se elevasse em altura suficiente para uma experiência estética de fruição…).
Ainda me soa o conselho que aqui me deixaram os meus visitantes… especialmente aquele que dava uma certa definição de arquitecto...
De facto não posso dizer que o Frank fosse o protótipo do homem pragmático, lá isso é verdade; mas a mim atraem-me os artistas, que querem?!
De qualquer forma também não era inteiramente vidrado na harmonia das texturas e nessas coisas de decoração de interiores: nunca o vi enrolar-se em sedas nem em tules, não!, nada disso. Nem as formas lhe chamavam muito a atenção, o que bastante me desgostou porque eu bem tentei vários esquissos, na esperança que ele soubesse converter a coisa em planos de pormenor mas ele insistia na mais-valia dos encaixes, ou seja, andou a evitar as cavilhas (nem um pregozinho, digo-vos), porque, segundo dizia, as novas correntes artísticas dispensam o ferro nas ligações… é tudo na base do aglomerado e do contraplacado.
Quer dizer, lá me fazia um esboço de vez em quando… e deslumbrava-me mesmo; de outra forma não teria aguentado estes dias todos! Até porque me deu algum jeito aquela visão ecológica que ele apregoava: defensor da sustentabilidade e da reutilização, projectou o encaminhamento das águas da chuva para o autoclismo; depois argumentou que o quarto poderia ser requalificado, ideia que a minha mente esperançosa aproveitou logo: o que eu queria mesmo era rentabilizar o investimento pelo que lhe sugeri a tríade vitruviana como modelo.
Não sei se estão a ver! A coisa era simples e até podia envolver um ménage mais completo, mas o estúpido parecia só entender o que muito bem lhe convinha, como se veio a confirmar. Eu a querer ali a imagem masculina a multiplicar-se e a reflectir-se no espelho do quarto e ele a meter o Pitágoras ao barulho com a divindade dos números.
Confesso-vos já ando farta dos gregos: as maiores divindades nem sequer pêlos no peito tinham… onde é que já se viu um gajo de lira na mão a chamar as deusas? Ai Apolo… tens pinta de arquitecto, lá isso tens!
Conclusão: aquilo da venustas estava mais que provado: beleza não lhe faltava, era assim de uma mulher ficar enfeitiçada! Agora a utilitas propriamente dita, essa tinha de partir da firmitas e aí é que tudo se complicava porque ele rejeitava a nobreza dos materiais clássicos por falta de plasticidade. Ora o PVC é coisa de fazer vista mas falta-lhe aquele toque fino, falta-lhe proporção, volume…e a textura é de um desconforto arrepiante à vista. Quer dizer, em último caso, não havendo mais nada, serve. Mas eu tinha ali um homem dos mais belos que já conheci, cheio de técnicas que afirmava serem sustentáveis, com formação académica nas formas, nos ritmos, nos desfechos harmoniosos…
Será que era tudo influência daquilo que é o mais comum na nossa arquitectura que é a ostentação das fachadas? É que a correspondência entre o exterior e o interior… eu não dei por ela!!!
Para quem dizia que a arquitectura é música petrificada…
Música, sim! Musiquinha da mais minimalista, que nem uma flauta, nem o toque de uma harpa dedilhada com mestria…
Funcionaste tu?
Pois ele também não!!!
Na verdade tudo se ficou pelos projectos.
Obra feita – zero!
Se calhar qualquer Vasco Nabo especializado em materiais mais toscos e nos "há-des ver" orgulhosos e persistentes, era capaz de conseguir chegar mais alto, mesmo sem trazer os andaimes.

Sábado, Novembro 18, 2006

Prenda de aniversário



Bem sei que a curiosidade aumenta.
No entanto, enquanto ando às voltas com a avaliação do rapaz , o tal da arquitectura (e ainda só vou na avaliação formativa...), venho aqui deixar um mimo à maria_arvore, que tem umas coisinhas de comum comigo, incluindo a partilha do signo do horóscopo que é uma coisa de grande importância na vida... ou acham que é por acaso que partilhamos esta vertente perversa???
Daqui a dias virei dar conta da avaliação sumativa, com o respectivo registo da classificação final.
É que isto de avaliar tem os seus requisitos e as pedagogias não podem ser ultrapassadas ou corremos o risco de nos considerarem más profissionais.
Bem... não posso esticar-me muito porque as interpretações são como as cerejas e depois ainda vem por aí insinuar que este meu mimo é coisa de pouca monta.
Maria, faz dele o que te aprouver. Foi com todo o gosto que o tirei da prateleira para te tornar mais agradável o dia a seguir ao teu aniversário, mas que o atraso não te iniba...

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

As manias da Fausta em dia NÃO.

... 'tou fartinha destas coisas do pessoal andar a bater à porta para a gente revelar coisas da nossa intimidade. Já me chegavam os gajos da markteste com telefonemas dia-sim-dia-não, para aquilo das sondagens...
Há uns tempos decidi adiar o pedido dele. Mas agora foi também ela...

Então lá vai o relato completo das minhas manias.
Mas vejam como fiquei verde com o esforço...



Tenho a mania de acreditar que as pessoas que me visitam pensam que eu sou brincalhona e não levam a sério as minhas queixas mas juro-vos aqui, do fundo do meu coração, que tudo o que aqui lêem é a pura das verdades e que eu seja ceguinha destes dois se for ao contrário.

Tenho a mania de dar conversa a todos os homens com quem me cruzo pelas esquinas da vida à espera de encontrar num deles o príncipe encantado que me fará feliz, mas estou a ver que tenho de seguir os ensinamentos daquelas histórias antigas e começar a coleccionar sapos a ver quando é que algum me pede para quebrar o feitiço, transformando-se ali mesmo num jeitoso completo e de preferência servil.

Tenho a mania de pensar que tudo o que vem à rede é peixe mas depois levo barrete sobre barrete porque andam por aí umas peixas disfarçadas, montadas em redes de malha duvidosa que talvez não sejam peixas mas polvas a estenderem os tentáculos cá para o meu lado mas eu de tentáculos gosto apenas dos que trazem um gajo musculado agarrado, de preferência com voz grossa e pêlos no peito.

Tenho a mania de não ficar muito tempo presa a questões complicadas e se sinto que o meu coração anda doente por causa de desgostos de amor ou de outro tipo ainda mais inútil, como intrigas de mulherio e coisitas assim mesquinhas, pinto o cabelo de louro muito claro por uns dias e é remédio santo – varre-se-me a memória por completo.

Tenho também a mania de achar que ter manias é coisa para gente muito chata e como não tenho pachorra para tais enganos vou acabar a conversa por aqui e vou ver se o gajo que trago sob vigilância (confesso que comecei pelo arquitecto) tem algum projecto para esta noite ou se precisa que eu lhe explique o que é um plano de pormenor. Se vier com conversas de insustentabilidade ou com estilos minimalistas mando-o especializar-se em arquitectura sanitária, que é o que neste momento vende melhor!

Quinta-feira, Novembro 09, 2006

Com um coração destes como é que uma mulher pode ter calma?


Não, ainda não desapareci.
Ando a ver se controlo este coração para não vir para aqui em ardores suspeitos.
Arrefecendo um pouco mais já poderei contar-vos a história. Ou as histórias... porque uma aconselhou-me um jornalista e a outra disse que um arquitecto é que podia ser a minha salvação.
O que é que acham que fiz? Tratei logo do assunto, que o hi5 tem de servir para alguma coisa de útil. Depois das provas dir-vos-ei qual foi a opção.

P.S. ... e mais um pombo que anda por aí a arrulhar...
logo eu que adoro que me arrastem a asa!

