quinta-feira, abril 26, 2007

... agora são os gatos!!!


Tenho um quintal e albergo por lá uma gata desde há uns tempos. Uma fêmea que me dá cuidados como se fosse minha filha. Quer dizer, não é a mesma coisa… mas por causa da prole que possa aparecer, enfio-lhe uma pílula no bucho de quinze em quinze dias e a pobre bichana anda ali como se estivesse no paraíso.
Entretanto apareceu um gato. Preto. Escanzelado. Dei-lhe comida e ele cresceu a olhos vistos. Nem se dão mal…. Ele às vezes quer trepar-lhe p'ra cima mas ela, coitadinha, o que quer é sopas e descanso e troca-lhe as voltas.
Porque é que estou a contar isto?
Porque ando com uma coisa aqui atravessada! É que …. descobri que também não compreendo os gatos!!!
Será que ando a ficar com problemas psiquiátricos?
O gato preto deve ter pensado que era da casa, porque agora sempre que algum outro ronda o quintal há luta brava. Enrolam-se um no outro, o preto e o amarelo ou o preto e o pardo, porque o de cá marcou o território dele e não deixa nenhum dos outros entrar.
Pois querem saber o que faz o amarelo ou o pardo quando o preto se ausenta?
Entram cá dentro (à vez, está claro) e mijam em tudo o que é sítio: na porta de entrada da casa, nos canteiros das flores, no portão da garagem, nos postes, em cima da salsa, no muro, nas cadeiras...
Alguém pode esclarecer-me... já que gatos destes não têm sido a minha especialidade: isto é normal?

domingo, abril 22, 2007

o Maestro


Já aqui tenho falado dos benefícios do treino.
É costume dizer-se que todas as qualidades são dons naturais que só progridem se praticados e treinados à exaustão. Há talentos inatos que, se descuidados, perdem-se.
Por isso é que recorri aos trabalhos do Maestro, que diziam ter o raro privilégio de possuir, não somente uma sólida formação no domínio da arte de posicionar a voz através dos mecanismos da biofísica da fonação, mas também uma longa experiência pedagógica. Iríamos, pois, dedicar-nos à técnica da voz cantada.
A primeira coisa que me disse, quando começamos as nossas lições de canto, foi isto: toda a arte é difícil, mas se o interessado for ágil, dócil e expressivo no desempenho, os resultados serão os esperados. Era só tirar partido das cavidades do corpo – a nasal, a craniana, a toráxica e a bucal – e dos articuladores, onde cabiam a língua, os lábios, o palato duro e o palato mole, os dentes e a mandíbula.
Adoro gente com vasta experiência no uso dos órgãos e o Maestro tinha descoberto a importância da função vocal na estrutura da personalidade, mobilizando isso todo o corpinho.
Empolgava-se quando dizia que para além das notas e das palavras, existe algo invisível, impalpável, que é preciso adivinhar, sentir, expressar e que não está escrito. E falava de um canto interior e vibrante através do qual podíamos libertar os pensamentos e os sentimentos. Era aí que as minhas expectativas cresciam, aguardando impaciente que a relação íntima entre o corpo e a voz crescesse também.
De lição em lição ele lá ia dizendo que a minha personalidade era ritmada e poderosa e que estava a meio caminho de conseguir a flexibilidade necessária à perfeição.
Ora é sabido que detesto ficar ali pousada em meios caminhos, sem sair do nem p’ra lá nem p’ra cá. Tinha de agir depressa ou caía num impasse chato. Ainda por cima obrigava-me a beber litros de água quando a mim o que me apetecia era umas bejecas geladas para criar ambiente. Mas não, aqueles exercícios repetitivos de duas oitavas e meia na escala vocal e três de uma oitava para falsetes estavam a deixar-me enervada.
Mas o dia pior, mesmo, foi ontem. Não aguentei.
Primeiro proibiu-me os derivados do leite a pretexto de que engrossam a saliva e dificultam a articulação das palavras e a vibração das pregas vocais e depois reagiu que nem um possesso à minha observação do exercício laríngeo.
Então eu andava ali a deixar couro e cabelo para perder o meu tempo com as habilidades instrumentais básicas depois da expectativa das abordagens integrais?

sexta-feira, abril 20, 2007

Terapia da fala


Há coisas de que é difícil uma mulher recuperar
De vez em quando lá me vejo a braços com merda suficiente para me debruçar sobre a desgraça e ficar uns dias de molho.
É aquela promessa de aleluia, gemida em agudos, que me deixa constantes ilusões; mas o que eu sou, mesmo, é uma ingénua… venham cá vocês dizer se se pode confiar nos homens! Era o podes! Chibos, espécie de gentinha encornada, camelos embossados em vistas curtas, de armadura em riste como se a vida fosse apenas enrolanço e beijação.
Uma mulher quer mais.
Nunca neguei que gosto de cama, onde quer que ela seja feita. Acusem-me de perversidade, vá, eu não levo a mal... já comi fruta madura e outra fora da época; já adocei a boca com mel, mesmo, daquele mais biológico; já fiz ginástica suficiente para muscular a flacidez dos desgostos por que vou passando, já armei muitas cenas, já deixei gajos apeados, já fiquei apeada…
… mas gosto de me apaixonar, pronto! Chamem-me louca mas o meu sonho é viver um Grande Amor!
… e quando um gajo se vira para o outro lado e me diz que está com enxaqueca… eu passo-me!
Enfiei-lhe dois trifenes no bucho e disse-lhe: coração, ou te pões grosso ou tenho ali uns supositórios que fazem efeito instantâneo e dão alívio imediato.
Esfregou os olhos, que encenavam sombra com as pálpebras, abriu-os muito e gaguejou…
E olha, disse eu já com a voz grave, um gago não me serve para nada… a única terapia que gosto de pôr em prática é a do falo!
Acham que ele percebeu? Pois eu não tenho assim tanta certeza! Nem quero saber…


É terrível esta minha busca…
… mas se eu um dia desisto de compreender os homens é a minha desgraça!



terça-feira, abril 10, 2007

Coisas que acontecem...


