quinta-feira, junho 11, 2009

Errar é humano? ou a culpa é das máquinas?


Cada dia que passa mais me vou convencendo de que o melhor estado para uma mulher é o estar sozinha. Eles acabam sendo uns emplastros, deus me valha, que o vigor com que atacam a carne não compensa as dores de cabeça.
Como foi? Eu conto.
Apesar de ser uma criatura das matemáticas com uma realidade baseada em raciocínios frios e complexos, o Alberto chegou-me com falinhas mansas a olhar-me de cima, como se eu fosse ignorante das estruturas da arquitectura informática. Ele sabe-a toda, pensei logo no primeiro contracto; porém, os atributos sensíveis à execução aqui do “je” foram desenhados há já muitos anos e para conhecer o funcionamento interno de uma mulher ainda falta muito aos homens.
É que a mim a gestão de equipamentos nunca me passou ao lado. Programar é coisa que faço com uma perna às costas e a electrónica digital é cá das minhas há muito, muito tempo, na falta de sistemas de processamento ou mesmo quando o volume dos dados é escasso.
Ele veio-me com aquela capacidade de raciocinar de uma forma lógica e estruturada, definindo pressupostos, estabelecendo etapas, querendo tirar conclusões numericamente fundamentadas, mas quem fez a avaliação dos resultados fui eu, cansada já da conversa das competências.
Aquilo de montar os chips, depois de conceber o modelo não é a melhor abordagem e o vício das máquinas torna os homens peças simples de uma qualquer linha de montagem. E eu, que monto bem qualquer engenho, não deixo de ser exigente com a autenticidade dos elementos. Por isso é que me enfastiou aquela sequência de instruções que não visavam mais do que tornar-me um simples processador. Ainda por cima com exigências de garantia de satisfação. Era fazer login e zás, a coisa dava-se! Era bom que as mulheres andassem ali na casa dos GHz e pudessem processar centenas de milhões de instruções por minuto, não era? Mas para isso, no mínimo, era preciso que partilhássemos os mecanismos de comutação, meu anjo, porque os circuitos de apoio, mesmo estando na motherboard, carecem de conectores adequados.
O mínimo erro custa milhões, dizia ele. Mas meu querido Alberto, bem sei que errar é humano; por isso é que de futuro vou optar por contratar software pronto.

quarta-feira, abril 08, 2009

O Náufrago



Encontrei-o no areal pela manhãzinha, assim sem energia, desfalecido e debilitado.
Estou a recuperá-lo com muitos mimos e caldinhos, pois esteve muito tempo sem comer e não posso dar-lhe comida forte.
O pior foi deslocá-lo, por causa da robustez.
Ainda não fala.
Se as coisas correrem bem, este ano não devo ir de férias.
Aguardo as melhoras.



quarta-feira, abril 01, 2009

O publicitário

Como é que foi possível eu ter embarcado em mais uma?
Ah, santa ingenuidade não ter percebido que tudo não passava de publicidade enganosa! Num momento da vida nacional em que o investimento se encontra retraído eu devia ter tido cautelas, mas ele veio-me com aquela conversa das redes neurais e nem me apercebi que a coisa também metia inteligência artificial, porque se tivesse dado conta não daria importância à referência às outras técnicas que até hoje estavam apenas no imaginário ou nos filmes de ficção. Foi com essa promessa que me levou à certa, fartinha que ando de gente de baixa estatura.
Aquilo dos slogans a toda a hora bem me enfastiava, mas pronto, podia ser que o indivíduo se sentisse mais homem no seu papel de free-lancer e sem querer, até me deixei ir na voz activa do pregão.
Potenciar o valor do produto foi o que ele fez desde o princípio mas o que eu tive de descobrir sozinha é que aquilo não passava de uma técnica de gestão de marca … e de branding’s ando eu enjoada!

O nutricionista

Prometeu que me iria arranjar um programa especial de educação alimentar. Teria de planear ementas e ajudar-me a optimizar a relação custo/qualidade porque, dizia ele, comer bem é fácil e não custa caro.
Ora é sabido que sou uma mulher de alimento e que nunca tive queda para a cozinha; por isso e porque ele era um pão bem encascado, veio-me à ideia que a ementa poderia levar brinde. Ouro sobre azul, um homem que finalmente me alimentasse de maneira saudável, de manhã à noite, aliviando-me das porcarias tipo fast food que como por aí e que depois me deixam o corpinho numa lástima.
Cedi à experiência e marcamos logo a sessão prática. Foi aí que ele agiu: olhou, pesou, mediu, calculou, … e depois disse que o IMC estava alto e que era preciso ter muito cuidado com a boca.
Ora eu, que sou e sempre fui mulher de muito alimento, fiquei deveras preocupada. Não me pareceu que fosse coisa fácil, mas pronto, estava por tudo!
Para começar estipulou que teria de evitar a as entradas; depois colocou-me à frente um prato com duas rodelas de milho tufado, metade de uma nós e um queijinho fresco deslavado. E disse que, como era a primeira vez, poderíamos ainda usar a banana e o mel. Já eu me lambia, de olhos arregalados quando percebi que aquilo era tudo menos o que parecia: foi quando o vi deixar escorrer meia colherzita de mel sobre a amostra do dito fruto, que colocou com profissionalismo no meu prato.
Mas pior ainda foi vê-lo colocar o aparelho de step ao lado da mesa e sentar-se à espera, de balança na mão.

quarta-feira, março 25, 2009

Jorge Rebelo Tinto


Eu já devia estar avisada sobre a complexidade da mente artística. Não é que cada homem seja um artista ou contenha em si um artista, que as artes masculinas são assim umas coisas mais ligadas ao bricolage, coisas de encher garagens ou arrecadações com todas as inutilidades que já não cabem em casa. Mas dizia eu que devia estar avisada sobre as artes ditas nobres, uma vez que o pianista e o dançarino tinham arte inata e nem por isso deixaram intacta a minha alma apaixonada. Artifícios da vida! E se ela não é mais do que um rame-rame feito de rotinas pasmadas, de vez em quando lá cedemos à pitadinha de loucura que um artista traz e transmite ao cinzentinho dos dias.
E assim dizendo, ou assim pensando, deixei o Jorge Rebelo Tinto instalar-se na minha vida. Ele depois disse que fui eu que me instalei na vida dele, ou melhor, na casa dele, mas foi a solução para estarmos perto, que o Jorge não arredava pé da mansão de família cuja sala cheirava a cinza velha, a mofo e a couros furados pelo bicho entranhado há décadas. Dizia que precisava da minha companhia para lhe inspirar uns textos, mas hoje desconfio que a inspiração tinha outras fontes, pois de mim pouco mais queria do que umas refeições a horas certas e umas garrafas de V.Q.P.R.D. para alegrar o fumo das cigarrilhas. E falava de amor, o Jorge. Amor em versos emparelhados, sonetos de rima pobre, repetidas as palavras de paixão em acessos de euforia que lhe agudizavam o tom de voz.
Por amor apliquei cera nos ladrilhos, para que o cheiro a passado o encantasse nas noites de Outono, quando a chuva batia nas vidraças grandes e ele dizia inspirar o cheiro para se inspirar para as letras. Inspirava também eu, farta do tec-tec do teclado, pela noite dentro, para depois suspirar de pasmo e de abandono.
Por amor desfiz os fios das teias que aprisionavam as histórias às paredes, dizia ele; recuperei a armação de um globo antigo, já tombado sob o peso universal das suas escritas famosas e trouxe folhagem dos jardins para encher jarras.
Foi também por amor que avancei a quantia necessária à edição de autor com que fez sair o último livro, entre choros de homem sensível e beija-mãos lambuzados de gratidão.
Depois disso não avancei mais nada. Nem por amor. A não ser a marcha-atrás que agora faço sempre que um homem me diz que gosta de palavras, a querer já meter-me na frente dos olhos textos adornados de poesia, olhando-me com ar de quem espera elogios e aprovação. Malditos escritores famosos!


(texto recuperado lá de trás...)

domingo, março 22, 2009

Mulher resolvida... eu?