Sexta-feira, Outubro 27, 2006

In fraudem legis


Primeiro quis vendar-me os olhos. E eu, no uso da capacidade de gozo dos meus direitos, achei que o patrocínio das partes, que ele tanto apregoava, tinha todas as possibilidades para dar origem a uma ratificação no mínimo à altura do órgão competente. Era tudo uma questão de pró rata.
A definição das coordenadas fundamentais da posição de cada um deixava-me a braços com os fundamentos do direito. Tinha-se constituído, pois, a situação ideal para verificar a constitucionalidade da matéria formal, adiada vezes sem conta por falta de comparência da minha parte.
Incisivo – dizia ele – podes crer!, nunca menos do que isso!
Para mim incisivo era assim tipo curto e grosso; mas… in dubio pró réu, pois os meus preconceitos são facilmente contornáveis quando se trata da análise detalhada do corpus. Parto sempre daí, como manda a metodologia de qualquer recherche.
Mas eu conto: a insistência aguçou-me a curiosidade, embora o nosso conhecimento tivesse ocorrido numa situação chata: foi na altura do meu primeiro divórcio e ele teve aquela atitude paternalista do homem que, viciado na tutela dos mais fracos, achou que devia bater-se pelo habeas corpus, dando um murro na secretária quando lhe disse que a outra parte ansiava pelo contencioso.
Desde então ficou sempre pendente entre nós uma promessa de deveres recíprocos, mas ele tinha-se queixado de uma disfunção intestinal e eu, na altura a braços com merda suficiente para me atolar, ad cautelam, não dei azo ao trato proposto, até porque me fartei daquela conversa do direito potestativo. Não sou de ficar à espera que os braços de um homem me protejam das agruras da vida. Coitados, nem o direito patrimonial lhes confere a autonomia que uma mulher traz à nascença, quanto mais uns braços deontologicamente estatuídos.
Mas a minha curiosidade mata-me. Aquilo da concepção contratualista da sociedade fez eco durante uns tempos, até porque não sendo eu mulher de coacções, quando me ponho sobre a matéria não descanso enquanto não vou até ao fundo.
Aceitei, pois, ficar de olhos vendados. Mal sabia ele que estava a alimentar um dos meus fetiches. Oh deuses… até me senti desfalecer ante a perspectiva da aplicação do direito, assim em animus jocandi. O que depois me meteu raiva for a pega que ele me pôs na mão, associada a um tilintar de ferros. Sujeitei-me à contra ordenação e, ex abrupto, tirei a venda, não fosse o doutor estar à espera de uma violentação com base na matraca.
Uma balança? Para que queria ele que eu segurasse a balança? Teria dúvidas sobre o peso da sua matéria orgânica? Seria alguma regra de conduta sancionada e promulgada pela Ordem? Um modus operandi que eu desconhecia? É que há gente que, de tão normativa, consegue perder o sentido do gozo dos seus direitos! Que natureza social seria a daquele indivíduo, ali de joelhos no chão, a pedir-me sigilo ainda antes de iniciar a sessão.
Meto-me em cada uma!
De olhos esbugalhados encarei a caducidade da coisa como uma afronta e, sem apelo nem agravo, disse-lhe que não havia acórdão que resistisse a tamanha humilhação. A dele, porque para mim foi apenas mais um fracasso para a minha colecção...
E saiu-me, assim de rompante, ipsis verbis, esta chave de ouro: “olhe, querido, ponha a sua capacidade jurídica num dos pratos da balança que eu ponho a minha capacidade de gozo no outro. Vai ver qual de nós terá de ir à procura de um órgão mais competente!”

Domingo, Outubro 22, 2006

Fados e montarias

“… morreeer a cantar o faa-ado, nos braaaços de uma mulhee-er.”

Imaginem isto cantado com uma voz potente, acompanhada pelo trinar de uma guitarra portuguesa. Depois imaginem o dono da voz, de lenço às cornucópias bem ataviado por dentro dos colarinhos imaculados, copo na mão, calcanhares em riste nos agudos, arrancados aos solavancos da tristeza, da traição, da saudade e da desgraça.
E a seguir palmas. Os botões do casaco é que quase fugiam, num esforço um nadinha sebento para aguentar o inchaço do peito, na altura da ovação.
Quando as luzes aumentavam de intensidade dava-se conta da névoa de fumo de tabaco. Cheirava a morcela assada e o bacalhau à lagareiro deixou no prato um rasto de enjoo regado a azeite, aliviado apenas pela languidez do olhar fadista. “Mais um jarro, que o tinto engrossa a voz!”
Não se pode dizer que houvesse grossura nos gestos, mas finura é que nunca; ele era lá desses! Naturezas invertidas só a do criado de mesa, arrastando as sílabas finais com uma mão em riste, virada do avesso. Exemplar magriço que a trenga da mesa ao lado atabafava com o busto a descoberto, numa provocação meio despida que ela sabia não colher. São malévolas as mulheres inchadas pelo excesso daquelas drogas do bem-estar fingido. Mas não era para o busto dela que o fadista olhava... Lancei-lhe eu o feitiço ou foi a nostalgia do palavreado que nos atraiu?
Abri-lhe os braços, depois do sorriso e do esbugalhar de olhos que o deixou babado. Quer dizer, não abri propriamente os braços mas prometi-lhos e ele, habituado a estas lides, não se fez rogado na resposta.
Acendi um cigarro e levantei-me. Olhei-o de frente quando o contornei, como se estivesse a desafiar o touro para uma pega de caras. Fingi que ia sair.
Quando voltei tinha-o à perna. Piscou-me o olho. A noite estava ganha.
Ainda faltava um fadista no meu currículo; a ocasião não era para esperas. Dali até a casa seria uma eternidade e ele estava com pressa de pôr a viola no saco.
A noite fora cansativa mas homem que é homem conserva o vigor pela madrugada dentro e nem o mais pintado sabe assim as manhas do encanto imediato; o fado existe!
Porém, não obstante o carro ser espaçoso … o das cornucópias cor de mel sobre o azul do atavio queria-me, primeiro, a relinchar. Só depois é que ele conseguia iniciar a performance.
E eu, que até gosto de práticas equestres, sentindo-me ali mesmo muito defraudada, rumei ao picadeiro mais próximo e larguei-o junto à box da Giovanna, a égua mais bravia da colecção de raridades do Conde da Malveira.



Domingo, Outubro 15, 2006

... a pão e água!!!

A gente olha para um gajo e pensa: que pão! Ui, com a fominha que tenho…
Depois passa-nos assim uma coisa pela vista e pronto, lá vêm os males todos em catadupa: o pão tem glúten e às vezes bastam os hidratos de carbono em excesso para começar a desgraça; o leite tem caseína – dizem que mamar é coisa só mesmo para os bezerros; os doces têm açúcar, mas mesmo com edulcorante parece que não resulta porque aquilo que é alternativo faz ainda pior do que quando é ao natural; a carne é louca, o peixe tem mercúrio, os legumes crus têm resíduos agrotóxicos, o churrasco têm benzopirenos, o ovo tem colesterol, a salsicha tem gordura, a fibra enche o intestino, as coberturas são artificiais, a cafeína cria dependência, os aditivos são cancerígenos, os intensificadores de sabor provocam mal estar e palpitações, os conservantes provocam reacções alérgicas, um cachorro quente vem com aquele excesso de ketchup, para não falar nas gorduras saturadas de uma fatia especial de bacon, a meio de uma espetada mista.
Raios!
Nem uma fatiazinha de pão magro?
Qualquer dia estamos assépticas, ingerimos coisas inócuas como iogurtes magros e saladas de alface sem tomates, passamos a vida a fazer caminhadas para perder quilos, a olhar para eles, musculados que nem cavalos, esticadinhos nas flexões, agarrados àqueles troncos provocatórios dos mini-circuitos de manutenção dos parques das cidades. E litros de água... que é para andarmos sempre a fazer aquela triste figura do "desculpas-me uns minutos... é que tenho de ir à casinha!"
É que nem uma bejeca atoladinha de espuma a deixar marcas nos lábios!
E nem a porra de um cigarrito na boca, para não corrermos o risco de exibir em público um objectozinho fálico que dantes era apanágio masculino e que as mulheres tão bem souberam transformar em glamour, quando cruzam a perna e … olham para o pão sem lhe poderem tocar antes de lhe conhecerem o conteúdo nutricional…
Puta de vida!

Domingo, Outubro 08, 2006

reflectindo sobre a "cornada"...

Pediu-me para lhe fazer o curativo.
Eu? A tratar de um gajo ali, em posição de louva-a-deus, de joelhos flectidos, com o sangue a correr-lhe pelas nádegas?
Viram bem a dimensão da cornada? Ali mesmo no centro do traseiro, com a ponta a enfiar-se, aguçada, pelos esfíncteres, meu deus, só de pensar na dor até me dá náuseas.
Mandei-o logo para as urgências mais próximas, tanto me dá que sejam ali na esquina como a oitenta quilómetros, o problema é dele!
Será que aos homens faz falta a activação da adrenalina em ousadas e exibicionistas performances, só para colherem aplausos? Com cornos a espetarem-se nos esfíncteres?
Por que razão não se empenham verdadeiramente numa exibição mais íntima, mais aconchegada, com mostras de virilidade entrelaçadas com ternura e carinho?!
Podia ser apenas um momento, não interessa que as representações sejam eternas, mas um momento de entrega, de verdadeira entrega vale seguramente mais do que quinze minutos de fama com o desenlace na ponta de um corno!

Bem… já estou a lamechar e isso não faz parte da minha natureza faustosa.
Mas como compreender os homens, se eles nos fogem do abraço?