Sinto-me um pouco estonteada, a visão está turva e dóem-me as articulações.
Acho que não me estou a sentir nada bem...
... terei abusado da carne?
... terá sido castigo?
Provavelmente vou ficar de quarentena!

segunda-feira, abril 02, 2007

A arte de bem cavalgar - lição 2.


Dizem que o cavalo é um animal pacífico mas nada voluntarioso. Ainda por cima dizem que se engana muito facilmente. Se algumas vezes chega a comportar-se como herói é sempre por medo, como alguns homens.
Mas também dizem que o preceito fundamental do ensino é pedir muitas vezes, contentar-se com pouco e recompensar muito.
Ora que treta! Estas duas afirmações comprovam o erro crasso que é aprender com base na teoria.
Se o cavalo se arma em herói em razão do medo, por que é que temos de nos contentar com pouco? É dar neles até os tornar heróis a sério! E nada de recompensas excessivas. “No pain, no gain”… ou bem que mostram a nobreza da casta ou nada! É uma questão de boa escolha, digo eu: dos mais lusitanos aos mais árabes, desde que se deixem montar com afinco, podem ser sempre bem trabalhados.
Até porque a alta escola tem exigências e o elemento base é o trabalho de duas pistas. Sim, porque ter um cavalo rigorosamente direito é uma das maiores dificuldades da equitação, de forma que o uso de duas pistas sempre permite obter um bom grau de satisfação em pelo menos uma delas.
O caso mais frequente de dificuldades é o cavalo encurvar para a esquerda, isto é, com a cabeça para a esquerda e as espáduas descaindo para a direita. Um animal nestas condições resiste à perna esquerda e à rédea direita de oposição. Para o corrigir convém insistir com o trabalho de espádua adentro para a direita, trabalho este que exige que se lhe agarre com firmeza a cabeça obrigando as espáduas a descaírem; só assim a garupa se eleva e esse pormenor é de suprema importância para o sucesso da montaria!
Mas, amigas (ou amigos, que nisto, como disse na primeira lição, a prática da equitação não escolhe sexos…), o melhor, mesmo, é encavalitarem-se num cavalo a sério e praticarem MUITO. É que montar já foi uma forma de sobrevivência mas agora é uma arte. Mais do que arte, a equitação é uma ciência viva.
O Marquês de Marialva era conhecido por montar 12 cavalos por dia quando tinha 70 anos! Já imaginaram o que é chegar aos 70 e montar uma dúzia por dia?!
Está bem de ver que o treino faz tanta falta como o pãozinho para a boca.

sexta-feira, março 30, 2007

a arte de bem cavalgar - lição 1


A quem interessar, que nisto de cavalos não podemos fazer distinção de sexos, deixo aqui recomendações muito importantes que fazem parte da arte de bem cavalgar. (chamo particular atenção a quem teve a ousadia de questionar o meu desempenho...)
Em equitação, como em todas as artes, há indivíduos que nascem dotados de uma habilidade rara e outros que não servem nem para alçar a perninha. Não é que manejar um cavalo seja coisa difícil, mas sempre é mais complicado do que guiar um automóvel ou um avião, digo-vos eu. Mas calma… também é mais emocionante porque estamos a lidar com um ser vivo, dotado de vontade própria, de personalidade e de iniciativa…
É preciso, contudo, usar das máximas cautelas porque eles apresentam muitas manias mas nada que um bom treino não corrija.
Por exemplo as ancas do cavalo são o foco da impulsão, ao mesmo tempo que constituem um autêntico leme que efectua as mudanças de direcção. Ora é preciso ter em conta que a submissão das ancas deve ser pronta e absoluta e deve manifestar-se por uma estrita obediência às pernas de quem monta. Nada de dar abébias porque um cavalo bem ensinado é a base de um bom trabalho. Tendo em conta que o animal não reflecte, apenas procede por associação de sensações recebidas, dizem as teorias que não se deve prescindir de um treino intensivo – montar o dito numa média de pelo menos 3 a 4 horas por dia.
Como vêem, permanecer no arreio é mesmo a única forma de se tornar a coisa numa arte.
É claro que os treinos podem sempre ser realizados com o auxílio de freios equipados com barbelas. É um trabalho de chicote até que o diabo da desobediência seja exorcizado. Usar embocaduras férreas, idealizadas para provocar a dor, pode ser também muito eficaz. Contudo, a moderna equitação, baseada no conhecimento neurofisiológico do bicho, diz que quem monta torna-se parte da montada; por isso são aconselháveis as embocaduras suaves e – confiem em mim – pode-se sempre adestrar o animal sem o levar ao desespero.
Quanto ao trabalho sem estribos, apesar de muito vantajoso apresenta riscos para principiantes. É preciso uma grande dose de confiança e de flexibilidade para poder suportar o trote sem grande fadiga. Mas isso fica para uma segunda abordagem.

Esta minha primeira lição termina com uma máxima árabe que diz que
“o verdadeiro paraíso terrestre reside sobre o dorso de um bom cavalo”.

Vão por mim!!!

quarta-feira, março 28, 2007

equus e tal...

imagem gentilmente roubada a uma Diva

Ah! Virgem Santíssima, Jesus Cristo, São Teófilo, Santo Eliotério, São Cristóvão, São Judas Tadeu, São Brás de Alportel e Santo Tirso, São Mateus e Santa Maria da Feira...