Deve ter sido por ouvir muitas vezes à minha mãe que uma mulher atrapalhada é pior que um homem bêbado. Por isso mesmo ou porque os genes já prometiam desembaraço, nunca se me entaramelou a língua. As mãos também sempre bordaram com perfeição mas nunca em pano cru, que as palavras podiam cair em saco roto. Para os paninhos nunca tive jeito e para a cozinha ainda menos; por mim as casas podiam suprimi-la. Mas nem por isso gosto de fast-food; habituei-me, desde cedo, a comer só do que gosto pois o prazer quer-se trabalhado e prolongado, mas que se esmerem os comparsas, a bem do sucesso . Movo-me no lado mais pragmático da vida, depois de satisfeita a minha sede de saber. Aprendo depressa; definam-me a tarefa e apresento resultados. Mas não me peçam que falseie os dados. De falso apenas tenho umas madeixas loiras; coisas do feminino, não tanto por vaidade mas por bem parecer. E para parecer bem, sou solta no vestir e em quase tudo. Se me apertam ponho-me a milhas, não gosto de sufocos. De beijos, sim, mas dos verdadeiros.


domingo, março 15, 2009

Eu é mais emoções. Ela é mais lógica.

«... uma mulher a partir dos 30 devia ter direito a dois homens: um jovem para o "mel" e um "grisalho" para a alma, as discussões filosóficas e para apreciar em conjunto uma refeição que não seja fast-food.» (maria-arvore)

domingo, março 08, 2009

A perfeição



Freud encontraria, algures lá para trás na minha vida, a explicação.
Eu é mais pr’à frente é que é caminho, por isso estou-me nas tintas para a razão das coisas e quando passo pela rua olho para eles como se a vida ganhasse de novo as cores da adolescência.
E as formas, meu deus, as formas: nádegas cheias, duras, abençoadas! Nádegas que gostam de mãos maduras, daquelas que não se esganiçam em ciumeira nem aprisionam à custa de pequeninas chantagens.
Por mim nada espero, a não ser viver aquele momentozinho de novidade e satisfação. Momento soberbo. Mais nada para além do Carpe Diem, que isso do amor é uma coisa de posse e cobrança; coisa demasiado complicada e geradora de sofrimento.
Amor é a sensação de se estar bem, o desejo satisfeito, a tranquilidade depois da loucura. Amor é fogo líquido a derramar-se na pureza do corpo, liso, limpo.
É amor próprio? Se for, que seja para mim a realização e para o outro o gosto. Que o outro se deixe levar e aguarde, primeiro; e que depois dê de si em igual entrega.
Há coisa mais perfeita?
Ele deixou-se levar e aguardou quase tudo. E eu, lambendo o mel do seu corpo, revisitava a juventude passando-a para mim. Era de silêncio a dádiva, não fosse a consciência acordar e pôr-se a cobrar ousadias.
Ah Fausta Paixão! Será possível olhar para o grisalho dos outros cabelos depois disto?

quinta-feira, março 05, 2009

Alô!!!

O Nando era casado. Era e será, que há nós que não se desfazem.
A mim pouco me incomodam os nós dos outros; a paixão quando aparece, com aquela força bruta, não olha a essas coisas e pede caminho livre.
Ora do caminho tratou o Nando. Eu por mim levei a lingerie e o tinto, que o serão, das outras vezes, tinha-se prolongado pela madrugada e a garganta secara.
Não vou falar aqui dos acessórios porque o Nando é um tímido e se o descobrem aqui ainda vai ficar encabulado, mas aviso já que me apetrechei bem apetrechada. Podem imaginar o que nos esperava naquele apartamento de turismo rural, ali para o sul caloroso do país.
O Nando gostava de me aconchegar a ele e ficar assim a mimar-me durante horas; ele era atenções, carinhos, roçadelas, miaus e patinhas no ar; enfim, de tudo um pouco e tudo regado com produtos de qualidade, desde o tinto ao branco.
E assim nos entretivemos durante horas; acho que até nos esquecemos do jantar porque a hora a que toda a cena aconteceu era já tardia e bem tardia!
Fui eu que vi o telemóvel a piscar e dei conta da situação; doutra forma creio que teria metido polícia e tudo! Pois se a polícia já andava no encalço dele, depois da esposa ter falado para os hospitais todos a saber se lhe tinha acontecido alguma coisa!
É que o Nando esquecera-se do telemóvel no silêncio e aquele telefonema da noite com que tranquilizava a esposa dizendo-lhe que estava no quarto do hotel a descansar dos trabalhos do congresso, falhara.
Bem… eu por mim tanto me fazia que ele comunicasse com a senhora ou não, que os hábitos das mulherzinhas controlarem os seus mais-que-tudo nas ausências era coisa que me passava bem ao lado. O mesmo já não posso dizer do desempenho do Nando, que quando se apercebeu que até já os filhos estavam metidos ao barulho, telefonema p’ra cá e telefonema p’ra lá, ficou incapaz de levantar um dedo. Aquilo parecia uma cena de velório, com uns contactos de urgência para uns amigos cúmplices e muitos ais de desespero.
Que é que eu fiz?
Ora, virei-me para o lado e adormeci na paz dos anjos, que uma mulher sabe tirar partido das situações em qualquer circunstância e o descanso traduz-se sempre em mais frescura na manhã seguinte. O Nando que fosse meter-se debaixo das saias da senhora dele, que eu, haveria de encontrar rapidamente um par de calças à minha medida!

segunda-feira, março 02, 2009

O Senhor Silva


Ele tinha até um jeito engraçado de falar, uma coisa assim entre o chefe de secção e o dono de casa. Mas era cinzento dos pés à cabeça e isso aborreceu-me. Até porque o antevi de pantufas e de comando na mão a ressonar num sofá de paninho coçado.
Contudo a agência matrimonial tinha-nos posto no mesmo caminho e eu acreditei que aquilo funcionava, pois tinha pago uma quantia razoável para desperdiçar ali todas as minhas esperanças.
Aquela horazita de conversa enfastiou-me e não hesitei em demonstrar-lhe que eu não era a pessoa indicada. Há que ser diplomata nas alturas certas e não ia dizer-lhe que as mãozinhas sapudas me arrepiavam mais do que a falta de cabelo, que uma mulher não se pode guiar apenas pela contagem dos pêlos.
Enfim, lá fui ao jantarito, mas fiz descambar a conversa pois estava interessada em vencê-lo pelos excessos escabrosos, mas parece que quanto pior me pintava mais ele arregalava os olhos. Homem estranho, ostentando um sentido de humor dito assim em confissão, que quem o tem não o declara, mostra-o.
Às tantas pensei que devia aproveitar. O homem devia ter alguns atributos, não era possível que me tivessem vendido uma mercadoria de tão pouco valor. Fecharia os olhos e aguçaria os sentidos. Tinha bebido o suficiente para que a tontura fosse gostosa e a promessa de uma noite em glória elevava-me o volume da satisfação, visível quer no rubor das faces, quer na dimensão da parte superior de um decote escolhido para a ocasião. Esperava eu que a elevação fosse bilateral e, de preferência, duradoura. Mas… o que se seguiu ainda me aflige a tranquilidade das mãos e o que recordo é a pele arroxeada e morta de uma coisa fria e sem uso. Não estranhem a frieza com que o digo. Ali até a saliva era fria. E nem umas mãos calorosas e um corpo arqueando-se em malabarismos fizeram o milagre da ressuscitação.
Não sei se ficou vexado. O que me pareceu, na realidade, é que aquilo devia ser habitual e que mais um fracasso não lhe acrescentara nem diminuíra nada.
Fica uma mulher a babar-se de excitação, antevendo horas de trabalho duro até à vitória final e depois tem de bater assim em retirada como se cada minuto a mais fosse um ultraje à sua honra de fêmea.

Ó senhor Silva, bem sei que estamos no era do digital mas a uma mulher ainda lhe sabem bem as tecnologias antigas!




quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Particularidades


Quem sou eu?