Só pode ser medo.
Um abraço feminino deve ser mais doloroso que a cornada de um touro em pontas.
Nunca vou conseguir compreender os homens!

Quinta-feira, Outubro 05, 2006

El toro


Nem sequer foi por uma questão de língua. Entendemo-nos perfeitamente e a dele era bastante acessível.
Também não me parece que as estocadas tivessem sido desperdiçadas; diziam que ele empregava quanta força tinha e o ferro nem dobrava, ia direitinho ao alvo à espera dos aplausos. Até me babei com a descrição.
Fui em corrida quando soube que ele bandarilhava pelos dois lados, como manda a tradição, após o duro castigo das varas. Gosto de castigos à antiga portuguesa, daqueles que nos fazem garbosas depois de apreciarmos o instinto e a força de alguém que vibra quando irrompe naquele espaço redondo.
E foi assim que entrei nesta lide.
Vi-o, pois, ajustar a taleguilla e colocar-se em posição, perfilando-se para a luta. Dizia que aquele trabalho exigia uma entrega total e que antes, dado o perigo iminente, tinha de dedicar uma oração à Virgem. Nessa parte da conversa tive uma vontadinha de rir que nem imaginam, mas contive-me, não fosse o “Chico” pensar que eu era descrente.
Falou em capote, o que me deixou bastante tranquila. Normalmente ninguém liga muito a esse pequeno acessório, mas gostei que ele tivesse demonstrado a sua nobreza com essa sugestão.
E lá estava ele, baloiçando o corpo num vai vem constante, de mãos nas ilhargas.
Depois destes preliminares benzeu-se e atirou o corpo todo de uma vez, exibindo a arte de fazer frente à fera, dizia ele. E eu a aguçar as garras...
... enquanto ele se ficava assim… dizendo umas coisas estranhas:
“Con siete años me enfrenté a un becerro y a los nueve debuté en público. Y ya me di cuenta de que me gustaba realmente”.
- Valha-me a santíssima Macarena! - pensei eu - que coisa é esta que me saíu na rifa. Bezerros? Aos sete anos?
Depois perguntou-me se eu gostava de actuações com muleta.
Então ... depois da promessa do tércio de varas e bandarilhas ... vem-me falar de muletas?
Entrei eu nesta lide para ficar apeada?
Bravura, meu caro! Só se for na ponta dos cornos!

Terça-feira, Setembro 26, 2006

Não sou mulher para adiar decisões

Ele tem um não sei quê... um pormenor, uma graça inata... qualquer coisa que me atrai à distância.

Está decidido: vou a Espanha.

Hasta la vista...

Sábado, Setembro 16, 2006

Para louca basto eu!


Amor é pretexto para juntar trapinhos e mudar de casa, tornando-se depois oportunidade para certas pessoas ganharem uns trocos a troco de umas cartas na mesa, quando a gente procura saber quem é a gaja que anda a desafiar o nosso homem e o cartomante dá umas pistas de “ora aí está, só pode ser aquela delambida”, podendo também a culpa ser da sogra.
Isto para dizer que para trazer o corpinho em dia não faltam homens disponíveis a qualquer mulher e que para os afectos de mais longa duração pode sempre tentar-se o investimento, mas em mim acaba normalmente por ser a fundo perdido e às vezes nem isso, quando a verba é pequena e não chega aos fundos.
Tentei viver uns dias com o Abrantes. Gosto de homens vestidos de negro, especialmente se forem altos, magros e grisalhos.
O Abrantes juntava a essas características aquela pasta que abria na mesa do café, enquanto fumava, cheia de cadernos e folhas soltas, no que me pareceu haver ali veia de intelectual. Conversa puxa conversa e vim a saber que era professor de Geografia, mesmo ali ao lado. Aliás não foi preciso puxar muito porque o homem tinha um ar tão angustiado que as primeiras conversas eram absolutamente monologadas, tipo queixa-velha e persistente como catarro de velhos sebentos. Só o deixei mudar-se para o meu apartamento porque aquelas costas em V puseram-me os olhos em bico. Além disso o coitado deixaria de fazer todos os dias 90 quilómetros para cada lado. Bem sei que não tenho emenda, mas pareceu-me que desta vez o investimento iria ser compensador; pelo menos comecei a localizar todos os países e respectivas capitais no mapa-mundo que ele afixou na parede da sala. Já não perdia tudo…
Nos dias seguintes fiquei a saber de programas informáticos mal acabados, de computadores obsoletos, da incompetência das empregadas da secretaria, da extensão dos programas, da redução do número de horas lectivas, da legislação que distribuía o serviço docente, da antipatia da D. Odete, que lhe servia o café sempre frio, da colega que andava enrolada com o estagiário, da má educação dos meninos, da guerra dos bonés na sala de aula, dos apoios pedagógicos acrescidos, do artigo trezentos e sete, das histéricas do Conselho Executivo, da alergia ao pó do giz, do David que bateu na Joana e do Conselho de Turma e da Associação de Pais e do telemóvel da Ana Carina que desapareceu no ginásio e da mãe da Ana Carina que vem todas as semanas à escola e vai fazer escândalo até o telemóvel aparecer e dos apoios pedagógicos acrescidos e da luta sindical pela dignificação do ensino…
Foi um erro, eu sei.
No início ainda pensei que era por ser o começo do ano lectivo mas aquela preparação de materiais entrava pela noite dentro e eu, material, nem vê-lo! Depois os testes saltavam para cima do sofá, para o chão da sala, para a casa de banho (não há homem que não leve literatura para a sanita); as minhas estantes encheram-se de manuais escolares (ele não tinha culpa, as editoras mandavam às dúzias), no meu pc instalou-se uma folha de cálculo e o Abrantes entrava-me todos os dias pela casa dentro aos berros, vermelho que nem um tomate, a contar as “cenas” com pormenores obsessivos: a aluna que o mandava para o caralho (e ele em vez de ir ainda tentava explicar à catraia por que é que não ia), o manual que era extenso para o número de aulas (porra, só o manual é que tinha extensão!)
Ontem não aguentei mais. Quando ele entrou pela porta, histérico, a querer fazer de mim a funcionária do sindicato dos professores, disse-lhe:
“Meu querido, como professor não me ensinaste nada; como homem ainda menos; o tal apoio acrescido aqui em casa não se dá por ele; ainda não percebi se te enquadras nos efectivos ou nos que não sabem de que terra são; à noite nem o teu cheiro na cama, de dia essa voz estridente, esse ror de impressos para preencher e a maldita folha de cálculo que já me provoca náuseas” .
E, de pronto, desatei a desalojar a livralhada, que foi porta fora com as centenas de folhas que ameaçavam a minha logística.
“ E mais- disse-lhe eu - agora já tens uma «linha professor», carrega o telemóvel e queixa-te a quem tiver paciência para te ouvir. Safa!”

Terça-feira, Setembro 12, 2006

Fitas...

A conversa agradava-me. Sempre fui amante de artes e quando apanho pela frente um criativo o meu ritmo cardíaco acelera. De banalidades estamos todos fartos e eu então, com estas dificuldades de compreensão que vocês tão bem me conhecem, já não sei como reagir perante aquela visão masculina, aguçada em todos os ângulos menos no que mais interessa. Tudo da mesma cepa!
Foi por isso que despertei da minha letargia enfadonha quando ele me falou de ângulos: ângulos de projecção que levassem a cabeça à fricção para que, com movimentos suaves, não se danificasse a ponta preta.
- Ponta preta?
- Sim, a ponta da película. Temos de a conservar bem para que possamos depois fazer a dublagem.
Já estão a ver a coisa, não é? Ele, que era perdido por imagens, tinha-me convencido a participar numa realização completa. Ainda discutimos sobre a questão da metragem. Ele preferia que fosse curta e eu… bem, eu nessa não embarquei e disse-lhe com toda a determinação que ou era longa ou eu não fazia parte do elenco e ele tinha de fazer um casting para escolher outra protagonista.
Ora um criador que se preze não deixa fugir o momento e pensar num casting era coisa para demoras; nada que agradasse ao gajo encalhado que me tinha calhado na rifa aturar por estes dias. Enfim… a gente anda cá é para nos aconchegarmos uns aos outros e pronto, lá estava eu mais uma vez a fazer de mãe, que os homens, coitados, transpiram orfandade por todos os poros. Este então era mais baba e ranho, vá lá a gente entender os homens!
Criativo já eu sabia que ele era e, por mais abatido que um gajo fique quando se vê nas lonas, numa situação destas não se deixa passar por artolas. E se o resultado fosse como eu esperava ainda havíamos de nos aconchegar mais depois de renovados os recursos técnicos – só a sonoplastia era coisa para nos pôr os cabelos em pé; para não falar das locações, da cenografia e dos equipamentos. Esses eram de tal ordem que consegui antever uma montagem final cheia de qualidade.
- Liga aí o potenciómetro! - Pediu ele.
- Eu????
- Sim, eu dirijo a execução e tu colaboras.
- Mas não era isso que estava no roteiro, pois não?
- Isso o quê?
- Isso de dirigir. Eu sei que és um criador mas ainda ontem te queixavas da falta de uma lâmpada excitadora!
- Ó minha linda, o cinema é luz e luz é como que uma manifestação divina, é como penetrar num oráculo, num templo escuro onde se presta culto. É como… é como… é como dar à luz!
Foi aí que se fez luz no meu entendimento. Das duas uma: ou ficava ali de perna aberta até o menino satisfazer o seu fetiche ou dava um piparote na cabeça giroscópica, que ele era obrigado a fazer ali logo um “change-over” para se pôr na linha.
- Ora bem, disse eu, vamos lá rebobinar com calma senão pego na lâmpada de tungsténio, aponto à lente anamórfica e faço-te uma perfuração na película.