...o que eu te fazia se te apanhasse meu cavalo!!!


sexta-feira, março 23, 2007

Vegetais e afins




A mim o que me apetecia era um bife do lombo, espesso e a transbordar de natas; ou comida alentejana… um chouriço assado para abrir a sessão, uma febras de porco preto… um naco na pedra… qualquer coisa de carnal, suculenta, proteica, substante!
Mas ele insistia no vegetariano… dizendo que só assim se conseguia manter o corpo são e a mente pura.
Ora o corpinho saudável não era coisa de desprezar, mas aquilo da mente soava a roupa demasiado lavada… assim tipo lençol de hospital, e para asséptico já chegara a experiência de um tal Ângelo de mãos esguias.
Não, não me apetecia ficar-me pelas cenouras, nabos e folhas de couve… com aquele intragável arroz branco, mesmo que fosse aromatizado com ervas e limão. A ideia dos tomates secos ou das beringelas engelhadas tirava-me a pica toda.
Bróculos? Oh deuses… o que é que uma mulher faz com um molho de bróculos marinados? E cebolinho? Valha-me deus, que coisinha fina!
Ele que vá saltear os vegetais para a casinha da mãe, que essas que têm muito orgulho na saúde dos seus rebentinhos, mesmo que eles já tenham apagado as quarenta velas de aniversário.
Não tenho paciência para as ervinhas de cheiro!

Paixões?
Que grandes enganos!!!




quarta-feira, março 21, 2007

Ai Primavera... de novo!


Em tempos idos escrevi aqui uns versos brincalhões mas depois
especializei-me nas rimas e na métrica até me sair das unhas um soneto,
que é coisa feita quase a martelo, por causa da cadência.

Ei-lo.

Gosto de te sentir quando amanhece
Teu corpo no meu corpo, docemente
Desfrutemos, amor, este presente
Esta doce ventura que enternece.

Assim pousado em mim, teu corpo oferece
O instante da loucura permanente
Colados, tu e eu, num beijo ardente
Seremos, meu amor, bendita prece.

Mantém as tuas mãos junto de mim
Que eu quero em teu carinho enlouquecer
Não digam que é pecado amar assim

Depois de te beijar, de te morder
É louca a sensação de não ter fim
E é longo o teu gemido e o meu prazer.

… e é por hoje ter sido Primavera que me apetece editá-lo de novo.
Se estou a florear? É bem possível, mas como há dias confessei, estou apaixonada: só o estado da paixão é que nos faz escrever coisas assim… ou não é?

domingo, março 18, 2007

Em Formação


Aprendi umas coisas, podem crer.
Há lugares do mundo em que se aprendem coisas giras...
Hoje estou cansada de tanta formação; deixo os detalhes para depois...

... mas as massagens foram boas... ai se foram!!!




domingo, março 11, 2007

Ai Primavera!

violas cornutas

Dia suculento para passear pelo campo e repetir os nomes das florzinhas e dos arbustos em que se tropeça sob a hipnose da satisfação.
Até aos narcisos, espontâneos por sobre o tapete verde, eu perdoei a vaidade porque as violetas – violas, como ele me ensinou – acompanhavam-nos, na sua modéstia, como se dissessem que aos homens esses pequenos defeitos são permitidos sob a nobreza da nossa tolerância feminina.
Amor secretamente escondido no amarelo das acácias, romance nas azáleas, graça na flor do jasmim, cujo cheiro enche a mata de delicadeza.; satisfação plena depois de conhecer a mangifera, especialmente aquela que ele me mostrou no canto mais recatado do bosque. Nada, mas nada se assemelha àquela maravilha do mundo. Talvez só a boca-de-leão, mas em complemento.
Quando ele me pôs na mão um lírio, baixei-me e colhi uma papoila. Onde dizes pureza eu digo sonho, pensei e disse-lho com os olhos. Ou papaver rhoeas, pensei cá para comigo, agora na posse de todos os nomes, embora aquilo de papar com os olhos fosse metáfora ultrapassada depois do trifolium exercitado em pleno bosque.
Não me esquecerão mais as tâmaras, Phoenix dactyliferas, de grande impacto na redução das angústias, melhores do que qualquer raiz de valeriana, não obstante me agradar sempre mais o raizedo aprumado: se o queremos conhecer é fácil… basta ir na direcção do terminal e nada de ramificações pilosas a perturbarem a pesquisa.
Açafates, esporinhas, angélicas, eufórbias… sim, mesmo as eufórbias, tirando a pulcherrima, que à conta de se armar em boa, larga aquela seiva leitosa que é veneno para qualquer pele sensível.
Mas… depois disto… até mesmo uma viola cornuta.

Agora … tanto faz ... já valeu a pena!


terça-feira, março 06, 2007

as minhas visitas


Pois tenho muito gosto em receber no meu sitemetter visitas de todos os credos e religiões e apraz-me ainda mais responder às excelsas dúvidas que trazem por cá gente de longe…


Para quem interessar:

mulheres de grandes grelos – não comento...
treino para exercitar e engrossar o pescoço – eu conheço várias maneiras, mas uma
delas também engrossa a língua, quer experimentar?

Pão faz mal ao intestino – pois isso depende da maneira como o come…

Vassourinha integral – é para ver se há ou quer comprar?

Homens frios – vira p’ra lá essa boca…

Anatomia externa da mulher não virgem – ah… isso é como procurar agulha num palheiro, pois não me consta que haja marcas externas visíveis… para isso tem de procurar debaixo da palha.

Homens lindos de pau de fora – bem… ou são lindos ou têm o pau de fora, as duas coisas numa não será pedir muito?

Os mais belos cacetes – aqui não costumamos ter essa visão estética; aqui tudo serve desde que funcione, mas se é caprichoso(osa) posso convocar uns amigos meus para uma sessão ao vivo.

e agora... deixo-vos com estas buscas... se puderem respondam, que a mim já me vai faltando a inspiração.

Fetiches roupas femininas

Cadeira erótica de dentista

Blog de homens

Enrabar

Lengalenga da pata

Quais os exercícios que são para perder quadris

Semana ecunomica

Pk os homens são calados

Tudo gostoso nos homens


Mas para que saibam que este blog é muito bem frequentado, aqui vos deixo o texto do último email que recebi.
E... em jeito de consultório sentimental e porque estou indecisa sobre se devo ou não responder... muito grata ficaria se pudesse contar com os vossos conselhos.