Foi a maria-arvore que me passou a tarefa de me particularizar em seis pormenores dos mais coladinhos a mim. Daqueles que fazem de nós seres diferentes de todos os outros, não pela diferença em si mas pela combinação de todos entre si.
O que resulta dessa combinação – eu – tem a ver com uma mania inata de me apaixonar por todas as coisas e de as viver até ao limite; tem também a ver com o meu nariz empinado e com a incapacidade de sorrir quando não me apetece. No geral aguento as pisadelas até ao momento em que me salta a tampa, por isso sou pouco polida nas reacções, mas só às vezes, porque normalmente digo com os olhos, que são sempre o meu espelho e são muito bonitos.
E… com tanta conversa esqueci-me do que vinha fazer aqui. Era suposto vir dizer a verdade – ou seja, que não compreendo os homens; que ando à procura de um companheiro compatível e ele não aparece; que à conta dessa procura vou provando daqui e dali porque só a experiência empírica pode desempatar nas indecisões; que sou muito gulosa e exigente nas provas, que me farta a conversa fiada e que as particularidades de cada um variam consoante as ocasiões, a idade que se vai tendo e a definição de objectivos que se vai fazendo na vida.
Não sei se isto chega, mas é que hoje está a puxar-me a escrita para a nostalgia!
Vou-me já embora!

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

As Revelações

Ora vamos às revelações:
Não acreditem que seja tudo verdade, aquilo que eu vou escrever; por que razão haveria de ser eu a única pessoa verdadeira neste país?

1. Aqui, na blogosfera, quem me conhece sabe que tenho duas caras: uma que ri e outra que está sempre muito séria. (quem não conhece terá de investigar). Logo, a primeira afirmação é falsa.

2. Já viajei de avião sozinha, sim senhor. E não pilotei, deixei isso para quem sabe; o que eu queria dizer é que não tinha ninguém com quem falar porque vinha por minha conta. Mas pronto, se se entender que não estava sozinha no ar… a segunda também pode ser falsa.

3. A lista de nomes da minha vida tem, infelizmente, nomes repetidos. Será falta de imaginação ou é triste sina?

4. Nunca escrevi um livro. O que não me faltam são páginas escritas mas não morro pela ambição de me ver editada. E quando para isso a gente tem de pagar… ai, ai!

5. Perdoo sempre os maus desempenhos dos meus companheiros? Às vezes nem sei o que diga! Eu sei lá se são eles ou se sou eu! Contudo, sou complacente e, como todas nós sabemos, um bom desempenho não tem necessariamente de acabar assim com aquela coisa do “foi tão bom para ti como para mim”. Ou seja, se nunca mais acabar… é um excelente desempenho!!! Esta nem é falsa nem é verdadeira, é como a quiserem entender!

6. É que sou mesmo uma grande comilona. Deixo a questão do conteúdo à vossa imaginação.

7. Os colegas de trabalho não são boas opções, nunca. Se aquilo dá para o torto nunca mais nos livramos da companhia, ou vice-versa! Mas às vezes…

8. Televisão? Dispenso.

9. Sócrates. Passo. Já antes tinha passado e continuarei a passar. É falso.
Quem?
Ele!

10. Já me perguntaram se eu era da televisão. E não foi só uma vez!

Parece que não cumpri o que me era pedido!
Paciência! Mas ao menos tive um pretexto para falar convosco.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Desafio

Imagem daqui

A Hipatia desafia-me para um meme. (eu sei lá o que isso é!!!)
Tenho de fazer nove afirmações, sendo que em três delas não estou a dizer a verdade.
Para mim… que falo sempre verdade… foram precisos alguns dias de reflexão para me lembrar de mentiras, mas lá vai…

1. Aqui na blogosfera, só me conhecem por Fausta Paixão;
2. Já viajei de avião absolutamente sozinha;
3. A lista de nomes da minha vida tem nomes repetidos;
4. Nunca escrevi um livro;
5. Perdoo sempre os maus desempenhos dos meus companheiros;
6. Sou uma grande comilona;
7. Nunca cortejei um colega de trabalho;
8. Raramente vejo televisão;
9. Nas próximas eleições votarei Sócrates, pois adoro-o.
10. Já me confundiram com uma locutora da tv.


E agora, passo o desafio a quem quiser agarrá-lo, que é como quem diz ... aqui na blogosfera cada um come do que gosta e quando gosta (a bem dizer, é um excelente lema para todas as coisas da vida).
Quanto a desvendar as mentiras... a gente logo fala!
Ah, não resisti a transgredir as regras e em vez de 9... escrevi 10. Bem feito!




segunda-feira, fevereiro 16, 2009

As coisas que uma mulher faz...

Apareceu-me de fato cinzento e gravata ainda mais. Era uma mancha parda, de alto a baixo, que me aguardava junto à vidraça, como se estivesse a ver as vistas; mas estava nervoso, eu bem topei, que os homens parecem rochedos mas tremem que nem caniços na hora H.
Agradei-lhe. Mas os olhos tentavam a discrição.
Sentou-se e começou a desfiar informações, como se estivesse a vender um produto difícil e fosse preciso puxar-lhe o brilho. Tarefa vã, que o conjunto era baço e o palavrear travava-me a resposta, de tão faustosamente polido.
Contive-me.
Apeteceu-me sair pela porta fora, porém, era preciso manter o nível.

Sim, pus um anúncio.
Desespero?
Até pode ser que sim, confesso-o. Ao menos não escondo que ando à procura, como fazem por aí as minhas amigas, que disfarçam as carências mas andam de olhos esbugalhados e peitinho emproado, que a maminha é minúscula e a inveja muita.

Depois fiquei ali sentada a fingir que ouvia; se não tivesse fingido tinha, no mínimo, saído dali com uma trela e teria de me limitar ao quadradinho que ele traçou sobre a secretária dizendo que a vida tem normas e o mundo limites. E que as mulheres precisam da protecção dos homens.

Não, não fiz nada. Já ando mais contida do que no passado e apenas me despedi com dois beijos dizendo-lhe que a figura junta não correspondia aos meus parâmetros.

domingo, fevereiro 15, 2009

Voltei


Palmilhei mundos, conheci gentes, bebi todas as espécies de chazinhos, suportei bons e maus aromas, bons e maus paladares, enchi a alma das mais variadas e melodiosas vozes, dancei ao ritmo de um nunca mais acabar de corpos, assoei o ranho a crianças mal vestidas, provei o sal dos mares mais distantes, repousei o corpo cansado em camas perfeitas e outras desfeitas, encontrei-me em longos céus, ajudada por tripulações de homens lindos e prestáveis, mas sempre muito profissionais: deseja tomar chá?
Aventurei-me por becos mal frequentados, fui assediada e assediei, pernoitei em hotéis de cinco estrelas com piscinas aquecidas e demolhei as mágoas em águas aromatizadas de jasmim. Vi o pôr do sol nos mais longínquos quadrantes e a aurora nas janelas de quartos coloridos.

E voltei.
Cansada de tanto ver e de nada ter.
A precisar de mimos, de palavrinhas doces, de actualizações e emoções menos cosmopolitas, mais brandas, mais caseiras.

Sei agora o que quero: quero um homem que seja grande, bom, enérgico, meigo, preocupado, descontraído, culto, rico, elegante, bem falante, que saiba dançar, cortar a relva, mudar as lâmpadas, que goste de um bom vinho, que conheça os melhores restaurantes, que olhe para as minhas amigas e não faça comentários nem bons nem maus, que não esteja comigo 24 horas por dia, que não se ausente por mais de 48 horas, que não ressone, que não durma na outra ponta da cama, que não me sufoque, que não tenha apneia do sono, que tome um duche todas as manhãs, que não atire caixas de chiclets vazias pela janela do carro, que não passe o fim de semana preocupado com o seu clube favorito, que resista às investidas sem queixumes, que não cheire mal dos pés, que não puxe a meia dúzia de cabelitos de uma margem para a outra da nuca, que me mime e que queira ser mimado.

Aguardo respostas.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Ruínas


Depois de muito uso... há coisas que se gastam mesmo!

domingo, junho 29, 2008

Ai tanto, tanto calooooor...


Eles (os corpos) podem ficar quentes e até molhados de tanta transpiração. Podem incomodar na partilha da cama ou do quarto num dia de Verão, a gente sabe disso...
mas...
... o que é que uma mulher faz com tanto caloooor?!

quinta-feira, junho 26, 2008

Ai tanto calor...