Quarta-feira, Agosto 30, 2006

Fausta no Museu

Diga-se de passagem que nunca me interessei muito por coisas do passado. Não há nada como um bom presente, digo eu que rapidamente varro da minha vida os fracassos que me vão acontecendo, embora me vá metendo noutros porque nisto de homens não há como a gente ir apalpando o presente sem grandes preocupações com o futuro. É viver um dia de cada vez (expressão que me parte toda pela originalidade) e tentar quebrar as rotinas com as novidades possíveis.
Mas eu falava de passado. Bem… passado lembra-me logo meia dúzia de jovens imberbes a escavarem quadrículas delimitadas por fios, debaixo de um sol abrasador, à espera de acharem uma dúzia de ossos misturados com cacos que depois colam com gesso e expõem nas vitrines do museu local para dizerem que a sua terra está cheia de vestígios. De forma que quando ele me disse que era museólogo (e eu a meter a pata na poça a dizer museologista), tive assim uma visão a cheirar a mofo, toda desfeita em cacos e ferros cheios de verdete, muito neolíticos como mandam as classificações. “Ok, eu vou” disse-lhe eu, “se me dizes que o acervo é de outra natureza vamos lá conhecê-lo”.
Levou-me para umas salas de caliça desfeita onde estariam, segundo o jovem, as obras de arte. Gulosa, afiambrei os olhos e suspirei antevendo o deslumbramento daquela iconografia. Ecoavam na minha cabeça as palavras que ele disse quando caracterizou o seu trabalho “conservar, preservar e divulgar” mas o que eu interiorizei mesmo foi aquilo das “perícias destinadas a apurar o valor histórico dos bens e a sua autenticidade”.
Ó meu amigo, de perita já eu tenho a fama!
Quanto ao valor dos bens, isso era mais com ele, mas a avaliadora estava atenta desde a porta de entrada.
“Ir ao museu hoje não significa ficarmos limitados a observar os objectos expostos…”, dizia ele enquanto me levava para o fundo do edifício.
Mau! Querem ver que o gajo organizou uma festa?
De repente parou e, de olhar meio atordoado pela paixão museológica disse: “Os museus possuem também a capacidade de revelar ao visitante que ele mesmo faz parte do processo histórico. Tu és a História!"
Porra! Chega de merdas, pá! Eu sei que tenho idade para ser tua mãe, mas chamares-me objecto histórico assim dessa maneira é demais. Leva lá o teu acervo e vai pedir colo à conservadora.

Quinta-feira, Agosto 17, 2006

Homem armado, procura-se



Esta merda já dura há demasiado tempo. O quê? Ora o quê! Este fastio de tudo o que é homem e mexe.
Já se sentiram assim, já???
Já sentiram que passar por vocês um gajo ou um camião TIR é quase a mesma coisa?
Quase punha as mãos no lume: foi aquele das ciências do oculto, de certeza!
Bem, na verdade já antes andava um pouco enjoada de músculos… acho que exagerei no contorno dos glúteos quando andei por aí armada em esquisita. Quem me mandou a mim ir para o ginásio? Aquilo era paisagem a mais para uma mulher simples como eu e pronto. O dos pesos levou-me à certa, que a conversa descambou para as medidas e eu babei-me toda, mas que querem, deve ser de nascença este sentido de oportunidade que me persegue por toda a parte e me deixa sempre mal servida.
Mas digo-vos: tenho de ser mais selectiva. Madeira de contraplacado deixa sempre como resíduo uma amálgama de lascas secas que nem para acender a lareira…
Preciso de me aconselhar com quem sabe.
Pensei em ir tratar-me ao psicanalista mas receio sair-me um daqueles de mãos esguias e com ar de coisinha deslavada. Não sei o que faria eu no divã com um gajo desses!
Pensei também em ir a uma consulta do Professor Seco, a propósito de um quadradinho de papel que há dias me deixaram no vidro do carro. Mas, confesso, para seca basto eu, neste momento!
Um amigo? Que é que eu posso dizer a um amigo que ele não pense logo que estou a convidá-lo para uma desenferrujadela?

Olha, esta ‘tá boa! Uma desenferrujadela era mesmo o que eu precisava!
Vou à procura de um cavaleiro armado de ferro, mas de ferro bom, como aqueles que se faziam antigamente! Um herói com elmo, porretes, adagas e maças, não esquecendo os chuços, para a batalha ser completa.

É mesmo isso que me está a fazer falta!

P.S. Se for um daqueles bravos romanos sem chuço, desde que traga porrete e maças...

Quarta-feira, Agosto 02, 2006

As coisas do oculto e as que ficam ocultas



Ele dizia ser mestre do oculto e eu, que me pélo por brincadeiras que metam esconderijos e por poderes sobrenaturais, daqueles que depois desabrocham na sua plenitude mais vertical, cedi em acreditar só para ver se as coisas ocultas tinham mais sabor do que as que são claras como a água e normalmente se desfazem nela como a gelatina dita rija que envolve as cápsulas que a gente às vezes engole.
Ouvi relatos maravilhosos, soube que quando a minha alma foi criada recebi do lado oculto da vida eterna o meu mantra individual que ele disse ter um som que só eu podia ouvir, aguçando-me a curiosidade auditiva e as outras que normalmente vêm associadas. Soube que cada pessoa tem sete corpos, todos unidos num corpo astral onde o desejo se manifesta. Ai deus, se eu com um corpo só, já é o que é... com um desdobrado em sete eu nem me tinha nas pernas só com o desejo de que o momento da projecção astral chegasse depressa.
Ele aconselhou-me calma pois era preciso aguardar o momento em que a energia do universo – acho que era o prana, ou assim – nos bafejasse com um encantamento que eu haveria de sentir como climax. Algo novo, experiência única, coisa nunca antes vivida nem sequer imaginada.
Podem imaginar como uma mulher se sente perante estas conversas ditas em sussurro ao ouvido. É de um gajo se passar, dirão vocês...
E é!
Eu já me derretia com a expectativa do poder da arte marcial interna, o chi, de que ele falava a toda a hora e do orgone, aquela coisa que ele dizia ser uma forma especial de energia omnipotente, responsável por variantes como a cor do céu, a falha da maioria das revoluções politicas, e um bom orgasmo. Não é que me interessassem as falhas, mas se isso tinha a ver com as revoluções, estava-me bem nas tintas, o que me interessava eram as outras valências.
Concentra-te no scry – dizia-me ele, tocando-me ao de leve – pelo que eu desatei a gritar com quanta força tinha, ao que ele parece ter reagido mal porque imediatamente se levantou atirando com a almofada e dizendo que eu lhe tinha provocado uma desconcentração sensorial e que depois daquele meu grito histérico nunca mais teria o privilégio de ver o mantra dele nem sequer no dia do equinócio.
Raios partam as tretas do oculto.
Mestres? Bem me parecia que aquilo do chi e do orgone não passava de engodo! Na volta o mantra dele era insignificante e foi melhor nem o ter experimentado!
Fica uma mulher assim a ougar...
Safa! Não me meto em ocultices tão depressa!

Terça-feira, Julho 25, 2006

Como é bom viver no campo!


Tásse bem!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

As férias estão escaldantes! Nem apetece voltar...
Ficarei mais uns tempos à varanda.