"Oi, Depois de dar uma volta pelo teu blog, e uma vez que tal como tu, gosto deabordar o tema sexo de um forma frontal, natural e com jogos de sedução... pensei... Hummmm será que vale a pena enviar um mail!!! Não... isto deve estar cheio de tarados a enviar msg não me vai ligarnenhuma!! Mas como o não é sempre garantido, resolvi tentar. Não vou adicionar o teu msg até porque acho que seria um abuso da minha parte. Fico antes a aguardar uma resposta... tenho uma amiga que gostaria de uma conversa a 3 no messenger. Beijo. Joao"

livros

Há uma amiga minha que anda sempre na crista da onda, a Vague.
Por isso é que andou para aí a desafiar o pessoal para escrever
um texto de cinco linhas com títulos de livros.
É claro que eu ando bué ocupada com outras folhas mais vivazes, mas nos intervalos ainda me sobra tempo para umas "perninhas".




O erro de descartes foi nunca ter estado no vale da paixão a fazer a ronda da noite; não interiorizou a arte de amar nem o conhecimento do inferno e foi pena porque o tempo, esse grande escultor, acaba sempre por nos mostrar que no jardim sem limites, quando andam gaivotas em terra, consegue-se meter agradavelmente um diabo no paraíso e isso é a verdadeira obra ao negro, sortiégio pelo qual se chega ao dia dos prodígios.



sexta-feira, março 02, 2007

a floresta (quase) encantada...


Ainda estou meio atordoada com a conversa do Juventino Carvalho. Prometeu levar-me a ver as piceas, mas que acautelasse os pelos esparsos das do Norte, que os raminhos eram jovens. Adoro coisinhas que, não obstante serem tenras, têm os gomos pontiagudos, mas mesmo assim sugeri-lhe um exemplar mais robusto, dado que a minha energia estava em alta, pois com tantos dias secos fazia-me falta espairecer entre os troncos. Aquela pinha romboidal de ápice truncado não fazia as minhas delícias.
Levou-me então em direcção à picea orientalis, cujos ramos densamente peludos já faziam alguma vista. De facto engracei com as pinhas oblíquas, levemente apupuradas, de escamas arredondadas. E nem vos digo o meu entusiasmo quando me falou na casearia gossypiosperma . O quê? Sim, o pau-de-espeto! Mas aqui na mata, perguntei-lhe? Humm, talvez só no Brasil, mas da parte teórica sei tudo…
Não, por favor!, teoria não, ao menos mostra-me o cupressus , o massaroco, o buxo, o choupo-negro, o ranúculo, o piorno, mas nada de plantas prostradas, só daquelas de haste carnuda e de caule lenhoso, que eu sou adepta da biodiversidade mas tenho as minhas preferências! Coníferas? Ora essas não! nem as angiospermas nem as púnicas, por amor de deus. Femininas só as phoenix.
O Juventino, que conhecia bem a dinâmica da floresta, esmerava-se para que o uso dos produtos não implicasse a sua exaustão. Dizia-se adepto do desenvolvimento sustentável e por isso era preciso espetar muitos troncos. O mundo não pode acabar, dizia ele.
É claro que não, muito menos agora que estamos rodeados da natureza viva!
Que mundo aquele!
A qualidade da matéria-prima envolvente merecia um processamento a condizer por isso quando ele me perguntou se a minha corola preferida era das personadas, com limbos divididos em dois lábios, disse-lhe: alto lá!, então a definição de arvore não é a de uma coisa permanentemente lenhosa e de grande porte? Então para quê andar com rodeios?
Para mim a questão tinha mais a ver com a conexão entre o caule e a folha: se fosse caduca estava excluída; se fosse persistente já a coisa soava de outra maneira, especialmente se fosse de pecíolo não côncavo nem achatado na parte superior. É que há pormenores de grande importância para que a ascensão da seiva bruta se dê sem problemas; só assim o limbo se tornaria viçoso.
Já me estava a chatear tanta conversa... porém, o que me agradava mais era prosseguir o passeio por entre aquela humidade natural do arvoredo.

As expectativas aumentavam...

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

passeando pela floresta...

eu nem tenho tempo para escrever... isto é cá uma aprendizagem!!!

Sabem o que é isto?




pois fiquem sabendo que é uma picea abies.

Até mais ver... que a floresta espera por mim...



sábado, fevereiro 24, 2007

No experimentar é que está o ganho




Espero que não tenham estranhado esta minha ausência mas é que tive de passar à fase empírica para comprovar algumas dúvidas.
Não foi mau! Mas de tanto canalizar as atenções para a verificação das hipóteses, a experimentação foi quase laboratorial e isso resulta sempre numa postura demasiado científica, percebem?
E depois eu precisava de alargar a amostra para que os resultados pudessem ser relevantes. Muito tempo gasto nestas andanças e uma mulher não é de ferro!
Primeiro andei a ler sobre o método experimental e deduzi que as experiências costumam ser feitas com animais… só que eu não queria entrar por aí… por via da contestação social, embora pudesse chamar ao texto alguns testemunhos de verdadeiras acrobacias equestres, de fantasias emplumadas, de garras felinas sobre a minha pele ou de lambedelas de cachorros nos dedos dos pés. Há de tudo, até rastejantes serpenteando-se para chegar à presa, ou cobaias a pedirem para serem testadas… embora os verdadeiros mamíferos tivessem sido sempre os da minha preferência.
Porém o que me fixou a atenção foram os caules: desde que um tal engenheiro agrónomo me disse que era costume deles espetarem o pau e ficar a vê-lo crescer, não parei as minhas pesquisas para tentar saber quais são as espécies que crescem em menos tempo e quais são as espécies retardadas; quais as que oferecem mais resistência e as que se quebram com um apertão forte ou mesmo as que murcham sem explicação aparente.
E… vejam só: caules angulosos, compridos, bojudos, cilíndricos, cónicos, estriados, sulcados…

Está decidido – vou à procura de guarda florestal para aprofundar os meus conhecimentos nesta matéria.


