Estou profundamente atordoada.
o meu relatório pode ter saído confuso, mas podem crer que depois de
Exercícios Espirituais relatados no
dela as coisas poderão ter mudado muito...

Do que me lembro melhor é da contemplação da
imagem do espécimen dito divino que ela publicou lá na salinha onde se chutaram trezentos e tal comentários esta madrugada. Sem sinais visíveis de divindade no deus exposto e à falta dos amigos do
Adriano - esses sim de fazer crescer água na boca – decidimos que nos encontraríamos as duas para comprovar se seria moda ou não essa coisa de percentagens na capa de jornais. Seríamos nós meninas de fazer engrossar as estatísticas ou outras coisas igualmente mediáticas? Pelo sim pelo não montei-me na minha vassoura de cano grosso e fui a caminho do mundo misterioso da cenestesia. (uma vassoura sempre serve para alguma coisa...)
O que vão ler não se aproxima das reflexões filosóficas da
Diva, companheira de escritas famosas mas também de certos desconsolos. Sou eu mais de coisas materiais do que espirituais, logo, não foi para mim muito fácil deitar-me naquela cama onde pairavam dezenas de outros espíritos em manifesta promiscuidade. Mais habituada a coisas prosaicas achei que iria ali estar para o que desse e viesse.
Ela diz que viu coisas, pernas a colarem-se a pernas (eu diria a
empernarem), penetrações de corpo e bandeiras harmoniosamente espetadas; fala-me de cenestesias, sensações vagas internas ultranormais… e essas coisas que as mulheres pensadoras sabem dizer.
Eu por mim lembro-me daquela luz ofuscante quando ela me mostrou o sinal no mamilo e a seguir só me lembro do Santo Inácio me perguntar
se era mais vontade ou mais sentimento e se o achava mais deus ou mais macaco; não sei se se referia à barba ou àquela coisa de “disse deus ao homem: não te fiz celestial nem terreno, mortal nem imortal; poderás tu próprio, pela tua vontade, tornar-te bruto irracional ou alcançar a perfeição”.
Como um santo de bruto não tem nada, pedi-lhe para me mostrar a perfeição. E ele deve ter feito algo de muito perfeito porque foi nessa altura que senti alguma coisa penetrar o meu corpo. Ora se ela diz que nós nos fundimos e eu vi claramente visto que o Santo Inácio acordou todo amarfanhado, terá sido uma tripla fusão? (diria
trisão). Terão sido as courgettes que levei escondidas na palha da vassourinha para o caso de a coisa não correr bem?
Depois fiquei ainda mais baralhada com o ressonar. Não percebi se era o
Finúrias ou o
Manel. Ela diz que os viu mas eu (que não sou nada sem a bola de cristal que atirei ao
mariconço), estava ofuscada com a luz vermelha que o outro projectou em mim e acho que não vi nada a não ser este foco que ainda me está a toldar o raciocínio.
Alguém me pode explicar o que se passou, fazendo o cruzamento dos dois relatórios?