Sexta-feira, Julho 07, 2006

Comemorações e outras emoções


Sei que tenho andado um pouco fugida mas não me levem a mal. É que enquanto durou a esperança eu não podia dar atenção a mais nada pois estive concentrada nos movimentos dos nossos rapazes. Dos nossos é como quem diz, que o Jerónimo por enquanto é só meu. Eu já passo a explicar.
Concentrada nos nossos rapazes, dizia eu, para acabar tudo numa frustração do tamanho de uma medida boa.
Claro: era uma equipa de homens, com assistentes homens, médicos homens, seleccionador homem e está tudo dito.
Custava alguma coisa terem feito mais um esforço em prol do nosso bom nome?
Mas nem tudo foi mau. Como espectadora envolvi-me na festa e acabei por conhecer o Jerónimo, ferrenho do futebol, frequentador de estádios, de ginásios e de tascas de qualidade, apreciador de umas bejecas, de uns caracóis e de umas sandes de orelha de porco. Era vê-lo ali trajado a rigor, de cachecol na mão antevendo a subida à estátua do Marquês, ritual indispensável nestas andanças. E eu cá de baixo a ver quando é que ele se desequilibrava e dava o tombo. Mas ele dizia que era ali que se inspirava para a cena seguinte, por causa do efeito das alturas. O pior era ouvir as buzinas e o repórter da SIC. De cada vez que entrava em directo as mulherzinhas gritavam que nem histéricas e os rapazinhos punham-lhe o cachecol pela frente dos olhos.
Mas quando o Jerónimo descia lá íamos nós comemorar os dois.
No dia da Holanda comemorámos juntos a vitória, depois de tanto pontapé nem conseguíamos segurar a genica com que o jogo nos deixou. No dia da Inglaterra o nervosismo abalou-nos tanto que precisámos de descarregar o stress à grande e à francesa, para nos prepararmos para o que faltava. Depois do jogo com a França precisámos de compensar a amargura. E que compensação a que o Jerónimo me proporcionou. Entendemo-nos tão bem que nem precisamos de falar.
Bem… se ele falasse eu era capaz de me frustrar um pouco, por isso disse-lhe que preferia a comunicação gestual e não foi preciso mais.
É assim, há sempre uma boa razão para umas horas de enrolanço.

E vocês, como viveram estas emoções?

Quinta-feira, Julho 06, 2006

as dúvidas sobre a certeza das medidas


Ele colocou 10 dúvidas no comentário que deixou no post anterior, que tinha sido também um comentário a outro texto.
Não posso deixar passar esta dúvida sem que alguém esclareça este leitor que dá pelo nome de Lino Centelha.
A bem dizer não sei se ele dá pelo nome ou se o nome é que dá por ele, mas se algum esclerecimento puder ser aqui dado, será de grande utilidade.



Li este comentário no 'post' anterior e desde logo me ficaram várias dúvidas relativamente ao processo de equivalência.
Procurei na Wikipédia sem sucesso e por isso optei por deixar aqui a enorme dimensão do meu desconhecimento.
A minha perspectiva é, como sempre, meramente científica e por isso agradeço todas as achegas que me possam garantir o 'know how' necessário a um enquadramento epistemológico.
1. A mão que dobra o dedo é a mão de quem? Dele ou dela?
2. Eu que sou canhoto devo usar também a mão direita?
3. Quando tento dobrar o dedo médio os outros vêm atrás. Devo considerar isto uma necessidade de apoio?
4. Ao dobrar o dedo sem os outros mexerem, fica a apontar para o infinito. Não será um exagero?.
5. Depois disto deveremos nós, homens, passar a andar com luvas por uma questão de pudor?
6. Será um simples aperto de mão direita com mão direita uma atitude homossexual?
7. Esfregar as mãos uma na outra pode ser considerado onanismo?
8. É por isso que no futebol não se podem usar as mãos?
9. Quando, como Pilatos, dizemos que lavamos daí as nossas mãos, estamos a mostrar vontade de fazer sexo?
10. Um mãos-largas não é, então, boa companhia para uma mulher?

Tinha mais perguntas mas não quero abusar da hospitalidade.

Quarta-feira, Julho 05, 2006

as medidas certas


A Fatyly é que sabe: eis o que ela escreveu num comentário ao post anterior.


É assim: (já estou a ver a fazerem o teste:))
abrir a mão direita com os dedos esticados e unidos;
fechar a mão apenas com o dedo médio ou do meio (maior-de-todos ou pai-de-todos), sem que os restantes venham e sem ajuda da outra mão, nem de ninguém:):)
Aonde ele tocar com a ponta (não vale unhas compridas), marca-se o ponto.
De novo com a mão esticada, mede-se daí até à ponta do referido dedo.

A pergunta crucial que faziam e fazem: a dormir ou acordado?
como é óbvio acordado:):):):)

Terça-feira, Julho 04, 2006

proporções e outras verdades


Fui ao ginásio.
Não me parece haver melhor lugar para exercitar os olhitos em direcção aos gémeos, aos glúteos, eu sei lá… olhos em movimento orbital porque aquilo é um corrupio de exageros corporais, digo eu, que fiquei enjoada de tanta massa bruta.
À minha frente um rapazinho africano exercitava qualquer coisa, nem sei bem o quê porque se lhe fixava rosto os olhos intimidavam-me, a saírem, brancos imaculados, da pele escura. Um mimo! Mas se baixava os meus para evitar o embaraço logo dava com o volume dos calções ali mesmo acima do vasto interno, perto do grande adutor visto de frente.
Ai visto de frente. Visto de frente aquele outro dos bíceps a saírem pelas cavas, abaixo dos deltóides dobrados em tamanho, parecia um orangotango, com um pescoço trapaezoidal sobre o qual assentava uma cabecinha pequena e muito redonda, quase sem testa. Da cintura para cima era um troglodita; para baixo nem olhei, não fosse o indivíduo adivinhar-me os pensamentos.
Será mesmo como dizem? As proporções serão mesmo inversas?
Tenho de voltar lá amanhã!

Quinta-feira, Junho 29, 2006

Avaliação formativa



Alguém sabe dizer-me como é que uma pessoa se pode candidatar para avaliar os professores das escolas portuguesas?
Queria tanto avaliar o professor de Educação Física do meu sobrinho!

Domingo, Junho 25, 2006

O Zézinho anda a cházinhos


Não sei o que lhe deu, anda nostálgico e ensimesmado. Tenho feito de tudo para ver se lhe levanto o ânimo mas a verdade é que se passa qualquer coisa estranha.
Até parece que começou, subitamente, a pensar, hábito que não lhe conhecia antes. Por isso é que o tinha sempre naquele estado de energia vital e de magnífica disposição com que to mandei.
Agora não. Arrefeceu, murchou, descaíu...
Quando ontem à noite lhe perguntei o que me iria prepar para a ceia pôs-se a desdenhar dos meus ingredientes, dizendo que quando um homem prova um prato novo depois não quer voltar à sopinha caseira.
E esta?!
Até já me dá respostas reflectidas, sentidas, como um cachorro que lambeu outra mão e depois rejeita a do dono.
LÚCIA!!!! Em nome da nossa amizade, manda-me a receita!

Quinta-feira, Junho 22, 2006

Carta a uma amiga que anda carente


Minha querida Lúcia


É certo que o Zézinho me faz imensa falta, mas ceder-to por uns dias é a prova da minha mais sincera amizade e dedicação.
Tudo isto porque andas triste e solitária e quando procuras companhia tens o azar de só te saírem modelos obsoletos. Porém, não há nada que não tenha solução e a prová-lo aqui o tens, exímio preparador de um excelente molho branco que é, por assim dizer, a sua especialidade.
Mas não se ficam por aí as capacidades do rapaz: aquelas mãos longas que ali vês são de uma perícia sem igual quando se dedica à massa tenra ou mesmo à massa folhada, mas para essa tem de recorrer a uma gordura especial que, diz ele, não se encontra no mercado tradicional. O que é certo é que os entrefolhos da massa são assim uma coisa de fazer inveja.
Para além disso executa todos os pratos que te aprouver desejar, entre os quais recomendo vivamente as entradas, normalmente preparadas com enchidos de qualidade e os legumes mais frescos que um dia de verão pode sugerir.
No papel de Gomes de Sá esfarrapa um bocado os ingredientes, talvez seja melhor à Zé do Pipo mas podes crer que quando se arma em Bulhão Pato dá cá um tratamento à amêijoa que é de comer e chorar por mais.
Pode parecer-te tenrinho mas digo-te que vais ter uma agradável surpresa.
Só te peço que o trates bem e que o envies de volta logo que te sintas satisfeita pois a minha privação tem limites.
Desta que te estima

F.P.

Post Scriptum
Aquela questão da gordura pode ser problemática mas tens sempre a possibilidade de recorrer àquele suplemento que deixa uma bolinhas residuais...

Domingo, Junho 18, 2006

Ainda cá moro, mas ando a ver a bola...


