
Ele tinha até um jeito engraçado de falar, uma coisa assim entre o chefe de secção e o dono de casa. Mas era cinzento dos pés à cabeça e isso aborreceu-me. Até porque o antevi de pantufas e de comando na mão a ressonar num sofá de paninho coçado.
Contudo a agência matrimonial tinha-nos posto no mesmo caminho e eu acreditei que aquilo funcionava, pois tinha pago uma quantia razoável para desperdiçar ali todas as minhas esperanças.
Aquela horazita de conversa enfastiou-me e não hesitei em demonstrar-lhe que eu não era a pessoa indicada. Há que ser diplomata nas alturas certas e não ia dizer-lhe que as mãozinhas sapudas me arrepiavam mais do que a falta de cabelo, que uma mulher não se pode guiar apenas pela contagem dos pêlos.
Enfim, lá fui ao jantarito, mas fiz descambar a conversa pois estava interessada em vencê-lo pelos excessos escabrosos, mas parece que quanto pior me pintava mais ele arregalava os olhos. Homem estranho, ostentando um sentido de humor dito assim em confissão, que quem o tem não o declara, mostra-o.
Às tantas pensei que devia aproveitar. O homem devia ter alguns atributos, não era possível que me tivessem vendido uma mercadoria de tão pouco valor. Fecharia os olhos e aguçaria os sentidos. Tinha bebido o suficiente para que a tontura fosse gostosa e a promessa de uma noite em glória elevava-me o volume da satisfação, visível quer no rubor das faces, quer na dimensão da parte superior de um decote escolhido para a ocasião. Esperava eu que a elevação fosse bilateral e, de preferência, duradoura. Mas… o que se seguiu ainda me aflige a tranquilidade das mãos e o que recordo é a pele arroxeada e morta de uma coisa fria e sem uso. Não estranhem a frieza com que o digo. Ali até a saliva era fria. E nem umas mãos calorosas e um corpo arqueando-se em malabarismos fizeram o milagre da ressuscitação.
Não sei se ficou vexado. O que me pareceu, na realidade, é que aquilo devia ser habitual e que mais um fracasso não lhe acrescentara nem diminuíra nada.
Fica uma mulher a babar-se de excitação, antevendo horas de trabalho duro até à vitória final e depois tem de bater assim em retirada como se cada minuto a mais fosse um ultraje à sua honra de fêmea.
Contudo a agência matrimonial tinha-nos posto no mesmo caminho e eu acreditei que aquilo funcionava, pois tinha pago uma quantia razoável para desperdiçar ali todas as minhas esperanças.
Aquela horazita de conversa enfastiou-me e não hesitei em demonstrar-lhe que eu não era a pessoa indicada. Há que ser diplomata nas alturas certas e não ia dizer-lhe que as mãozinhas sapudas me arrepiavam mais do que a falta de cabelo, que uma mulher não se pode guiar apenas pela contagem dos pêlos.
Enfim, lá fui ao jantarito, mas fiz descambar a conversa pois estava interessada em vencê-lo pelos excessos escabrosos, mas parece que quanto pior me pintava mais ele arregalava os olhos. Homem estranho, ostentando um sentido de humor dito assim em confissão, que quem o tem não o declara, mostra-o.
Às tantas pensei que devia aproveitar. O homem devia ter alguns atributos, não era possível que me tivessem vendido uma mercadoria de tão pouco valor. Fecharia os olhos e aguçaria os sentidos. Tinha bebido o suficiente para que a tontura fosse gostosa e a promessa de uma noite em glória elevava-me o volume da satisfação, visível quer no rubor das faces, quer na dimensão da parte superior de um decote escolhido para a ocasião. Esperava eu que a elevação fosse bilateral e, de preferência, duradoura. Mas… o que se seguiu ainda me aflige a tranquilidade das mãos e o que recordo é a pele arroxeada e morta de uma coisa fria e sem uso. Não estranhem a frieza com que o digo. Ali até a saliva era fria. E nem umas mãos calorosas e um corpo arqueando-se em malabarismos fizeram o milagre da ressuscitação.
Não sei se ficou vexado. O que me pareceu, na realidade, é que aquilo devia ser habitual e que mais um fracasso não lhe acrescentara nem diminuíra nada.
Fica uma mulher a babar-se de excitação, antevendo horas de trabalho duro até à vitória final e depois tem de bater assim em retirada como se cada minuto a mais fosse um ultraje à sua honra de fêmea.
Ó senhor Silva, bem sei que estamos no era do digital mas a uma mulher ainda lhe sabem bem as tecnologias antigas!