O calor mata uma mulher.
E, de facto, morto o desejo está tudo morto.
Bem, não se trata de morrer morrer, mas somando o calor de dois corpos juntos fica-se pelo menos com uma insolação.
No Verão os quartos deviam ter camas separadas.
Vocês não acham?



sexta-feira, junho 20, 2008

A codificação dos elementos


Fiquei ali a olhar para a tabela periódica exercitando a mente em invenções: Nb de nabo, Db de diabrete, Rf de refinado, Pb de púbico, Rb de rabo bem feito e … cheguei ao elemento Cu, como não podia deixar de ser.
Para afastar os maus pensamentos pus-me a ler a descrição das fórmulas, mas, ai Jesus!, não era, definitivamente, um exercício refrescante, pois o P, na lei de Stefan-Boltzmann estava indicado como a potência total irradiada por um corpo.
Num dia de calor! Caramba!
Desviei as atenções para a constante de gravitação universal (G) e para a frequência do movimento ondulatório (f), no cumprimento de onda; mas à sala onde decorria o exame não chegava a ondulação da beira-mar e o único pensamento refrescante possível era estar deitada na areia da praia com os pés na água, pois só assim a capacidade térmica mássica do material de que é constituído o corpo (c) poderia entrar nos índices de refracção (n1 e n2) previstos na lei de Snell-Descartes.
É claro que dei um nó nos cabelos quando percebi que no trabalho realizado por uma força constante (F, com uma setazinha em cima) que actua sobre o corpo em movimento rectilíneo (W=Fd co α), o d é o módulo do deslocamento do ponto de aplicação da força.
Deslocamento do ponto?
Ó Céus!!! Quando o exame acabar vou direitinha ao ginásio e fico 40 minutos naquela máquina do abre-fecha-abre-fecha-abre para rentabilizar a soma dos trabalhos realizados pelas forças que actuam num corpo num determinado intervalo de tempo (w), como manda o teorema da energia cinética.
Depois… pode ser que, considerando a 2 ª lei de Newton, a aceleração do centro de massa do corpo ajude a amplitude do sinal (A) na respectiva função.

domingo, junho 01, 2008

O Senhor Inspector


O senhor inspector era demasiado centrado em si próprio. Eu diria que a coisa mais importante do mundo para ele era o seu membro fálico, que queria ver inspeccionado ao milímetro e com fervor.
Inversão dos papéis mas só no que lhe convinha.
Desde o primeiro momento a sua grande preocupação foi fazer-me crer que o seu desempenho, avaliado em excelente, não precisava de se sujeitar a acções de aperfeiçoamento contínuo.
Ainda estou cá a pensar que o excelente lhe deve ter sido atribuído mais pelo número de casos do que pela qualidade. Digo eu, que aquilo de trabalhar para garantir a qualidade, e equidade e a justiça num quadro de responsabilização era conversa da treta, como se fosse um disco riscado a arranhar os ouvidinhos sensíveis de uma mulher como eu.
Não sei se é o excesso legislativo ou o excesso de acompanhamento, controlo, aferição e auditoria que põem um homem naquele estado, mas bem pensado qual é o homem, mesmo não tendo nada a ver com os órgãos de política criminal, que não sofra da tendência narcísica para fazer girar o mundo em torno da sua virilidade?
Eu é que fiquei em verdadeiro estado de choque quando percebi que as metas eram falaciosas e os alvos não passavam de decretos regulamentares.
Nem tive vontade para lhe testar as qualificações; saí porta fora sem dar cavaco, na defesa dos meus legítimos interesses, não fosse uma portaria qualquer obrigar-me à execução de um programa específico para o qual não estou minimamente vocacionada.





domingo, março 23, 2008

e a culpada sou eu???

O Valter era um serzinho fleumático, emoções à flor da pele, fantasioso nos desejos e facilmente dado a grandes neuras. Bem... das neuras só soube mais tarde porque nos inícios não há nenhum que revele a matriz genética que a gente depois reconhece; o que ele queria exibir era as credenciais convencido que me impressionava com o selo de Bóston. Mas muito rapidamente a finesse descambou em desastre, que um gajo pode vestir-se de oiro mas o cheiro a sovaco não sai com os disfarces.
A verdade é que eu já andava a ficar com azia quando ele se aproximava. O arzinho de caniche acabado de vir do cabeleireiro enfastiava-me e não me agradava aparecer com ele em público. No privado também não, pois aquela fantasia de querer que eu me vestisse de professora de liceu estava a pôr-me os nervos em franja. O homem era passado dos carretos, no mínimo, pois a maneira de me dar conhecimento dos seus anseios diários era um articulado escrito na forma mais institucional possível; havia alturas em que chegava com aqueles olhos de carneiro mal morto e me apresentava uma proposta para logo a seguir me trazer a contraproposta, no mesmo dia. Dizia que uma profissional se queria flexível e de desempenho acima da média. E que tinha de me habituar aos novos paradigmas, que a contabilização era uma ciência e que a profissão precisava do rigor dos números.
Ora estes dizeres davam-me cabo da paciência pois o meu desempenho já tinha sido avaliado por muita gente e nunca o resultado fora insuficiente; então para que precisava ele que eu apresentasse os planos detalhados das cenas? Grelhas, cálculos, estatísticas… Tanta teoria para uma mulher com a minha rodagem não era apenas uma afronta – era uma dúzia de afrontas.
Pior de tudo foi quando comecei a questionar o desempenho dele; aquilo é que foi bramir, o cretino, acusando-me da descida de temperatura, do estado das estradas, do desemprego, da falência do Estado social, da má formação das famílias, da tendencialite da imprensa nacional, da linguagem desbragada dos blogues, do aumento de preço do gasóleo e… imaginem… da derrota do Sporting com o Vitória de Setúbal!

Livra, descarregar em cima de mim só porque me viu de lencinho ao pescoço não vale!

sexta-feira, março 21, 2008

Avaliações e outras decepções


fotografia gentilmente roubada daqui


Antes de qualquer avanço apresentou-me um projecto individual. Eu sei que ainda era cedo para lhe falar em avaliações mas achei aquela antecipação um pouco acelerada.
É claro que li e reli mas aquilo era teórico demais: entre objectivos e competências, tudo ali esquadrinhado em grelhas super desenhadas, a minha atenção desviou-se para o número de sessões. O calendário era generoso.
Cedi à experimentação do modelo.
E assim andámos; os meses corriam e eu, nem bem nem mal servida, estava curiosa com o desfecho, a ver onde aquilo ia parar.
Dizia-se frequentemente indignado; e complicava-me os neurónios aquela sensibilidade à flor da pele, que ele dizia serem os ossos do ofício. Bem… não é que a sensibilidade masculina me repugne, mas ali a coisa assumia a mania da perseguição.
No dia em que o vi de bandeira negra acenderam-se-me as esperanças: íamos ter luta!
Preparei-me o melhor que sabia, dei lustro à minha pele hidratada e expectante e afiambrei-me ao pedaço de homem que ali tinha, esforçando-me para esquecer por momentos os argumentos amargos, mais do que esgrimidos, sem que eu tivesse culpas no cartório.

Espantei-me verdadeiramente quando me disse que estava na hora de eu me ir embora, alegando que estava instrumentalizada e ao serviço das políticas governamentais de avaliação.

Avaliar o seu desempenho, eu?
É claro que estava à espera do momento, mas já não seria a primeira vez que me dispunha a conceder a segunda oportunidade. Depois disso é que lhe daria a nota.
Salvo seja.

domingo, fevereiro 24, 2008

Não se pode deixar morrer a Paixão

Entre dilúvios e enxurradas, discursos acusatórios e mensagens promocionais, repórteres da desgraça e comentadores sapientes, tenho-me deixado ir com as águas ...

Por todo o lado faz-se ouvir o descontentamento, morre gente nas estradas e morre o entusiasmo profissional que se calhar nunca foi de monta. De uma maneira geral o país está deprimido. Excepção feita a uns quantos obesos que fazem tilintar o metal na barriga.
Haverá futuro?