Não pensem que saí de cena.

Ando muito entretida, como andam todos os portugueses neste momento...

Segunda-feira, Junho 12, 2006

Já nem lhes vejo a marca

Com esta angústia toda nem tenho tido cabeça para escrever as minhas crónicas. E parece que a paralisia está muito ligada a uma espécie de recessão das paixões.
Digamos que a minha decepção com o sexo oposto é tão grande que quando passo por eles já nem lhes olho para a marca.
Para arrebitar andei a ver televisão: ontem segui os discursos televisivos do 10 de Junho e hoje vi futebol. Ontem eram só velhos e hoje só mortos. Ou era ao contrário? Mas pronto, tem tudo a ver com a raça ou com a falta dela, embora me tivesse intrigado o facto da selecção angolana não ser integralmente composta por pretos mas explicaram-me que no futebol a lógica é uma coisa que falha sempre.
Dei comigo a seguir os comentários dos apresentadores para ver se aprendia alguma coisa. Ora vejam: O Miguel entrou na abertura e procurou a linha mas o Figo entregou-a ao Nuno Valente; o Tiago ainda tentou a cobertura mas não conseguiu e o Pauleta entrou-lhe pelas costas, metendo para o Figo. Um deles abriu para a entrada de Miguel, mas o outro ficou a ver o espaço sem conseguir meter para lá. Ainda ouvi dizer que o Nuno Valente fez uma entrada a abrir enquanto o Petit se preparava para movimentar qualquer coisa, mas o meu entendimento fechou-se à compreensão de tão complexos movimentos.
Aborrecida, mudei de canal. E zás, dei com um grupo de bailarinos brasileiros a beijarem-se na boca. Era para quebrar os preconceitos, dizia o encenador de uma dança hip-hop em ténis, porque as pessoas ainda são muito homófobas.
Ainda? Qual será a meta a atingir?
A minha angústia aumentou.
Continuo sem compreender os homens!

Domingo, Maio 21, 2006

A bandeirada



Não foi propriamente um choque, confesso, foi mais a cor a entrar-me pelos olhos e a saturar-me a córnea, que uma pessoa pode gostar da sua bandeira, mas depois de um jantar de ovos verdes com salada de beterraba acompanhada de vinho rosé e sobremesa de melancia, digamos que estava um pouco cansada da coloração. Ainda por cima o crocodilo verde da lacoste estava ali pronto a engolir a mancha vermelha que me enchia os olhos, no outro lado da mesa e o assunto da conversa andou pela polémica do Quaresma ir ou não ir marcar golos nas balizas adversárias e do Pauleta chegar aos cinquenta. Dizia ele que a glória nacional estava nas cores e que nenhum país se podia orgulhar tanto da sua bandeira como nós. A prova disso era a bandeirada do Jamor.
Ok, disse eu, vamos lá ver como és como ponta de lança porque de frango estamos servidos e eu, foras de jogo já vi muitos, mesmo vindos daqueles a quem chamam um figo.
Já no elevador ele disse: uma bandeira, vou colocar uma bandeira sobre este espelho, para que cada um veja a pátria reflectida enquanto sobe porque a glória é estar no topo. Ora, e eu não sabia? Estar no topo é tudo quanto uma mulher pode desejar numa situação destas!
E eu a pensar que a excentricidade das madeixas amarelas ia bem com o aspecto da linha lateral do hall de entrada onde as bandeirolas se multiplicavam.

Estava tudo a andar bem: o relvado em boas condições e um balanceamento que prometia bons desempenhos. Com tanto drible a pequena área estava a ficar desguarnecida ... para o que viesse a seguir.
Mas agoniei-me!
Podia ser apenas o edredon, admito... até teria a sua graça deitar-me sobre a bandeira nacional, aconchegar-me nos esféricos acetinados e passar do ataque ao contra-ataque, do contra ataque à marcação do canto e depois ao livre directo com protecção das partes baixas, claro... mas ele queria ficar de pé junto à janela - onde as cortinas eram verdadeiras redes em tons abandeirados - a cantar o hino nacional para a cerimónia do içar do pau da bandeira.

Era nacionalismo a mais!
De forma que, embora ele insistisse que o golo era o orgasmo do futebol e a bola era a mulher desejada pelo jogador, eu continuava a ver a metaforização ao serviço de um fetiche de pouco efeito prático. O jovem não passava de um avançado na retranca e sem estilo.

Foi então que lhe disse: meu amigo, o jogador com bom desempenho em campo é aquele que tem intimidade com a bola, que mantém com ela uma relação de cumplicidade agressiva e sabe tocá-la até ao remate final. Se é um golão que queres transforma-te num verdadeiro ponta de lança e deixa de atirar à trave que eu não sou propriamente uma guarda-redes angustiada no momento do penalti nem me sujeito às opções do seleccionador.

Quinta-feira, Maio 18, 2006

Eu... bem vestida


Eu já sabia que era bonita mas a Ivamarle ainda me deu uns retoques para melhorar a imagem...

Vamos a ver se é desta que eu encontro o homem perfeito.

Sábado, Maio 13, 2006

Ando muito atarefada...

E é que ando mesmo muito atarefada.

A selecção tem-se mostrado mais difícil do que eu pensava.
Não é uma questão de indecisão. Só seria esse o problema se a qualidade estivesse de acordo com as minhas exigências.

Na verdade, o que eu queria mesmo era um homem que fosse meigo, compreensivo, ternurento, disponível, atento, bem disposto; mas ao mesmo tempo vigoroso, enérgico, impulsivo, animal; e que soubesse cozinhar, arrumar a cozinha, ver o que falta no frigorífico, fazer compras, pôr ar nos pneus do carro, lavar o carro, levar o carro à inspecção, colocar o varão dos cortinados da sala, reparar a tomada estragada, cortar a relva; mas que fosse um bom dançarino e me acompanhasse numa pista de dança e nos drinks sem perder a lucidez, para poder trazer o carro para casa; e que depois fosse suficientemente maluco para ir comigo tomar banho na praia à noite; que me desafiasse para umas férias meia dúzia de vezes por ano e aturasse as minhas neuras sem fazer má cara e sobretudo sem sugerir que os filhos dele também fossem; e que não tivesse necessidade de ir a correr fazer queixas à mãezinha e procurar colo; e que aguentasse firme quando a mim não me apetecesse fazer amor mas apenas encaixar-me no corpo dele para uma noite serena de descanso; e que soubesse falar de literatura e me acompanhasse num concerto de música clássica ou numa exposição de pintura, sabendo o que estava a ver sem fazer cara de frete; e que me contasse os sonhos ao acordar e andasse de mão dada comigo pelos jardins...

Mas o que vejo é que, para os homens, não há muito que saber.
Tudo se resume a muito pouco...



Segunda-feira, Maio 08, 2006

Anúncio urgente



Sempre desejei publicar este anúncio. Depois do que li aqui, não tenho tempo a perder!

Divorciados com experiência, precisam-se.

Prova de selecção: local e data a combinar...

Domingo, Abril 30, 2006

Eles precisam é de levar no côco

Andei há dias a viajar pela blogosfera e fiquei estupefacta. Bem sei que só se fica estupefacto quando se é pouco dotado de cérebro, mas na verdade a minha especialidade é mais corpórea.
Mas dizia eu que me espantou o número de blogs que pretendem pôr os leitores a sonhar com sexo, provavelmente virtual e solitário, que ninguém anda a visitar blogs aos pares.
Pois é verdade, perdi-me neste deslumbramento bloguístico em cenas recheadas de gemidos e de provas fotográficas! Mas muito às claras e assim tão aberto de intenções que retira toda e qualquer hipótese uma pessoa normal se sentir tentada.
Fiquei a pensar que deve ser esta abertura que provoca em alguns jovens imberbes a atracção pelas minhas ligas pretas e a necessidade de procurarem contacto comigo na ânsia de virem a conhecer mulheres mais velhas. Procuram, certamente o contacto com a sabedoria que elas trazem coladinha às rugas.
E aqui vem a parte sociológica da minha reflexão.
Pensem lá comigo: estes adolescentes têm mães jovens, tias jovens, avós jovens... ou mesmo pais jovens, que as explicações freudianas funcionam para os dois lados como se comprova cada vez com mais propriedade.
Como é que eles podem usufruir, algum dia, da sabedoria de uma mulher madura se à sua volta toda a gente faz tudo para se manter jovem no aspecto e nas atitudes?!
Além de que estes meninos nunca ouviram um não, porque um não é sempre um trauma, como todos sabemos e apregoamos, esforçando-nos por nunca negarmos aos filhos aquilo que nos negaram a nós.
Aliás só os tribunais é que usam uma sabedoria fora de moda para nos chamarem a atenção acerca do efeito benéfico de umas boas palmadas, já que os pais deixaram de o fazer, as escolas deixaram de o poder fazer e o facto é que a necessidade parece existir. Logo, os pobres jovens precisam tanto de levar no côco que não perdem uma oportunidade de conhecer uma mulher mais velha que se assuma como a sua Dona e os obrigue a latir que nem cachorros aluados, enquanto lhes dão violentos puxões no couro da trela.
Foi por isso que o relato da minha experiência de BDSM, contada aqui com pormenores genéricos, chamou ao meu email privado uma quantidade de pobres zézinhos que andam por aí desesperadamente à procura de quem lhes dê uns tabefes para conseguirem sentir aquilo a que normalmente chamamos tesão.