P.S. ah... já me esquecia! Eles não fingiram, na generalidade. Aquela matéria é demasiado sensível para ser comandada por um esforço de vontade. Houve, contudo, os que confessaram que às vezes abreviam para ver se a coisa acaba depressa. Mal sabem eles que nós ainda abreviamos mais...





quinta-feira, fevereiro 15, 2007

será que eles fingem?


Era a propósito desta antiguidade.
Estava eu a pensar, olhando para o casal nas suas intimidades de alcova, que naquele tempo, ainda a gordura era formosura, era preciso que os rapazes fossem bem estruturados ou então a zona do tendão de Aquiles era muito maltratada.
Vai daí os meus pensamentos deram um nó.
Porquê?
É que imaginei o desgraçado a gemer que nem um perdido com uma tendinite localizada ali na região do calcanhar, ou mesmo com uma ruptura dos gémeos, que apesar de robustos, estão ali bem duros na sustentação do peso da moça.
E não é que se me pôs uma dúvida malvada!
Será que quando os homens gemem que nem uns perdidos estão a fingir orgasmos?
Por favor, venham esclarecer-me ou ainda acabo transformada numa céptica: é que esta questão é de fundamental interesse para a minha compreensão dos homens!

terça-feira, fevereiro 13, 2007

para o S. Valentim

A pedido, aqui fica um pequeno contributo, em forma de celebração do dia 14 de Fevereiro...




Caríssimo S. Valentim

Fiz pesquisas no google, percorri as páginas amarelas, fui pelo firefox e depois andei de farmácia em farmácia e saí de cada uma deixando os funcionários de rosto vermelho e olhos no chão. Devem ter pensado que sou tonta, mas não, o que eu queria mesmo era um produto polivalente – multiusos, melhor dizendo – que se pudesse tomar via oral sendo gostoso, mas que pudesse funcionar como hidratante corporal, sendo guloso e ainda com propriedades de lubrificante genital, sendo viscoso. Tudo em um, sim! E de preferência com propriedades viagrais ou cialíticas especialmente se for apresentado em forma de coração vermelho vivo. Chamar-lhe afrodisíaco é denominação já gasta e banalizada por tudo o que aparece no mercado para vender sem muito esforço. Pois meu caro aqui tem o milagre: tome, prove, lamba, gargareje, espalhe, polvilhe, massage, unte, borrife, faça como melhor lhe aprouver, mas por favor deixe um frasquinho em casa de cada ser humano da sua espécie com a recomendação de que devem usar sem restrições.
A ver se é desta vez que me sai a sorte grande!

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

o cheirinho do sovaco


Fui visitá-la e olhem só o que aprendi...

Investigadores de uma Universidade da Califórnia levaram a cabo uma investigação na qual descobriram que as mulheres se excitam com o suor masculino.

E pensei cá para comigo: de facto... quando hoje apareceram cá aqueles dois a trazer a máquina de lavar nova, até ia caindo p'ró lado... Um deles pôs a máquina sobre o dorso e disse, ao entrar: "é para pôr onde?"

Foi por isso que dei comigo aparvalhada, a dizer: "pode pôr no quarto; e fique lá para a montagem!"

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Encenações

O que mais me aborreceu foi aquela mania de supervisionar e dirigir a montagem. Mais do que aborrecer… direi mesmo que me foi insuportável tanta presunção de profissionalismo.
Criar e interpretar personagens sim, tudo bem, mas com funções pedagógicas? Ou pior, ainda, com funções de intervenção política? Ele pensava que estava a lidar com quem?
Às tantas se não me tivesse livrado dele ainda me caía ali com os argumentos moralistas dos defensores do não!
É que nas representações vocais e corporais ele não tinha nadinha a repreender no meu desempenho. Nos adereços eu esforçava-me por ser diversificada e no guarda-roupa, enfim, sempre me valia das minhas formas e dava um jeito para conjugar estilo e economia, ‘tá bem, não se pode ter tudo… ou pode? Ele é que não fazia esforço de inovação e os auxiliares nunca estavam a jeito quando as anotações apresentavam linhas em branco.
Recriar… recriar… enfrentar o desconhecido para o recriar como se fosse novo…
E eu ali a vê-lo em plena encenação, à espera da cena mais desejada.
Quem me manda a mim meter-me com gente do espectáculo! Espectáculo é o que eu procuro sempre mas estes, então, é um ver se te desembaraças porque o que lhes interessa não é mais do que a perspectiva pessoal, a filosofia do palco, a ideia de que todo o processo de conhecimento deve constituir-se de uma parcela de não intencionalidade… e tal…
Ah, como eu me deixo levar facilmente por filosofias!
De naturalista e realista vi pouco, em má hora lhe dei ouvidos quando me disse que a performance seria basicamente uma linguagem da experimentação sem compromissos.
O que é que vocês faziam se vos propusessem uma experimentação sem compromissos? O mesmo que eu, certamente! E ainda por cima com aquela promessa de lidar bem com a transgressão, desobstruindo os impedimentos e as interdições colocadas pela realidade!
Ok, eu sei que a vida é um jogo teatral, uma encenação. Mas se ele dizia querer experimentar propostas cénicas que não tivessem o texto como ponto de partida por que é que passou o tempo todo a falar, a falar e acção… népias!
Meto-me em cada cena!

