
Uma mulher não passa sem a sua dose de ternura.
Por mais que digam que as coisas do corpo são assim a puxar para o mecânico e que depois de oleada a engrenagem tudo funciona com menos chiadeira, quem me tira as doces memórias tira-me tudo.
Bem… tudo, tudo, não!, porque de memórias não se vive propriamente com a qualidade desejada, mas esse é outro assunto; e não é agora que vou estragar o espírito natalício - que este mês já começou a anunciar-se - trazendo exigências à conversa. Para isso já bastam os comentários bem mordazes dos homens que passam por aqui.
Só que hoje deu-me para a nostalgia e lembrei-me do Natalino.
Ah! Não venham para aqui dizer que sou mulher insatisfeita. Nem tudo me correu mal na vida!
É por isso que em dias como o de hoje, com a chuva a fustigar-me as vidraças (ui, que mimo de frase!) e as memórias a darem-me cabo do canastro, veio-me à memória o Natalino, que partiu dizendo que o amor é bom mas tem o seu tempo, como todas as coisas.
Ora, não sendo eu mulher de ficar quieta à espera que os Pais Natais caiam dos céus, resolvi que eu também vou partir. Vou rumo ao frio do Norte. Não é que eu goste muito dos efeitos do frio sobre a pele dos interiores, mas se o encontrar… juro que o trago para junto da minha lareira, mostro-lhe a imagem da árvore de Natal maior da Europa para o estimular à competição e hei-de mantê-lo quentinho até à conso(l)ada.

