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quarta-feira, março 21, 2007

Ai Primavera... de novo!


Em tempos idos escrevi aqui uns versos brincalhões mas depois
especializei-me nas rimas e na métrica até me sair das unhas um soneto,
que é coisa feita quase a martelo, por causa da cadência.

Ei-lo.

Gosto de te sentir quando amanhece
Teu corpo no meu corpo, docemente
Desfrutemos, amor, este presente
Esta doce ventura que enternece.

Assim pousado em mim, teu corpo oferece
O instante da loucura permanente
Colados, tu e eu, num beijo ardente
Seremos, meu amor, bendita prece.

Mantém as tuas mãos junto de mim
Que eu quero em teu carinho enlouquecer
Não digam que é pecado amar assim

Depois de te beijar, de te morder
É louca a sensação de não ter fim
E é longo o teu gemido e o meu prazer.

… e é por hoje ter sido Primavera que me apetece editá-lo de novo.
Se estou a florear? É bem possível, mas como há dias confessei, estou apaixonada: só o estado da paixão é que nos faz escrever coisas assim… ou não é?

quarta-feira, novembro 30, 2005

Passarinho Novo

Eu diria que foi assim, se tivesse de contar:

Ele tinha nos olhos um brilho arredondado que me empurrava para dentro de uma cercadura mágica; e eu já nem compunha as palavras, elas estavam vivas e saltavam de uns olhos para os outros. E então falámos de amores perdidos. E de Primaveras no Outono.
Serviram-nos vinho e soube bem, ajudou a soltar o calor das mãos, que se tocaram, acesas. E ele dizia “fica”, ou era eu que escutava “fica”, lá do fundo de uns olhos onde se abriam asas. Isto depois de eu ter chegado, depois do deslumbramento do rosto à minha espera, depois do sol se ter escondido à beira do espelho das águas. Depois ele beijou-me e eu disse “fico”. Depois ele deve ter dito “vai”, mas eu não sabia se os ouvidos me enganavam ou se era a música da sua voz a embalar-me a racionalidade. Ou eu disse “vai” e ele não quis ouvir-me. Há coisas que não chegam, que não são suficientes para preencherem alguma coisa que em nós está permanentemente vazia, pensava eu. Há coisas que, se correm mal, apagam a magia dos olhos e quebram a dimensão das asas e arrefecem o calor das mãos, pensava eu.
Contudo, rendi-me. Quis render-me, acto consciente e livre.
Não sei se lhe chame desejo ou apelo do corpo, mas também é isso. Não sei se lhe chame aventura ou escalada para as nuvens, mas também é isso. Não sei se lhe chame desafio ou ousadia, mas também é isso, dizia eu, arredondando as palavras para dentro.

sexta-feira, novembro 25, 2005

O encanto

Não contava ouvir o que ele veio dizer-me ao telefone.
Há coisas que, sendo inesperadas, soam como música!
Tenho feito o possível por ser cautelosa, por isso baixei o nível de expectativas. E convenço-me de que o pouco basta.
Não, não é anulação da vontade... É uma questão de respeito porque com ele todas as coisas têm de ser sublimes... eu não sei dizer o que é, ainda não sei dizer por palavras, não sei as palavras certas, mas esta relação não é uma coisa comum… porque ele não é uma pessoa comum. Há um encanto diferente nesta coisa de olhar para os seus olhos ou de ver o seu sorriso…
Hoje apetecia-me apenas que ele deitasse a cabeça no meu colo, sim era isso que me apetecia, para lhe enrolar os cabelos nos meus dedos e ficar assim a dar-lhe ternura, que ela anda aqui em excesso e tem de ser dada.

Há pessoas que são os nossos amigos de longa data e dos quais não prescindimos pelo sentido da gratidão, misturada com aquilo que foi paixão ou amor e de que resta um elo forte. Há pessoas que são os nossos amigos de mãos dadas, pessoas de cristal. Há pessoas que nos fazem sentir o instinto animal do corpo, podendo nós segui-lo ou não porque somos livres. Há pessoas, ainda, a quem gostamos de seduzir apenas para sentir o poder desse feitiço. Há pessoas por quem nos deixamos seduzir porque esse jogo é bom e compensa os azedumes de outras coisitas menos boas da vida. Há pessoas e pessoas e pessoas…
Se retirássemos de cada uma aquilo que nos agrada e construíssemos a pessoa perfeita, aquela que procuramos como o ideal de amor que queríamos que preenchesse a nossa vida… o que ficaria depois para ter, para procurar, para idealizar?
Ainda bem que podemos usar e aproveitar e explorar e incentivar esta diversidade.