sábado, fevereiro 03, 2007

O melhor jogador de mishu do mundo

Aliciou-me com aquele olhar matador, copo de vermute on the rocks na mão e muita, muita convicção. Não era comigo que falava mas ouvia-se bem o convite dirigido à companheira: “queres vir jogar michu p'ra minha casa? Não encontras ninguém tão bom a jogar mishu como eu”.
Eu, que tenho bom ouvido, apesar do som ambiente a muitos decibéis, ia ficando colada ao entusiasmo com que ele lhe dizia: “por cada cinco de seguida é a pontuação a subir”. E a parva fazia uma carinha de pouco convencida... Ao menos dizia que era giro comer sempre coisas diferentes, quanto mais não fosse por causa da música. Só nisso é que eu lhe dou razão, bem entendido, embora a música ali estivesse muito codificada. As opiniões das mulheres pouco me interessam, de facto... E ele que não, que não, que era mesmo necessário que fossem cinco iguais de seguida; e que o que fazia crescer o corpo era enfiar nas argolas – até lhes chamava donuts, imagine-se…
Que conversa! O pessoal depois de beber uns copos abusa das metáforas, pensava eu. Aquilo era musiquinha de engate, ‘tava-se mesmo a ver; e ela a dar-lhe p’ra trás! Palerma!!!
Pois o rapaz não era nada de se deitar fora e quando o ouvi dizer que passava horas naquilo até arregalei os ouvidos. Horas e horas pela noite dentro até já não ter forças nem concentração. Mas que era persistente e que não desistira até dar provas de ser o melhor.
De forma que, quando ela se despediu dizendo que não, que pelo menos hoje não estava preparada para aquele jogo, encarei-o de frente e lancei-lhe um sorriso cheio de sacanagem.
É claro que deu certo: pegou no copo e dirigiu-se à minha mesa com um ar triunfante: “Olá, sabias que eu sou o melhor jogador de michu do mundo? Sabias que sou detentor do record de 1790960 pontos? Queres vir a minha casa?"
Acham que ia perder a oportunidade? Pus a mão na malinha e confirmei se estava tudo em ordem; sim, tinha comprado outra caixinha, que aquilo gastava-se a uma grande velocidade; e nunca fiando nos gajos quando já estão com uns vermutes on the rocks no buxo! Mulher prevenida vale por duas.
Já em casa ligou os dois computadores e fez-me sentar ao lado dele: “tu jogas nesse e eu neste. O objectivo é este: o michu está esfomeado e tens de lhe dar comer. Se ele comer cinco peças iguais de seguida somas pontos, aí é que está o segredo da vitória”.
Ok, pensei, adoro jogos eróticos. Este gajo sabe fazê-las! Um mishu esfomeado devia dar cá uma luta!
… ... ...
Depois de duas horas a ouvir os dings, dongs, doings em séries de cinco e os poing-poing-poings, e de novo dings, e de novo doings e de novo dongs… a paciência esgotou-se: “alto lá com isto!, disse-lhe, tenho os olhos fodidos, os ouvidos até chiam, dói-me o pulso direito, já não aguento as costas nesta maldita cadeira… ... e as minhas expectativas reduzem-se a zero de cada vez que essa minhoca perde tamanho! Ainda vais ficar muito tempo a jogar?”
E ele: “é só até chegar aos dois milhões de pontos! E a minhoca tem nome - chama-se mishu! E se lhe deixo um corpo grande esmaga-se contra as pedras, não percebeste ainda?"
Estava no limite, eu!!! Levantei-me e gani, mas ele ainda teve lata para me dizer: "eu sei que sou o melhor do mundo mas tenho de deixar uma margem para ver se ninguém me bate nos próximos dias. Agora não posso desistir!”
E, sem tirar os olhos do monitor, sem reparar no pontapé que dei nas oito ou nove latas de cerveja alinhadas no chão da sala, no murro que dei na máquina do café e nas chávenas sujas que andavam lá por perto, acrescentou: “agora podes ir dizer a toda a gente que estiveste em casa do melhor jogador de mishu do mundo!”
Já na escada ainda continuei a ouvir os dings e os doings em séries sucessivas de cinco e a voz dele em som triunfante: “YESSSS!!!!!”

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Provérbios e conotações


Enquanto o pau vai e vem... folgam as costas.


Pelo menos é o que se diz! Mas é daqueles provérbios que puxam para a risada.
... ou não?
É que o Júlio Machado Vaz, esta semana ria que nem um doido com aquela menina que contracena com ele na antena 1 ... ela disse que as costas folgavam ou algo parecido e ele, zás... mandou-lhe com o pau!

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

ele é pelo sim ó não...

Com nove semanas e meia podemos dizer que esta menina é um "imbrião" ou outra coisa mais engenhosa?
É melhor tirarem aqui as vossas dúvidas...
Ele é pelo sim ó não e, dadas as circunstâncias, eu compreendo-o...
Eu, não sendo homem, vou pelo sim ó sim, que estas meninas não são propriamente a minha maior atracção!

domingo, janeiro 28, 2007

Como é que eu posso compreender os homens?!


Estava eu a começar a abrir os olhos... ainda na cama, que é o lugar onde costumam surgir as reflexões mais profundas, e ouço aquela afirmação lapidar: "foi um jogo muito viril".
Ele referia-se à encenação ontem ocorrida no Restelo, onde o SLB meteu dois na baliza do CFB, que por sua vez só conseguiu meter um no lado contrário.
Ele era o responsável pelos vitoriosos, mas até me confundiu um pouco porque elogiava o bom desempenho dos derrotados. Até aí tudo bem, é uma questão de fairplay e tal...

Mas...
... mas eu, no quentinho da minha cama, ainda mais p'ra lá do que p'ra cá, ia pensando: viril????? Mas viril quer dizer que os rapazes deviam estar todos com vontade de se foderem uns aos outros!
Mas... mas nesse caso...