Hoje dei-me conta de que não posso deixar morrer a Paixão.






terça-feira, janeiro 08, 2008

Analfabeta-me


Por sugestão deste blog e inspirada num textozinho mal empregado, que é o do anúncio, resolvi falar a sério a brincar:





Tirem-me o A de todos os Amores vividos e por viver e o B dos Beijos, a ver se me importo.
Tirem-me o C da Cama e levem também o C dos Cornos com que fui brindada ao longo da vida;
Tirem-me o D dos Dias felizes ou o E dos Encontros e eu encontrarei outras formas de enfrentar a vida.
Tirem-me o G de todos os Gostos e eu arranjarei desgostos abençoados;
Tirem-me o H da História que às vezes me enfastia de tanto a saber de cor, o I das Ilusões efémeras, o J de todos os Jogos com falsas terminações e o L da Libido dos sábados à noite e eu terei todos os outros dias da semana.
Tirem-me o M das Melhores sensações e levem também o M dos piores Males.
Tirem-me o N das Noites mais suadas ou o O dos Ódios que nunca guardei para depois e eu suarei durante os dias mais gelados.
Tirem-me o P dos Prazeres benditos e eu converterei os malditos em satisfação.
Tirem-me o Q de todas as Questões impertinentes; o R dos Restos, o S da Sarna que em certos dias arranjo para me coçar.
Tirem-me o T de Todas as Tentações e eu tentarei tornar-me Tentadora.
Tirem-me o U do Último dia que preciso Urgentemente de adiar; e o V das Vitórias mal digeridas.
Tirem-me também o X dos Xaropes que não curam e o Z das Zangas que nunca melhoraram.
Porém… deixem-me o F.
Depois de me tirarem todas as letras não poderei mais ser eu. Só me resta pois um grito... Foooooooooda-se!



domingo, janeiro 06, 2008

cuecas azuis dão sorte?


Apareceu-me assim na noite da passagem de ano e disse que a coisa só funcionava se eu me apresentasse da cuequinha azul. Dizia que era para dar sorte.
Ora eu que não sou nada dessas superstições – já me conhecem o lado pragmático, não conhecem? – e que detesto consumismos de coisas inúteis, exibi-lhe a gaveta a abarrotar de lingerie variada e fiquei à espera dos olhitos mansos de macho a deixar-se vencer pela sedução dos cetins.
Que cena triste!
Ainda telefonei a duas amigas a ver qual delas me emprestava o acessório - aquela hora onde é que havia comércio aberto? - mas cada uma delas estava a usar o dito, ou antes, as ditas, e tive de reconhecer que aquele dia era de facto o dia da pouca sorte, pois o fulano, visivelmente incomodado, não se portou nem bem nem mal e no fim desapareceu tão depressa quanto tinha chegado, que nem a garrafita do espumante tínhamos ainda acabado.
Fica uma mulher de castigo a engolir as passas para ver se se passa alguma coisa de extraordinário e verga-se a mais uma frustração por causa de umas cuecas.
Isto compreende-se?

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Mise en Scène


Essa coisa da mise em scène fez-me lembrar o Tozé.
Nunca vivi dias tão bem representados. Ele fazia da vida um palco, o lugar onde o drama acontecia a qualquer hora do dia ou da noite.
Mas não falemos de dramas na sua verdadeira acepção pois a língua portuguesa não nos deixa muitas margens. Falemos de entretenimento.
O Tozé tinha o bom hábito de começar sempre pelo estudo da obra analisando cada elemento com o detalhe necessário ao bom desempenho. Durante os ensaios criava e definia caracterizações comportamentais mas tudo com muita movimentação no cenário; o investimento queria-se forte nas atitudes, nos gestos, nas entradas e saídas, enfim, em todos os elementos dos quais dependia o ritmo geral da sua actuação. De facto a resistência física de um actor é uma condição sine qua non para o sucesso, pois pode ser solicitado a executar movimentos exigentes, das acrobacias às pantomimas, da ginástica à dança, pelo que nunca me furtei à maior colaboração no sentido de o manter em forma.
Aquilo é que eram horas de trabalho!
O Tozé era também um grande especialista em dobragens, dizia ele, porque in loco, nunca o vi nesse desempenho, o que foi para mim, diga-se de passagem, fonte de grande frustração, tendo em conta o grau de expectativa. E o que mais me ficou em registo foi um pequeno senão relacionado com o hábito de decorar textos e movimentos. Precisando, como qualquer actor, de uma excelente memória, dei com ele a perguntar-me se não havia "ponto", num dos momentos em que uma terrível “branca” lhe negou a capacidade de continuar a acção.


quinta-feira, dezembro 20, 2007

Fausta Literata

Embrenhei-me nos subgéneros do romance.
Gosto de investigar aquilo que me interessa e quando me interessa. Obrigações, bem bastam aquelas do sustentozinho, que uma mulher não pode andar por aí aos caídos.
Percorri as nomenclaturas e diverti-me porque para cada um dos achados eu tinha a correspondente representação, mas é que aquilo batia tudo certinho, sem tirar nem pôr.
A meio da aventura conheci um romancista, bem entendido, posto que sou mulher pragmática e nunca teorizo sem poder dar o jeitinho à experimentação.
Venho pois, partilhar convosco um pouquinho do que aprendi como actante, mesmo parecendo pretensiosa, que é coisa que nunca pretendi ser. Porém, já que criei este espaço para que se veja a minha erudição por que não torná-lo extensível à minha… Paixão! (ou é ao contrário?)
Pois bem, de romance em romance resolvi que dos de cavalaria ando eu cheia, se bem que de picaresco os cavaleiros tenham pouco e eu, quase a deslizar para o género pastoril, pois que estou a abarrotar de sentimento, decidi que doravante só embarco num romance de aventuras, barroco quanto baste para que o epílogo seja de bom desenlace, sem dramas pelo meio, que de folhetins ando eu fartinha até ao âmago da minha pobre microestrutura. Vou, pois, focalizar-me no acto de linguagem, pelo menos como incipit de uma montagem em que só a pluralidade de registos poderá levar a um myse en abime mais-que- perfeito.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Comparações


Fiquei ali presa, qual adolescente deslumbrada, amarrada às formas, embevecida com a perfeição dos traços, a lembrar todos os Apolos sobre quem as minhas paixões haviam recaído.
Ele era a personificação da beleza mais completa, a dignidade do amante mais terno, a marca perfeita da luxúria, a ânsia do desejo mais corpóreo, a euforia do sonho, a contemplação…


… mas, meu deus, tanta pólvora para tão pouco rastilho?


Não há dúvida! A natureza nunca é perfeita, mas pedra é pedra e a dureza nunca se despreza!
Mas… por que razão tem a fantasia de se assemelhar tanto à realidade?

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Tratar ou não tratar deles

Estava ali sentadinha a ver o envolvente azul dos Jerónimos e a pensar para comigo que tantos homens juntos são um desperdício: desperdício de tempo, desperdício de gasóleo gasto nos voos que os trazem e os levam e nos carrões donde saem para posar, desperdício de euros gastos nas compridas passadeiras que pisam inchados de tanta importância, desperdício de tempo de antena, desperdício de sol, que até brilha mais hoje… ouro sobre azul, dirá Sócrates, ali eufórico a fazer as honras da casa! Look at me! I’m really a very important person!
Alguns quase rebentam os botões dos fatos azuis… bahh, não os queria nem vestidos de pai natal, que as barrigas obesas são um estorvo a qualquer actividade física.
Reparei agora que o Barroso traz uma gravata a condizer com o casaco da comissária, que vem de vermelho.
Ah, lá vem o Zapatero! Humm, este não precisava de se fantasiar de coisa nenhuma…
… mas … pensando bem, o que faço aqui sentada em casa com este ar guloso? Já chega de virtualidades!
Vou aproveitar a borla da carris!

segunda-feira, dezembro 10, 2007

que fazer quado as noites são este pesadelo?!

