quarta-feira, dezembro 14, 2005

As rimas do coração (II)


Preocupada com as minhas clientes que, como se comprova, não compreendem os homens (porque parece que a questão é irresolúvel - eles também não as compreendem a elas) aqui estou para mais uns conselhos do coração:

Ela queixou-se assim:

querida madame fausta
que fazer co 'esta paixão
qu' até era moça astuta
mas ando cá c' um melao!
encontrei-o numa tascaa
dar minis ao balcão
não tinha ar de panasca
até me tocou co'a mão
disse sim em meia-hora
disse sim na Boa-Hora
convencida qu'era moço
pra gostar de mordiscar
este corpo qu'é um tremoço
descobri ao fim d'um tempo
qu'apesar de ter pescoço
já perdeu todo o caroço!
e para a lida da casa
n' é que também saiu torto?
é incapaz de pôr almoço
sem armar um alvoroço
apesar destes defeitos
ao pensar em separar-me
fico co' ares rarefeitos
diga-me minha senhora
conhece alguma mezinha
tipo assim avé maria
padre nosso ou ladaínha
que tenha efeito na hora?
ou pílula ou toy'r'us
que o deixe como um ás
naquilo que mais me apraz?
posso dar a cuequita
ou pedaço da guedelha
pra fazer uma rezinha
qu' o deixe menos azelha
mesmo usando ele slipe
seja quase careca...
mas se vir que não consegue
mudar a coisa num clic
queime a paixão que me persegue
e faça-me esquecer este tareco

Pois aqui vai a resposta, menina Maria:

Com esta a coisa fia mais fininho
Que ela não se ficou no perguntar
E deixou uma história bem contada
Para a Fausta analisar

Pois bem, aqui vai a respostinha
Mas cuida bem de ler com atenção
Que os homens, quanto mais a gente dá,
Mais exigem do nosso coração

Não adianta rezares avé-Marias
Nem ladainhas vão adiantar
O que tens de fazer já depressinha
É pôr o gajo a andar

Depois, um pouco mais aliviada
Sem preocupação com esse moço
Então, mais à vontade, poderás
Arranjar quem te cuide do tremoço

E veio a joaninha com perguntas rimadas:

Minha querida Fausta Paixão/ Venho apelar à tua sabedoria./ Quero saber qual a razão/ Os porquês desta agonia…/ Se a bola for de sabão/ E não ler seus pensamentos,/ Então não haverá razão/ De revelar meus tormentos…/ Mas se de cristal for,/ Então eu quero saber,/ Onde anda meu amor…/ Para eu o conhecer…/ Se é aquele ao contrário,/ Que pensa no seu amigo,/ Então subo o meu calvário/ Indiferente a qualquer perigo…/ Dizei-me Falsa Paixão/ Se ainda posso esperar/ Ou apenas manter ilusão/ Por aquele que estou a amar…/ Homens são um desastre/ E juro, não sei escolher/ Aparece cada traste,/ Que o melhor é esquecer…/ Se a consulta não for cara,/ Prometo que voltarei./ Querer saber nunca mais pára,/ Porquê tanto esperei…

ui... não consegui colocar as quadras em posição... acho que a bola danificou o template.

Assim ficam bem, Joaninha?

Pois então:

Falaste-me de trastes, Joaninha

Acredita! Tens razão.

Que às vezes vale mais estar sozinha

Que sofrer do coração.

Os homens só nos trazem é sofrer

É o nosso triste fado

Cuida mas é de ti com atenção

E está o caso arrumado.

10 comentários:

jp disse...

Ainda deixas a porcaria do cristal sem brilho,pá
;P

MRF disse...

madame fausta
ai qu'até já estou exausta
só de pensar na ideia
d'apanhar uma tareia

mas já tenho um grande saco
assim cheínho d'areia
pra enterrar o tareco
se ameaçar com um sopapo

vou largá-lo num instante
seguindo o seu conselho
só espero no entanto
encontrar rapidamente
um rapazinho a contento

mfc disse...

Essa Bola de Cristal é ímpar!
Tem solução para tudo!
... como vai sair mais, vou-me por aqui ficando sentadinho que não quero perder pitada.

Joaninha disse...

Ai Fausta, que emoção!
Ao receber tua missiva,
E até te dou toda a razão
Em não voltar a ser passiva
E mandar o traste ao ar…

Dos versos, já não importa,
A forma ou configuração,
O que vale é não estar morta
Por toda aquela paixão…
Por um traste de “tarar”…

E como acato o conselho,
Só tenho de agradecer,
Antes que o amor fique velho…
O melhor é reconhecer
Que há mais trastes para olhar…

Realmente, nosso fado é tristeza
E vou cuidar mesmo de mim…
Vou livrar-me da esperteza
Daquela rosinha carmim…
Que me estava a atrofiar…

Obrigada Fausta, do coração
E como vem aí o Natal,
Vou deixar-te um “abração”
Duma amizade sem igual,
Para que me possas recordar…

Beijinhos

Fausta Paixão disse...

Obrigada Joaninha.´
Sempre à disposição para animar corações tristes.

pirata vermelho disse...

uma gaja combatente tem o meu apreço se souber morrer de lança espetada no ventre!

sem gritarias...

Fausta Paixão disse...

Mas porque é que tu passas o tempo a embirrar?
Eu sou tão certinha!
Ainda por cima não me dás hipótese de comentar
Na tua casinha.

Vai daqui uma beijoka para iniciar as téguas, pirata vermelho.

Fausta Paixão disse...

Ainda por cima ameaças espetar-me uma lança no ventre? E não queres que esperneie?

pirata vermelho disse...

o espernear é próprio de ocasiões festivas.
sem atabalhoamentos pseudo entusiásticos, claro!

não és certinha
não tenho casinha

dava-te beijos de o decoro não m'impedisse

a sua vizinha disse...

Pronto, lá tou eu a refilar
Mas olhe que não entendo
O que esse vizinho pirata,
Ainda por cima vermelho,
Está para aí a insinuar...
Mas como estamos no Natal
Eu cá não quero desacatos.
Os gajos,quando crescidos,
São piores que os gaiatos!
Mas sabe, estou apaixonada...
Não sei como isto me aconteceu...
Todo o dia só penso nele...
Eu nem sei o que me deu...


Já não sei passar sem ele
Sem ele a vida não faz sentido
Dona Fausta, o que é que faço?
Diga-me lá aqui ao ouvido.
Sinto o coração aos pulos,
Nem durmo com as palpitações
Ó Madame, juro, nunca me vi
Metida em tais aflições!
Mas ele é assim tão querido,
Tão doce...tão delicado...
Não consigo resistir-lhe...
Estou metida cá num assado!
Acuda-me, ó Madame Dona Fausta,
Eu estou muito desorientada...
Então agora, depois de velha,
Fico assim apaixonada?!...