... bem... desisto de compreender os homens!





quarta-feira, janeiro 24, 2007

Quando os astros são asteróides



Não parava com aquela conversa de modelos físico-matemáticos baseados nas interacções: era a interacção electromagnética, a interacção fraca, a interacção forte e a interacção gravitacional. Meu deus… só a palavra chegava para activar a minha cosmogonia interna. Eriçava-me toda, eu, quase a entrar na zona de ionização da nebulosa ante a perspectiva da exploração de novas fronteiras. Era lá que os fotões assumiam a sua energia máxima, não havia que hesitar.
Fiz-me convidada para ir ao observatório. Espreitar o telescópio era um desejo legítimo. Pudera!, sabendo-o equipado com um sistema complexo de detecção de dados e um sensor CCD , estava absolutamente segura de conseguir ver todas as estrelas, todos os planetas e todos os cometas do sistema solar, podendo, talvez com maior propriedade, ver também os do sistema lunar ou quem sabe os de um sistema qualquer inter-galáctico. Se aquilo metia “coupled” na descodificação, oh deuses, era para rumar ao zénite, à galáxia anular, à fusão nuclear… eu sei lá o que era… eram as ondas gravitacionais já a imprimirem balanço à acção e eu a tentar maximizar a detecção do sinal fraco, na ânsia de me tornar numa super-nova!
Este fascínio pelos astros mata-me – é como um pólo de atracção permanente, uma carga magnética inevitável que me leva vezes sem conta às cenas mais insólitas.
É claro que em vez das estrelas fiquei a ver uma chuvita de meteoros, ali, antes do tempo previsto para o pulsar binário, porque se o homem era o máximo na astronomia extra-galáctica… o mesmo não se pode dizer da eficácia da lente. Havia ali um grãozinho qualquer na engrenagem, talvez a posição ou o movimento dos objectos astronómicos ou uma evidência indirecta na maneira de lidar com tecnologias de ponta, sei lá!
O que é certo é que eu esperava assim como que uma entrada em órbita celeste, enfim, já não falo de um buraco negro porque essa zona misteriosa podia acabar comigo e com ele ali numa fracção de segundos e se é certo que o caos sempre me atraiu, também não valia a pena entrar na quinta dimensão. Mas entre o fracasso da quinta e o levar com um asteróide em cima antes da primeira vai uma diferença grande – tudo uma questão de corpo pequeno, portanto!
E nada mais há a acrescentar a este caos depois de mais um fracasso astrofísico: eu a querer medir os fractais, e a apanhar com a imprevisibilidade dos comportamentos das superfícies. Tinham-me dito que mesmo no caos podem ocorrer arranjos e alguma forma de ordem mas parece que comigo o que resulta são os axiomas intuitivos.
Decididamente, vou dedicar-me à astrologia.

sábado, janeiro 20, 2007

oralidades


A actuação do jovem iniciou-se com uma avaliação da minha saúde oral.
Chamava-me paciente, para a cena ser mais verosimilhante. Pelo menos foi o que eu idealizei, mal me sentei na cadeira e ele a elevou até pousar os olhos sobre o meu peito. E eu a fingir paciência, por via daquele olhar muito lânguido, por detrás do plástico protector dos óculos.
Examinou-me a região intra-oral, através da qual observou minuciosamente a língua e o palato. As palavras, pronunciadas ali mesmo sobre o rosto, traziam um hálito a flores frescas, infelizmente quebrado pelo cheiro forte dos anestésicos.
... e a sessão, propriamante dita, ia começar!
Bem… aplicar o produto não custava, disso eu já tinha experiência; remover cálculos e manchas ainda vá que não vá, podia ser a etapa seguinte, mas a coisa azedou foi quando me falou na dessensibilização do seis e do nove, por excesso de hipersensibilidade.
E mais: aplicar selantes nas fissuras?! Ah não, isso seria demasiada cedência e uma mulher não pode entregar assim as decisões, de boca aberta, nas mãos do outro!
Que é que ele pensava? Que era assim que me incentivava às visitas regulares para a rotina? Que me mudava os hábitos alimentares e me impedia do prazer dos doces?
Um plano de tratamento só com a minha anuição, porque nisso de polimentos, alisamentos e amálgamas eu só alinhava se tivesse confiança nos instrumentos, particularmente no aspirador de saliva ou até no próprio aparelho de RX intra-oral, porque a boca de cada um é propriedade sua e nas minhas raízes não era qualquer pessoa que tocava.
E ele que não me viesse cá ensinar a técnica da escovagem porque se ela era frequente ou não era problema meu!
É claro que, de boca aberta, eu não lhe podia dizer nada disto, nem sequer dizer que sim, que já levava muitos anos de uso fio dental. Mas logo que ele recolheu o tubo lambi a secura dos lábios e fiz-me cara no troco: disse-lhe que era capaz de me sujeitar a tudo, mas que a minha hipersensibilidade tinha de permanecer a cem por cento.
Quanto às fissuras, ele que fosse apresentar a sugestão dos selantes à mãezinha dele porque essa sim, já devia estar fora de prazo!

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Testicocéfalos?


Eu não tenho culpa.

É mais forte que eu, mas se deus pôs no mundo uma criatura com tantas e tão impressionantes características não foi por acaso. Tem defeitos? Ah pois sim, mas todas sabemos que Adão também os tinha, com aquela mania de andar a fazer mijinhas por todo o lado quando se apercebeu que, dos dois, ele era o único a possuir a capacidade de as fazer de pé. Há heranças eternas! Mas se é criatura de deus não pode ser tão destituído de virtudes. É por isso que quando olho para um homem não posso deixar de imaginar o que está lá dentro.

Onde?

Podendo parecer que é ali mais ou menos ao nível do quadril – ali relativamente próximo do eixo transversal situado no plano onde se efectuam os movimentos de flexão e extensão; ou talvez um pouco acima, no enfiamento do eixo vertical que faz as rotações externa e interna – a verdade é que por causa de uma extensão que leva o membro inferior para trás do plano frontal, o músculo extensor do quadril (que passa pelo centro da articulação), bem como os extensores (que estabilizam a pélvis no sentido antero-posterior) e ainda os ísquios-tibiais (que activam o glúteo maior e os músculos cuja direcção é semelhante à do colo do fémur), a verdadeira localização do dito é, no seu todo, forçada para o acetábulo, o que, apesar de tudo, também acontece com os pelvitrocanterianos e com o obturador externo e o glúteo pequeno.