Não é que os insucessos se somem e me impeçam de ser feliz. Feliz sou eu sempre, ou não fosse faustoso este estado de permanente paixão!
Contudo há umas noitinhas em que a coisa corre menos bem, pelo que esta ausência de compreensão dos homens deve ser um problema que morrerá comigo. Ou… antes morresse, que era sinal que as outras mulheres minhas iguais não o viveriam.
Não, isto não é angústia. É resignação.
Só que de resignação em resignação há uma pergunta que me apoquenta e me amarga os dias. Ou melhor… as noites, pois é no escuro que a coisa mais se complica.
Será que os homens têm todos este problema?
Qual?
É que ressonam que nem uns porcos, normalmente de forma proporcional ao tamanho das suas partes mais interessantes!

domingo, novembro 11, 2007

castanhas e vinho

Estou um bocadinho combalida.
Não, não foi efeito do vinho, que o Martinho não era muito de bebericar. O que ele era mesmo era um verdadeiro labrego, daqueles com quem uma pessoa aceita sair para não ficar fechada em casa que, em dias festivos, o que faz uma mulher sentada à lareira, não estando nem sequer frio que o justifique?
Imaginem onde o homem me levou! Disse-me que a “movida” era no Terreiro do Paço. Ainda lhe perguntei se era outra vez a árvore de Natal, meio atordoada pela grandeza da coisa, que ele vinha apregoando desde ontem.
Claro que me assolou o desejo de grandeza, que é uma coisa que assola qualquer mulher.
Ou consola?
Seja como for, acedi e lá fomos a caminho do centro.
Para estacionar foi o que se viu ... e já se sufocava com o fumo enquanto dávamos voltas à praça. Depois, para chegar lá, foi outra tarefa de Hércules (meu deus, só me ocorrem referências de grande monta!), a furar por entre a multidão de velhos e velhas que clamavam por não haver para todos. E eu não sei? Sempre que alguma coisinha mais apetecível aparece em cena nunca chega para todas…
Não percebi o que fazia ali aquele monstro de latoaria; não fosse o Martinho contar-me eu não acreditava que tal fosse possível, uma coisa de medidas, a puxar para o majestoso, para ser maior do que os outros e entrar no guiness
Mas acreditei, enfim, os homens, quanto toca a medições trepam por qualquer pau ensebado!
E ali, entre a confusão, o calor e o cheiro a suor, vi o Martinho dirigir-se para dentro da vedação e empunhar a forquilha com que virava a castanhada, ao mesmo tempo que abraçava o tosco do engenhoso, amigo do peito, o trasmontano; e seguramente amigo de partilhar as coisas grandes, que as pequenas, digo eu, ninguém as havia de querer, nem assadas!


sábado, outubro 20, 2007

Escutas tu ou escuto eu


- tá lá? sr. Procurador?
- Sim...
- sr Procurador, vinha apresentar uma queixa!
- Sim, diga!
- olhe, sr Procurador, eu acho que o meu telefone 'tá sob escuta; ando desconfiada, sabe!
-...

sexta-feira, outubro 12, 2007

A Fausta recomenda 2.

... nem é por nada!

é que... se calhar eu nem preciso de pôr mais na carta...

... mas os homens quando se encontram serão sempre assim?

ah, tristeza!!!

investir em asas curtas?


Tinha de ser amador; não estou a ver que a criação de passarinhos se faça em regime profissional com quadros de nomeação definitiva e essas coisas. Tão amador que nem tentou arrastar-me a asa e foi preciso eu abrir o bico para ele perceber que afinal tinha ali ao lado - e à mão de semear - uma passarinha.
Não aguento mais este investimento a fundo perdido; nem tão pouco o fundo dos fundos que é onde me sinto ao chegar a casa, de asa tombada e bico rombo.
Que pode uma mulher fazer com um ornitólogo de barriguinha balofa a cheirar a alpista e que passa uma hora a falar do acasalamento das aves?
O que é que fiz? Armei-me em catatua, emproei a popa e arrimei-lhe uma daquelas frases que usualmente caem das varandas das casas decadentes ou das portas das tascas onde o papagaio parece que se enfrascou. Deixei-o de asa à banda!

Venham, poetas, venham!, e escrevam para mim sonetos alados.
Debicarei cada palavra, cada verso, cada rima. E, saltitando, soletrarei os decassílabos, um a um.


quinta-feira, setembro 27, 2007

Em estado de choque


Ele falava-me de fenómenos eléctricos como quem explica o padre-nosso ao vigário.
Interessadíssima não tardei a levar a conversa ao meu campo magnético, ou antes, ao terminal oposto, pois quando se começa pela entrada dos electrões portadores de carga numa fonte de tensão, fazendo-se a passagem através de toda a espécie de condutores e componentes, não tarda que se chegue à desejada luz.
Garanto-vos que se uma pessoa se interessa pelo assunto aprende num ápice e eu não tardei a tomar o gosto pela produção energética, a bem do aquecimento global e do meu próprio. Além disso não consta que haja alguma coisa melhor, em termos planetários, do que a lógica binária, pelo menos quando se trata de descargas eléctricas em circuitos digitais. É uma belíssima maneira de ajustar o magnetismo aos filamentos dos nossos engenhos internos.
Só me lembro de lhe ter dito que sendo a electricidade um fenómeno físico, não há carga que aguente o estado de repouso e, tão rápido como um raio, ele ergueu-se em toda a sua verticalidade. Depois, exibindo-me um núcleo carregadinho de cargas positivas, levou-me em visível atracção durante um intervalo de tempo delta tê alongaaaaaado.


Nem vos conto mais. Ou ficam como eu, em positivo estado de choque.


domingo, setembro 16, 2007

Acabadinha de sair da manutenção



Agora que tudo acabou, estou tão cansada...
Vou ficar assim mais uns dias a descansar da manutenção. Uma mulher não é de ferro!
Sobretudo se quer estar preparada para novas aventuras.
Quem é que agarra esta nova Paixão?

Até já.

terça-feira, julho 31, 2007

Fausta em manutenção


Eu sei que estranham esta ausência mas uma mulher não aguenta este ritmo, tanto mais que um calor destes tira a energia a qualquer um…


Uma vida atribulada como a minha, com aventuras e desventuras a toda a hora, desgasta e envelhece a pele. Para não falar noutros pormenores que andavam a pedir oficina.

De forma que entrei em manutenção.
É que andava já com uns pneus fora de prazo e a fiabilidade dos sistemas estava a falhar, até porque tinha de dar entrada a umas energias alternativas, a bem do arrefecimento global. Doutra forma entraria em curto-circuito em três tempos…

Daqui a umas semanas terei o mecanismo oleado, os geradores limpos, os equipamentos disponíveis e o exterior polidíssimo. A rentrée é que vai valer a pena, só espero ficar reconhecível.

Beijinhos a boas férias a todos.

sábado, julho 28, 2007

Malabarismos




Se a vida é um malabarismo?
Decerto que sim.
Mas isso de filosofar sobre a puta da vida é tão entediante que não vou agora pôr-me aqui a dizer coisas e mais coisas que toda a gente sabe.
Prefiro contar como foram estes dias passados com o malabarista – uma divertida maneira de passar o tempo. Ele falava naquilo da integração corpo-mente e não me parece que tenhamos ficado muito aquém. Desde eventos para empresas a festinhas familiares fizemos de tudo. Serviu-se sempre das diversas partes do corpo, principalmente das mãos, mas também dos pés, dos braços e da cabeça. Querem coisa mais completa?

Do contacto próximo com a arte concluí que não se deve ter medo de tentar; e se não funcionar da primeira vez, não se desiste e tenta-sede novo e de novo. É este o conselho que posso dar-vos.


Como foi?

