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terça-feira, dezembro 05, 2006

Em memória do Natalino, que eu hei-de trazer de volta...



Uma mulher não passa sem a sua dose de ternura.
Por mais que digam que as coisas do corpo são assim a puxar para o mecânico e que depois de oleada a engrenagem tudo funciona com menos chiadeira, quem me tira as doces memórias tira-me tudo.
Bem… tudo, tudo, não!, porque de memórias não se vive propriamente com a qualidade desejada, mas esse é outro assunto; e não é agora que vou estragar o espírito natalício - que este mês já começou a anunciar-se - trazendo exigências à conversa. Para isso já bastam os comentários bem mordazes dos homens que passam por aqui.
Só que hoje deu-me para a nostalgia e lembrei-me do Natalino.
Ah! Não venham para aqui dizer que sou mulher insatisfeita. Nem tudo me correu mal na vida!
É por isso que em dias como o de hoje, com a chuva a fustigar-me as vidraças (ui, que mimo de frase!) e as memórias a darem-me cabo do canastro, veio-me à memória o Natalino, que partiu dizendo que o amor é bom mas tem o seu tempo, como todas as coisas.
Ora, não sendo eu mulher de ficar quieta à espera que os Pais Natais caiam dos céus, resolvi que eu também vou partir. Vou rumo ao frio do Norte. Não é que eu goste muito dos efeitos do frio sobre a pele dos interiores, mas se o encontrar… juro que o trago para junto da minha lareira, mostro-lhe a imagem da árvore de Natal maior da Europa para o estimular à competição e hei-de mantê-lo quentinho até à conso(l)ada.

sábado, dezembro 24, 2005

Natalino

O Natalino foi das passagens mais efémeras da minha vida. Talvez mesmo a mais efémera. Porque me lembro dele? Porque foi por esta altura que ele apareceu. Vinha gelado.
Acolhi-o com paninhos quentes e goles de aguardente velha para o reanimar. E partilhei com ele a minha cama, que o espírito da época assim mandava.
Quando lhe perguntei de onde vinha, fugiu à resposta e depois não tive tempo de saber para onde ia.
Mas era uma figura possante, de presença cheia, caloroso nos gestos e meigo como um cachorro.
Na intimidade pedia para ser a Rena, porque estava farto de ter protagonismo e adorava que lhe pusessem os cornos. E eu, habituada às mais variadas fantasias, não estranhava o pedido e fazia-lhe a vontade. Vestida de vermelho e com um cachecol felpudo a rodear-me os ombros de branco, pegava nas rédeas e fazia ho.ho.ho… e o Natalino sorria, fechando os olhos. E em sussurro ia falando em consoadas embora eu dissesse consolada. E estava.
Eram um gozo de excepção as nossas cenas festivas. Gostava de deslizar com ele pela neve dos nossos sonhos da estação fria, agarrar-me ao tronco e enfeitar-me com as bolas. Era uma árvore de Natal perfeita a que fazíamos juntos. E se eu gostava dos presentes! Era vê-lo a despejar-me o saco no colo e eu, deslumbrada, a pedir mais.
Depois não sei se se cansou ou se era próprio da sua natureza escapar-se assim como tinha chegado. Mas foi. Exactamente no dia 31 de Dezembro, murmurando que o amor é bom quando é só por uma estação.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Vou ter com ele...

Gostava de conseguir descrever o Dani.
Quando se está em situação de paixão intensa todas as palavras são de apoucamento por isso não liguem muito aos exageros, se eu carregar nos efeitos decorativos. Mas duvido que alguém conseguisse fugir ao seu apelo perfumado.
Porém, não é ainda hoje, que me falta o tempo para palavreado!
Vou ter com ele…