domingo, janeiro 01, 2006

Jantar de negócios

Disse-me que o jantar ia ser em grande e que eu devia ir muito bonita. Isso não seria problema, disse eu, mas o Vasco replicou que caprichasse no decote, já que os atributos devem sempre saltar à vista.
Ora bem. Não só fiz gala dos meus atributos como ainda fui generosa noutros pormenores que agora não vêm ao caso.
Sentados à mesa, a coisa prometia. Pelo menos a diversão estava à vista com as histórias a choverem de todos os lados. Impressionavam-me os relatos que eles faziam da caça às perdizes e a outras galinholas, embora me tocasse mais a caça às rolas por ser observadora e não me escaparem facilmente os atributos postiços das presentes. Os empresários tratam-se bem, pensava eu, enquanto esticava os dedos para olhar de novo o brilho que adornava o meu anelar. E o Valentim Matias, acompanhado por uma morena musculada, emproava-se todo a contar a cena do javali, enquanto encostava o joelho ao meu por baixo da mesa.
Falava-se de dinheiro - compras, vendas, trocas, impressos e formulários, notários e secretarias – e de carros. O Vasco só pensava no Lisboa-Dakar, mas faltava-lhe o co-piloto. Tinha de sair dali a equipa, dizia ele.
Às tantas enfastiei-me. Não me soava bem a exibição verbal de tantos negócios, sendo que todos eles ostentavam a sua própria como sendo a mais potente e acabada viatura da criação. Ora, de subsídios sabia eu, que já tivera amigos subsidiados em quantidade suficiente, mas para jipes?!
Às tantas perguntei mesmo, em voz melada “mas Vasco, esbanjar assim esses fundos?”;
“Não te preocupes, fofa, tu e estas meninas ainda hadem gozar de prazer no SPA que montei no Monte de Santa Quitéria” - e continuava: “as estufas já lá estão armadas, que aquilo é digno de se ver; só para plástico foram umas milenas; agora é plantar os tomateiros e deixar que o chão deia frutos; e se não der... quero lá saber!”
Arrepiou-me a perspectiva... mas o pior foi a fala com que o Vasco Nabo rematou a noite, quando pagou a conta: “não tênhamos ilusões: os fundos cobrem isto e muito mais...”

20 comentários:

pirata vermelho disse...

(eu sabia!... esta é imorrível...)

percebe-se que saibas porque é que tenho cada vez maior dificuldade em almoçar e jantar nas lojas desta lisboa qu'eu amo.
...ava!

'brigado po teisto!
vou falar ó vasco...

pirata vermelho disse...

(viste-me!? estava duas mesas depois da vossa...)

Lúcia disse...

Tênhamos??? Adorei o pormenor.
LOLOLOL. Que categoria!

Toze disse...

Pelo menos vê se sacas algum dos "fundos" , eheheheheheheheh

maria_arvore disse...

:)))
Como resististe ao jantar sem tradução simultânea? ;)

Ah e lembra ao Vasco que este é mau para a plantação de jipes que já pagam IA.;)

Mac Adriano disse...

Uma imagem, infelizmente, muito real do país que temos. É mesmo para aí que vão os fundos neste país: para matarruanos que enriquecem assim descaradamente. Era bom que este texto não passasse de uma pérola da ficção. Mas, embora seja uma pérola, não é ficção. Nunca passaremos de um país de e para analfabrutos. Parabéns, pois poucos escreveriam "hadem", "deia" e "tênhamos" com a consciência do erro. A má notícia: percebes demasiado de português e tens demasiada consciência social para alguma vez vires a singrar neste estúpido país que prefere alimentar pançudos matarruanos. Emigra, para teu bem.

mfc disse...

Esse linguajar arruma qualquer desejo!
"Alembro-me" vagamente de... nada!

Zeak disse...

Para começar tenho mais uma xafarica no bornal.
Passa pelo Plagiadíssimo e não te acanhes.

Lúcia disse...

hadem... deiam... as vírgulas, pelo menos, estão lá. LOLOL

ivamarle disse...

xiça...! tens de ensinar o tal Vasco a falar português Fausta, aquilo é uma vergonha...

Toze disse...

Ó Fausta , arranjas cada cromo rapariga LOOOOOOOOOOOOOL

patologista disse...

Rapariga, conseguiste ficar até ao fim? Com companhias dessas é melhor estar sózinho e sem dinheiro.
É fantástico observar (e eu no meu trabalho vejo muitos) como o dinheiro não dá bom-gosto nem bom-senso a ninguém.

POLYPHEMUS disse...

Pode saber-se quais os "artributos postiços das presentes"?
E os presentes, seriam artibrutos?

Fausta Paixão disse...

Obrigada Carlos. E obrigada Lima. Não sei porquê, este texto saíu cheio de erros!!!

Joaninha disse...

Ai Fausta, tens a certeza que o joelho não era o da mesa???????
Bem numa situação muito parecida, quase irreal, alguem que petiscava o meu joelho, quando me atrevi a um pouco mais, exclamou: estão a tentar violar-me! Agora imagina a minha cara..... e até estava a saber bem...até ...
Auele beijo!

MRF disse...

oh fausta queiroza! só faltava seres mãe do Vasco, sem saberes! e jantar foi no Tavares Rico, aposto. Delicias-me.

kimikkal disse...

Esse pessoal mete-me nojo!

~(pronto, já desabafei)

(Ai estes traumas...)

sem cantigas disse...

tens uma imaginação diria...

Rosario Andrade disse...

Querida Paixao!
... oh minha linda, mas em que seca te foste meter!!!!!! Uma coisa sao passarinhos... outra coisa sao passaralhos brutos. Ve-te livre dele, quanto antes!

Abracicos!

Anônimo disse...

Nã fica bêm gabarme masaté eu abrilhava