Foi bom porque meteu muita destreza, muita devoção e sobretudo muitas bolas. Todas manobradas com exímia perfeição e um cuidado extremo.
Se gostei?
Digamos que sim, mas confesso que já andava um pouco enfastiada. Vou agora à procura de formas mais anatómicas!


domingo, julho 01, 2007

Fausta no Circo


Perguntaram-me se preferia pão ou circo.
Um bom Pão seria um singular desejo… mas… a esgotar-se rapidamente na estreia, que o pão é nutriente mas não se multiplica.
A opção Circo era mais vasta e diversificada por isso a minha preferência foi esta até porque a promessa de magia deixou-me a salivar.
Assim, era-me dado escolher entre a diversidade da oferta:
Havia o ilusionista, que dominava a arte de entreter criando ilusões. Não servia. Gosto de entretenimento a sério e de ilusões já tive a minha conta.
Havia o homem-bala, que era um tiro certeiro. Não servia. Não gosto de ser alvejada assim, a toque de percussão.
Havia o palhaço, que costuma fazer rir mesmo sem ter vontade. Não servia. Gosto de um boa gargalhada mas detesto homens choninhas.
Havia o engolidor de fogo, homem de peito grosso e depilado, não fosse o diabo tecê-las. Não servia. Não gosto de bocas lambuzadas e de tipos alambazados; a engolir, que seja eu, já que nem sempre posso estar em brasa.
Havia o homem do pêndulo, equilibrando-se ali direito que nem um fuso. Não servia. Pendentes já os conheço de outras fitas e palavra que já não tenho pachorra para os içar.
Havia o domador de leões, de chicote na mão e voz de comando, o bravo da acção, o destemido. Não servia. Ousadia a mais tira o encanto a qualquer cena e eu, fera, depois de amansada nunca mais seria a mesma.
Havia o contorcionista, o que representa o drama com as flexões do corpo. Não servia. Era homem demais para mim; pôr-me-ia de rastos em três tempos, que a elasticidade de um artista assim, deixa uma mulher assarapantada naquele múltiplo estica-encolhe.

Escolhi o malabarista: prometia o desafio das leis da gravidade, o domínio e o controlo no manejo dos materiais…

Fico com ele por uma noite. Dir-vos-ei depois como foi.

quarta-feira, junho 20, 2007

'tou farta de conversas de gajas


Estava eu a pedir o cafezinho da manhã e já elas, cinco numa mesa e com o botãozinho do som no máximo, riam das suas próprias piadas e olhavam à volta para ver se quem estava presente também se ria.
O Zeca era o único homem na sala; de natureza pacata e de poucas falas, o que diz costuma ser acertado. Olhou para mim e eu para ele e só disse “eu estava aqui tão bem sentado...”
E de que falavam elas? Falavam das dores de cabeça e uma delas apregoava que não perdoava a acusação genérica porque ela nunca se tinha queixado com dores de cabeça, nunca na vida. A Maria João está agora a divorciar-se e anda eufórica, descontrolada.
Já cá fora, olhei para o Zeca e disse qualquer coisa como “estou farta de conversa de gajas”; e ele, com um ar enfastiado, rematou “vai tudo dar ao mesmo!”
Não, não estou a fraquejar. Não virei defensora dos homens.
Mas palavra que ando a ficar farta de mulheres mal resolvidas!
P.S. ainda vou levar nas orelhas, ai se vou!!!

domingo, junho 10, 2007

Voos em queda

imagem daqui


Detesto homens burros.
Não sei como fui capaz de fazer a cedência mas pronto, uma mulher tem de aumentar o seu nível de conhecimentos empíricos nem que seja de olhos fechados.
Afinal ele até prometia dez horas seguidas de elevado nível e eu, que detesto horas mortas, apeteceu-me preenchê-las com a confirmação de tal desempenho.
E depois… os apregoados galões davam à cena um ar um tanto institucional, ainda por cima com as credenciais da Força Aérea Portuguesa e com a promessa em voo de umas horas nos píncaros da glória.
Ai Fausta Paixão, por que caminhos andas!!!
Não tinhas necessidade de fazer mais uma vez a verificação da fanfarronice masculina, especialmente quando ela é galardoada. Os píncaros da glória tê-los-ia atingido o Major Alvega, esse mocetão do nosso imaginário adolescente. Mas este não lhe chegava aos calcanhares, nem no solo nem nas alturas, apesar daquela paranóia pelo controlo aéreo, que ele bem esticava os bracitos para me alcançar a parte superior – o gajo era daqueles que são obcecados por mamas.
Que coisa enfadonha, a mexeriquice e o palavrear esquizofrénico com vista à tentativa desesperada de dar vantagem corpórea ao apêndice. Parecia-me até que a paranóia do cumprimento da missão estava ali colada ao cabelo ralo do major, que só se calava nos momentos em que a língua rastreava os canais. Sempre desafiado pela força da gravidade, digo eu, que a queda dos graves é a primeira coisa que salta à vista de uma mulher.
Acho mesmo que sofria de desorientação espacial, a julgar pelo modo como os olhos lhe saíam das órbitas enquanto se contorcia para gerir os fracos recursos humanos com que a natureza o dotou.
E depois a conversa fiada sobre os movimentos de instabilidade, os desequilíbrios, a resposta do ser vivo na procura de um novo equilíbrio, blá, blá blá… com uma espiritualidade fundada nos Paulos Coelhos que decoravam a estante, deram-me cabo da paciência.
Voos autopropulsionados? Nunca mais!
Nem voos de reconhecimento… que o índice de risco é deveras superior à paranóia do terrorismo internacional com que fui bombardeada do princípio ao fim.

E foi assim que eu aprendi um palavrear novo, muito aeronáutico, tendo desejado, retrognosticamente, nunca me ter passado pela cabeça alistar-me na força aérea.

quinta-feira, junho 07, 2007

em defesa dos direitos humanos, particularmente os meus...

Era especialista em direito internacional; foi assim que esta minha tendência para os intelectuais se viu plenamente satisfeita com a presença de um expert.
Embevecia-me a ouvi-lo falar de direitos humanos…
Reflectindo, que nisso posso gabar-me de ser super-veloz, achei que tinha ali a pessoa ideal para garantir o respeito das obrigações assumidas. Tão subitamente como reflcti… achei que ando a ser implacável face ao 12º direito - o do casamento. Quem sabe… terá acabado de despertar em mim a mulher conservadora a aguardar noivado como forma de reparação da vítima que sou eu própria.
Quer dizer, vistas bem as coisas o que eu queria mesmo era a confirmação do direito ao processo equitativo, bem me importava se existia ou não uma violação da Convenção ou se se cumpriam os prazos legais para a renovação dos mandatos.
Direito ao recurso individual, querido - foi o que lhe respondi quando ele me sugeriu que ordenasse as minhas preferências – esse para mim é o primeiro.
É claro que o direito à vida está aqui bem expresso neste meu cantinho umbilical.
É certo, ainda, que lhe ouvi dizer que defendia a proibição da escravatura e do trabalho forçado, mas quanto a isso nada a fazer que eu sou de muitas insatisfações.
E quanto à proibição de tortura… franzi o nariz: há lá coisa mais apetecível que um chicote!



sexta-feira, junho 01, 2007

domingo, maio 27, 2007

tomates?????

É pá será mesmo complexo das gajas, isto de não ter testículos? *

Sinceramente… eu que os tenho - não os testículos, salvo seja, mas os tomates – e que sou uma gaja, não vejo qual a necessidade de auto-promoção através dos ditos.
E depois a fulana manda-se assim para tudo o que é blogue a dizer que há prémio e não sei quê!... mas tanto quanto me apercebi vai só deixar a marca… o resto é conversa porque ler o que cada um escreve dá cá uma trabalheira… e se assim é, como é que ela sabe se cada um tem tomates ou não?
A blogosfera deve andar maluca…

A pretexto dos direitos humanos??? **

Que um gajo os coce em público para que os olhos de quem passa lhes avaliem o tamanho, ainda se percebe. Eles precisam disso para se fazerem homens. E para que se saiba que não são chumaços...
Mas uma mulher?!!!!
Alguém me explica por que é que aqui precisaram de promover a tomatada a troco da ideia de que o prémio vale a sujeição?
Prémio com tomates?
Sim, devia ser bom, mas eu teria de os ver claramente vistos! E apalpá-los!