Quinta-feira, Abril 27, 2006

Falta de liquidez


Começou por me falar em sistemas de contas prometendo-me, pensava eu, umas dignas férias numa ilha tropical.
De facto eram generosas as referências aos auxiliares financeiros e às coberturas cruzadas e todos os cálculos tocavam nos fundos como só uma coisa sólida consegue, quase como se quisesse dizer-me que o seu background não oferecia razão para déficits de qualquer espécie.
Não lhe conheci vícios consumistas a não ser as gravatas, coisa que me agradava bastante pois esse acessório masculino passou a ser essencial para mim no dia em que lhe descobri as inúmeras aplicações, todas elas de elevado grau de perversidade; todas boas, portanto. Mas propriamente cativar, só cativou quando me falou na elasticidade da oferta, apresentando-me fórmulas graciosas que desafiavam a minha imaginação com detalhes equacionados em deltas. Dizia ele que a oferta podia ser rígida, unitária ou elástica. Claro está que entendi esta elasticidade como qualquer coisa que permitia dimensões infinitesimais e já me ia crescendo água na boca com a representação gráfica do ponto de equilíbrio. Isto para não falar da oferta rígida, mas essa estava assegurada à partida.
Não é que eu rejeitasse a concorrência perfeita, que nestas coisas as concentrações monopolistas trazem lucro mas só enquanto duram; o facto é que preferia qualquer holding, a ter de ser, quer pelo volume conseguido com a fusão vertical, quer pelo controlo à vista.
Bem, todas as minhas expectativas se viram frustradas quando ele me enunciou os limites ao mecanismo de troca directa: é que a existência simultânea de duas pessoas, cada uma delas querendo adquirir o bem possuído pela outra, podia ter funcionado se nos mantivéssemos no domínio das metáforas, como é do meu gosto. Contudo, o indivíduo tinha um espírito muito numérico e falava de sociedades por acções de forma a vir a usufruir de benefícios fiscais.
E eu? Feita a análise de risco, que valor acrescentado me traria esta cena?
Meu amigo – disse eu – a tua curva de Lorenz é coisa que fica muito aquém do meu valor facial e, como sabes, há muito que o sistema fiduciário deu o que tinha a dar.
E foi assim, por falta de liquidez, que o homem da bolsa se converteu, ali mesmo, em activo incorpóreo.

Domingo, Abril 23, 2006

O que é que me falta depois disto?

Hesitei um pouco quando ele me soletrou aquelas iniciais mas um certo ar possante, travado depois por uma estranha atitude submissa, intrigou-me o suficiente para não ficar por ali. E depois havia o aspecto, claro. O brilho da cabeça rapada dava-lhe uma graça acrescida, tanto mais que pairavam ali uns olhos infantis num rosto de adulto assumido. Uma coisa que atraía e amedrontava sem se perceber porquê.
Disse-me que detestava baunilha, mas como eu tinha perfumado nessa manhã com um aroma adolescente de framboesa, julguei ter ouvido uma voz aprovadora.
Enquanto bebericávamos, ao som da batida musical envolta em semi-trevas, num local onde eu tinha ido parar sem saber ao que ia, falou-me do seu gosto pela beleza do corpo feminino, que comparava a um local de culto, assim como um altar de sacrifício. Aprovei-lhe o gosto, respirando mais solta por tão vinculada orientação sexual, que hoje em dia nunca se sabe se o nosso companheiro dos copos não vai confessar-nos outras coisas ante a nossa expectativa de fêmeas disponíveis.
Arrastou-me depois para um local mais protegido dos olhares e desviou a cortina, fazendo-me entrar. Deliciei-me com o beijo mas incomodou-me que me paralizasse os movimentos enquanto me inundava de boca e língua.
Quando me habituei ao escuro da saleta divisei as iniciais gravadas na parede – BDSM – e surpreendi-me com a quantidade de acessórios que por ali estavam, ao dispor das mãos. Chamou-me cadela. Já não estava a gostar da brincadeira!
Pior foi quando me falou em barras de imobilização e me disse que podíamos alternar: “agora passas a D…”
Humm??
“Switcher, minha adorada Dona; sou o teu escravo, e sirvo os teus prazeres”.
Onde é que eu me vim meter, pensava eu já meio azamboada com os gemidos que vinham de um sítio próximo, enquanto uma coisa sibilava, talvez um chicote. Era o silvo de um chicote.
“Sou o teu ponyboy, vês?, trago coleira”, e exibia o couro apertado, vincando a pele, sob a camisa preta. E pediu, com ar angelical: “magoa-me, bate-me!, e aprenderás que a dor e a bondage vêm apenas como sinais de poder, do teu poder; e que isso é que é o sublime, nesta nossa relação em que um possui e o outro agradecerá a dignidade do domínio”.
Quando me precipitei para a porta de saída olhei de relance para um indivíduo que se sentava, altivo, junto de três figuras femininas ajoelhadas e de cabeça para baixo.
Só tive tempo de fingir ter perdido a carteira, acocorando-me para a procurar, no que incentivei o porteiro a ajoelhar ao meu lado o tempo suficiente para, de sapatos na mão, deitar a fugir pela rua abaixo até mandar parar o primeiro táxi que me apareceu na noite.
Livra! PQOP!!!
"Como disse, menina?" perguntou o taxista, surpreendido.
Puta Que Os Pariu, disse eu, respirando aliviada.

Sábado, Abril 22, 2006

E elas a darem-lhes com as correntes!




Ela e a outra queriam isto a rimar, mas eu não tenho paciência para ficar acorrentada às rimas.

Lá vai disto:

Alegrias – nas orgias, se possível todos os dias;
Dores – nos desamores, vá de retro...
Casos – venham eles aos cabazes!
Conselhos – quando eles se põem de joelhos...
Meninas – nas casas mais finas.
Mulheres – longe de mim...
Orgasmos – não gosto de perder um...
Ódios – nem vê-los;
Domicílios – prefiro que eles venham (depois de mim, se possível);
Adeuses – a culpa é deles;
Artes – as do corpo, em todas as partes;
Professores – só alunos, já tenho a escola toda.
Prazeres – primeiro os meus!
Projectos – compreender os homens.
Inimigos – as mulheres dos meus amigos;
Amigos – só depois de os conhecer por dentro.
Cor – a do amor (e a da lingerie)
Meses – todos (menos aqueles dias);
Elementos – tenho tido azar com os matemáticos.
Divindades –o Sutra na cama...
Vida – sexo... acorrentado...
Morte – abstinência.

Terça-feira, Abril 18, 2006

O que me faz falta é um Homem do AKI


Mas por que é que as coisas nunca são perfeitas?
O cozinheiro especializou-se nas espetadas mas só lia manuais de cozinha; o matemático sabia de integrais mas não conseguia chegar ao valor máximo da curva de gauss; o empresário tinha papel mas até feria os tímpanos quando conjugava os verbos; o massagista não tinha outras referências que não fossem as musculares; o pianista só tinha mãos para as teclas, no resto era um bloco de gelo; o Rebelo Tinto conseguiu cravar-me a verba suficiente para a sua primeira edição, sem dar nada em troca; o luso-francês não saía dos chats dia e noite; e eu a sustentá-lo; o filósofo era o máximo nas reflexões mas tresandava a vinho tinto; o Dani era vigoroso mas a voz tinha um tom metalizado, o que fazia com que nas situações mais íntimas me sentisse a bater latas; o Fábio até fazia dó, de tão tenrinho; mas não foi por isso, teve azar com aquela tirada filosófica a lembrar-me que podia ser mãe dele; o Julião sabia ritmos africanos de ir aos céus, mas não atinava com as letras; o Natalino… bem o Natalino pode voltar na próxima quadra, mas já sei que é para lhe voltar a pôr os cornos porque o seu sonho era ser rena.
É assim: os intelectuais são excessivamente efeminados, quando não descaem mesmo para o frouxo; os mais destros de mãos têm a mente travada; os mais jovens têm a fixação das mulheres maduras mas aquilo é um ver se te avias, os mais velhos ou são barrigudos ou ressonam. E uma mulher quer um homem para lhe fazer um furo ou para lhe reparar uma canalização e nada!
Não quero dizer que nada valha a pena; aqui onde me vêem não posso dizer que tudo correu mal. Mas falta qualquer coisa…

Que me resta? Desistir?
Humm… acho que vou à procura dum Homem do Aki.