* Foi uma gaja que teve a ideia de andar a distribuir tomates, mas não a divulgo aqui, ou estaria a dar-lhe a milionésima possibilidade de ser vista…



**confirmar em qualquer blog... todos têm sido nomeados.


quarta-feira, maio 23, 2007

as artes ... indomáveis




Começa-se sempre pelos preliminares, não é novidade para ninguém! Não vou, pois, perder tempo com aquela parte em que ele fez caminho de mãos sobre os meus pés, numa escalada toda feita de arrepios e ais promissores acompanhada de uis inspirados.
Mas também não desejo acabar já o relato com a outra parte mais barulhenta – raios, tenho de mandar consertar a cama! – pois teria de confessar que os vizinhos do terceiro (o meu é o quarto) devem ter danificado o cabo da vassoura de tanto bater no tecto, para eu sentir vibrar no chão o desespero da inveja. Quando me cruzar com ele no elevador hei-de lançar-lhe o meu olhar malvado… e seja o que deus quiser. A ela não lhe falo nem pintada! Uma mulher que não é solidária com as manifestações de normalidade da outra, mesmo que seja pela madrugada dentro, não merece que lhe olhem para a cara! Aquilo deve ser do peso do rabo, coisa de banda larga a dar-lhe aquele andar de pata-choca…
Mas o que me trouxe aqui foi a questão do auto-domínio.
Cortesia, integridade, perseverança, auto domínio e espírito indomável - foi assim que ele disse, por esta ordem, quando me falou no seu desporto de eleição. Quer dizer, a fixação nas artes marciais como coisa de eleição já nem era muito abonatória, mas pronto, o chorrilho de substantivos dava-lhe credibilidade.
Apareceu-me, pois, imaculado num Dobok largo e convenceu-me: foges à rotina, minha!, aquilo é um escape, mas um escape com mais de mil técnicas! E então se for Shoto Kai é o paraíso; repara, os movimentos são sempre suaves e a energia deve concentrar-se num ponto único!

Que esperavam que eu dissesse?
Nem que fosse Tae Kwondo! Ou Shodo Kan! Ou Aikido! Se até movia energias universais!!! Bóra lá! Fosse eu Atena para emparelhar com Marte e seria perfeição o ideal supremo.
Quer dizer… até que nem correu mal. A gente sabe que a a concentração é indispensável mas aquela coisa de absorver a energia do atacante não sei muito bem para que lado funcionou! E o gajo sempre na defensiva! ...
Mas o bom, mesmo… era aquilo do espírito indomável.
O dele?
Não, o meu!
O dele concentrava-se num ponto único!
O meu, bem coordenado com o auto domínio, deu aquele resultado que foi a longa insónia dos vizinhos.

quarta-feira, maio 16, 2007

Peregrinar


Eu explico.
Esta ausência foi apenas uma questão de fé. A aproximação do 13 de Maio faz milagres nas pessoas e a vista das centenas que caminhavam estrada abaixo com os pés cheios de bolhas e as varizes a estoirar foi a verdadeira revelação.
Meti-me a caminho. Pedi o cajado emprestado a um dos peregrinos mais robustos e peregrinei entre os demais durante dias de cheiro a sovaco e a um chulézito suplementar. Valeram-me os bons tratos de uns rapazes bastante voluntários que estacionavam nos postes (ou postos?) e massajavam as pernas de quem chegava.
Houve um dia em que ainda me pus a jeito várias vezes para uma massagem que chegasse à cervical (eles começavam pelos pés) mas a fila atrás de mim já ia longa e o rapaz de serviço naquele dia e naquele posto não era dos mais voluntários.
O que me custava mais era o roçar do entre-pernas, que uma mulher em marcha dias seguidos acaba por ficar toda assada e não há unguentos que safem a coisa.
Triste fim, digo-vos eu. Era a derradeira tentativa para compreender os homens e uma vez junto ao tronco de azinho não sairia dali sem uma resposta divina.
Porém, no dia exacto acabou-se tudo. Umas boas centenas de moços com coletes fluorescentes em cordão de mãos impediam-me a entrada dizendo que estava a lotação esgotada.
Ora que gaita! Eu cheia de boas intenções e lá tive de voltar para casa sem resultados e, pior do que tudo, outra vez a pé e sem outra companhia que não fosse o cajado.
Pensei assim: ou vai ou racha. Se a fé, quando se trata do ir, não dá frutos, apostemos no vir.
E agora?
É esperar, meus amigos… é esperar para ver!
E para recuperar um pouco, porque estou verdadeiramente nas lonas!!!

sábado, maio 05, 2007

eu, Fausta Paixão

A fatyly puxou por mim...

Se eu fosse uma hora do dia, seria ... 24 sobre 24
Se eu fosse um astro, seria... Plutão, para rimar com Paixão
Se eu fosse uma direcção, seria... o cabo da Boa Esperança
Se eu fosse um móvel, seria ... uma cama das robustas
Se eu fosse um liquido, seria... creolina, para lavar o mijo dos gatos
Se eu fosse um pecado, seria ... a cobiça do homem alheio
Se eu fosse uma pedra, seria ... uma lasca de xisto
Se eu fosse uma árvore, seria ... um chaparro
Se eu fosse uma fruta, seria ... um mamão…
Se eu fosse uma flor, seria ... um antúrio, que tem uma ponta erecta
Se eu fosse um instrumento musical, eria ... uma gaita de foles
Se eu fosse um elemento, seria ... fogo muito quente
Se eu fosse uma cor, seria ... cor púrpura
Se eu fosse um animal, seria ... uma leoa
Se eu fosse um som, seria ... sei lá… o ranger de uma cama, o trote de um cavalo…
Se eu fosse música, seria ... a sagração da Primavera
Se eu fosse estilo musical, seria … pimba
Se eu fosse um sentimento, seria ... paixão
Se eu fosse um livro, seria ... o Kama Sutra
Se eu fosse uma comida, seria ... umas migas de coentrada
Se eu fosse um lugar, seria ... uma ilha deserta
Se eu fosse um gosto, seria ... muito doce
Se eu fosse um cheiro, seria ... o cheiro da paixão
e eu fosse uma palavra, seria ... amor
Se eu fosse um verbo, seria ... fazer
Se eu fosse um objecto, seria ... um edredon
Se eu fosse peça de roupa, seria ... um filme com bolinha vermelha
Se eu fosse parte do corpo, seria ... a parte do meio
Se eu fosse expressão facial, seria ... a languidez
Se eu fosse personagem de desenho animado, seria … a jessica rabit
Se eu fosse filme, seria ... Não compreendo os Homens
Se eu fosse forma, seria ... curva
Se eu fosse número, seria ... não sei se dez é muito? … mas …dependeria do parceiro
Se eu fosse estação, seria ... a estação do Oriente, que é arejada
e eu fosse uma frase, seria ... foi tão bom p’ra ti como p’ra mim?

quinta-feira, maio 03, 2007

I'll be back


... foram só problemas técnicos.
estarei de volta logo que eles estejam resolvidos.

quinta-feira, abril 26, 2007

... agora são os gatos!!!


Tenho um quintal e albergo por lá uma gata desde há uns tempos. Uma fêmea que me dá cuidados como se fosse minha filha. Quer dizer, não é a mesma coisa… mas por causa da prole que possa aparecer, enfio-lhe uma pílula no bucho de quinze em quinze dias e a pobre bichana anda ali como se estivesse no paraíso.
Entretanto apareceu um gato. Preto. Escanzelado. Dei-lhe comida e ele cresceu a olhos vistos. Nem se dão mal…. Ele às vezes quer trepar-lhe p'ra cima mas ela, coitadinha, o que quer é sopas e descanso e troca-lhe as voltas.
Porque é que estou a contar isto?
Porque ando com uma coisa aqui atravessada! É que …. descobri que também não compreendo os gatos!!!
Será que ando a ficar com problemas psiquiátricos?
O gato preto deve ter pensado que era da casa, porque agora sempre que algum outro ronda o quintal há luta brava. Enrolam-se um no outro, o preto e o amarelo ou o preto e o pardo, porque o de cá marcou o território dele e não deixa nenhum dos outros entrar.
Pois querem saber o que faz o amarelo ou o pardo quando o preto se ausenta?
Entram cá dentro (à vez, está claro) e mijam em tudo o que é sítio: na porta de entrada da casa, nos canteiros das flores, no portão da garagem, nos postes, em cima da salsa, no muro, nas cadeiras...
Alguém pode esclarecer-me... já que gatos destes não têm sido a minha especialidade: isto é normal?