Sábado, Abril 15, 2006

Relaxamento

Começou, pois, por me massajar os pés para aliviar o entorse. E ainda bem que pôs gelo, porque a massagem tem sempre propriedades caloríferas e a temperatura ia subindo...
Não sei se achou graça à história que lhe contei sobre a causa das dores; ficou muito sério. Provavelmente não viu o filme, foi o que eu pensei. Massagistas e poetas não têm muito a ver, dada a natureza das funções. A mente e a mão, embora associadas em muitos aspectos, ali não mostravam ser gémeas, mas que a mão era valente disso eu não tinha dúvida. E grande!
Mandou-me deitar de costas e percorreu-me a coluna, da lombar à cervical, com os nós dos dedos, de baixo para cima. Deslizava sobre o óleo que me derramou na pele e sentia-se o cheiro do incenso que deixou a arder sobre a bancada.
A seguir trabalhou-me os grandes dorsais em movimentos circulares. Senti as mãos subirem para a cervical de onde fazia deslizar os dedos com suavidade até à nuca. Creio que adormeci. E ele ali a esmerar-se. Tanto que deve ter-me posto noutra posição porque acordei com as suas grandes mãos sobre as virilhas e abri os olhos de espanto. Disse que estava a fazer drenagem linfática massajando as safenas e eu acreditei, deixando-o drenar mais um pouco. Há ali uma zona, como sabem, entre o costureiro e o tensor de faixa lata, na intersecção com o recto do abdómen, em que a passagem das mãos e a pressão dos dedos provoca um aquecimento especial pelo que dei comigo a transpirar. Devo ter-me contraído um pouco, porque o que a seguir senti foi uma palmada no glúteo, para me facilitar o relaxamento, disse ele.
Depois começou a explicar-me a necessidade de alongar toda a musculação para evitar os problemas do encurtamento. Elucidou-me sobre a musculatura, em geral, exemplificando sempre e finalmente passou às técnicas especiais de amassamento para estimular pontos-chave, seguida da reflexologia para o fornecimento suplementar de energia e a dissipação dos bloqueios. Não é que eu me sentisse bloqueada, nada disso. Porém, foi nessa altura que a minha entrega nas suas mãos foi integral.

Quinta-feira, Abril 13, 2006

Saltos impulsivos

Não tenho aparecido porque ...
... confesso que exagerei no salto.
Como podem imaginar, precisei de recorrer aos serviços especializados de um massagista.
Tem sido bom, mas hoje...
... hoje ele disse que ia começar pelos pés e depois logo se veria. Falou em massagem integral. Até me arrepiei!

Aí vou eu..........................

Sexta-feira, Abril 07, 2006

Oh Captain, my Captain


Ora cá está a minha participação para o concurso que se realiza aqui e aqui .








A minha grande questão andava sempre à volta da quadratura do círculo. Havia em mim a curiosidade das linhas infinitas, das intersecções, das elevações do xis e das inúmeras possibilidades das funções f.
Não me perdoava, pois, a ignorância no que dizia respeito às operações concretas, embora me saísse muito bem nas mais complexas operações formais. O que me minimizava sempre diante dos meus amigos intelectuais eram as referências constantes aos integrais e às derivadas, embora todos soubessem o que me passava pela cabeça perante este tipo de referências. Mas o que eu precisava de saber, mesmo, era como efectuar o somatório de coisas contínuas. Em termos pragmáticos esse tipo de operações não me oferecia dificuldade, quanto mais continuidade melhor, era o meu lema. Mas o pior era sempre a parte teórica.
Decidi, pois, frequentar aulas de Matemática no SPA (Special Pythagoric Academy), por recomendação especial do meu amigo Assis Matoso, cuja especialidade era o grego.
Tinham-me dito que o prof era o retrato chapado de Apolo e que só dava lições a adultos, por isso dali só se saía para o Olimpo, mas com toda a sinalética no papo, do alfa ao ómega. Achei a ideia genial: finalmente iria perceber o verdadeiro valor de Pi.
Espantei-me por ser a única pessoa na sala, mas soube depois que o prof P. Lorca fazia sempre isso para avaliar bem o recém-chegado às suas mãos. E eu, na boca dele, tinha todas as hipóteses de vir a ter sucesso na aprendizagem. E quando o disse agitou o ponteiro de uma forma sensual apontando-me o quadro. E eu fui.
Mandou-me desenhar um circulo. Lá dentro, um quadrado. Depois quatro triângulos isósceles. Disse, então, que tínhamos obtido um octógono regular inscrito no círculo. Agora eu só precisava de ir acrescentando triângulos até obter grandezas tão pequenas que tendessem para o limite, só então poderíamos falar de integral, dizia ele, face à minha urgência em aprender: “observamos que o conceito de integral pode ser introduzido de várias formas…”
Comecei a exasperar-me: introduzido de várias formas? Para conseguir saber a área definida pela curva? Mas… através da adição de micro-grandezas?
Pus-me a pensar que o melhor seria pedir-lhe as derivadas; sempre podia propor-lhe uma tangente à curva e aí fazia a demonstração dos meus conhecimentos, pois se ele pensava que estava perante uma caloira qualquer, estava bem enganado, o anjinho. Sim, porque os matemáticos têm todos aquele ar asséptico e aquele olhar-de-carneiro-mal-morto, no que se prova que a sua maior tarefa é a reflexão pura e simples; se a coisa se complexifica também lá chegam, digo eu, mas têm de fazer inúmeros raciocínios e esgotam-se em algarismos redondos. O que me surpreendia era o paradoxo, pois o P. Lorca dizia que o inconveniente do método de exaustão é que para cada novo problema havia a necessidade de um tipo particular de aproximação. E ficava ali parado a falar do Arquimedes.
Bem, a coisa ficou mais concreta com o exercício de cálculo de um integral triplo: ali no quadro desenhou um barril e, para que eu visionasse melhor a situação, colocou-me as premissas usando a minha linguagem. Falava de um navio de carga com barris de vinho. Teríamos de achar a logística da embarcação para não se correrem riscos. Logo, eram necessários integrais triplos para calcular o volume de cada barril.
E eu a imaginá-lo de corsário, ao leme dum barco pirata… sozinhos os dois a meio do oceano, carregados de barris de VQPRD.
Ainda o ouvi mencionar a expressão da curva do barril, mas depois passou-me assim uma coisa pela vista e não tive mais consciência dos meus actos, que foram todos tangentes à sua figura. E, num impulso que qualifiquei no limite oposto ao do zero, saltei para a mesa, elevei-me sobre as meias de seda bem esticadas nas pernas e, muito direita no olhar que lhe lancei, disse: “Oh Captain, my Captain”.

Quarta-feira, Março 29, 2006

Fitas ou cenas?


V Edição do concurso O Escritor Famoso - Actos de Cinema
É no Divas e Contrabaixos que o concurso se realiza. Eu vou concorrer... cenas e fitas é comigo!

Terça-feira, Março 28, 2006

O Assis Matoso ou de como se vai do racionalismo ao empirismo ou vice-versa

Desisti.
Aquilo era assunto a mais para mim. Cultura do corpo sim, mas é de maior utilidade saber escolher as circunstâncias; de forma que afastei-me de caminhos oblíquos e já que rejeitei o professor do corpo, nada melhor que enveredar pelo mestre da mente. Nem vos digo. Passei do oito ao oitenta.
Bem, eu sempre soube que os filósofos eram assim uma espécie estranha, uns escanzelados de figura mas recheados de ideias geniais, mentes abertas, se querem que vos diga. Mas mal alimentados, diria mesmo subnutridos, ou era o que eu pensava antes de conhecer o Assis Matoso. E era aí que começava a estranheza, no raio do nome porque o que ele era mesmo era Carlos Manuel. Mas pronto, eu fazia-lhe a vontade antes que ele se lembrasse que Witgenstein lhe assentava melhor. E não há dúvida que podia sê-lo, que a sua teoria ajustava-se-lhe bem. Dizia o Assis que não valia a pena indagar sobre os significados das palavras mas sim sobre as suas funções práticas. Por exemplo “charro”, dizia ele, podia ser tudo o que se quisesse, mas o melhor sempre era lançar-lh