Tendo, pois, como ponto de referência os músculos sustentadores do quadril, chegamos muito linearmente à conclusão de que aquilo que verdadeiramente funciona nos homens, qualquer que seja a sua localização, tem, em tudo, uma analogia directa com a imagem junta.

De tudo isto se comprova que deus soube o que fez quando manuseou a semântica da palavra testicocéfalo. É tudo uma questão de semiótica, como muito facilmente se percebe pela descrição anatómica que aqui vos deixo.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Põem-me as mãos em cima ... e eu...




Foi ele que pediu.

Era para usar um conjunto de palavras e escrever um texo.
Também era para divulgar a ideia. para quem quiser colaborar.


Não sei porquê, mas as palavritas sugeridas mandaram-me logo a memória para o Mateus.


Para não o embaraçar olhei assim de relance no espelho, a fotografar-lhe as formas, enquanto hidratava a minha pele com óleos afrodisíacos. Queria que aquela noite fosse assim como… beber um café a transbordar de natas, ao fim da tarde, numa esplanada com vista para as águas da mais romântica lagoa. Uma tarde que antecipava seguramente uma noite de sexo violento, daquele que faz qualquer um perder os sentidos. Seria audácia minha, talvez não me saísse bem diante daquela figura escultural, mas o negrume que saía do vermelho da manga dava cá uma pedra à imaginação!
Só numa tela! Não era possível que a realidade me destinasse tão venturosa delícia! Uma mulher até fica atordoada com o eco que sai de uma voz assim! Eu treparia todos os degraus para lhe chegar ao cimo, porque o cimo adivinhava-se lá no topo, e eu… obcecada pelos mitos, tinha de tirar a limpo, antes da morte, a verdade da coisa.
Atrapalhada nos gestos, senti-me sem norte no momento em que ele me pôs as mãos em cima! Mas não me dei por vencida. Havia de o fazer em retalhos…






quarta-feira, janeiro 10, 2007

cumprimentos às visitas...



Quando um pessoa vê isto não pode deixar de dar uma volta pelo seu sitemetter para ver quem vem cá ter.
E, de facto, dá vontade de entabular conversa com quem veio às buscas:


- homens exibindo cacetes - ao senhor ou à senhora que os procura eu respondo que... se eu os apanhar guardo-os no meu álbum pessoal, não venho aqui partilhá-los, ok?


- anúncios de mulheres para dar uma queca - ... aqui não, não costumamos aceitar, mas continua à procura , não desistas!


- obrigada amiga - é um gesto cortez que cai sempre bem aqui na casa, mas confeso que não sei o que fiz eu para merecer tanta deferência. Só pode ter sido o tal co-piloto a agradecer-me a disponibilização do Dico.


- bruxarias - já fizemos, em tempos. Agora mudámos de ramo e é mais reiki, mas o efeito é o mesmo.


- yomba oro - não, não é aqui, mas qualquer farmácia tem, pode levar escrito num papel se tem medo de se esquecer. também pode pedir ... Viagra ou Cialis, sempre se decora melhor o nome da coisa.


- pelo no peito - esta já me parece mais ofensiva, nem vou comentar... mas veja aqui.


- imagem de homem na sanita - não me diga que lá em casa não tem? Costumam levar literatura e ficar lá horas, nunca reparou?


- calorias de pão e água - confesso que não sei, mas não creio que seja alimento para uma pessoa normal... eu pelo menos não gosto da ideia e já o disse antes.


- compreender os homens - às inúmeras pessoas que vêm cá parar com essa intenção eu respondo: se eu os compreendesse andava aqui a fazer o quê? Não reparou que aqui são mais as frustrações que as satisfações?


- porque é que os homens não fazem nada em casa - olhe... continue perguntando aqui e ali... alguém há-de saber o segredo!


Boas buscas. Eu cá estarei para ver...




domingo, janeiro 07, 2007

Camelo!!!



Era para ser sua co-pilota, disse ele num telefonema urgente.
Foi há umas três semanas, não havia tempo a perder. Só vos digo que nunca me tinha aplicado tanto nos treinos. Apliquei-me tanto, tanto... que ainda hoje os meus ouvidos se ressentem da violência, que o ronco do motor de um camião é coisa de abalroar, garanto-vos.
Treino permanente para reforçar a condição física e psicológica... tudo p’ra cima!, que uma pessoa quando se embrenha na co-pilotagem não pode fazê-lo por menos. Aquilo desgasta... mas desgasta!!!
7915 quilómetros em todo-o-terreno prometiam as quotas máximas. Dezasseis dias de bem- bom, pensava eu a atacar, à força toda, nos primeiros quilómetros... e sem capotar!
E não seria só trabalho... a segurança (só bombeiros eram 170...), o convívio (com 508 veículos, vá lá... pelo menos metade com co-pilotagem, porque os motards andam bem por conta própria... acrescentando o suporte mecânico, o mediático e os mirones... aquilo daria aí para cima de mil e tal cromos, à noite, no Hotel). Mais a paisagem, as dunas, os pós, os camelos...
Bem... podem compreender o tamanho da minha frustração, aqui em casa, hoje, a lavrar mais um queixume.
Mas eu conto tudo:
Depois de bem treinados eu e o Diogo Cunha Rego tínhamos todas as condições para efectuar uma boa prova, desde a potência da máquina à vontade férrea e incontrolável de levar tudo à frente. Ele apostava num bom tempo para as classificativas e eu, colaborante, achei que uma hora, vinte minutos e trinta e oito segundos, para começar, não era nada mau! Dei, pois, tudo o que me era possível, não obstante os atascansos sucessivos. E que pica que eles davam! Depois de racionalizado o espaço a bordo para nos sentirmos à vontade, trocámos de centralina e ensaiamos a tracção traseira; mas a tracção às quatro, essa sim, firme e segura, era a nossa aposta. Bom andamento vivo, um espanto de caixa de velocidades, pronta para atacar as dunas de frente, a um ângulo de 90 graus; ou mesmo usando as redutoras (na quarta ou na quinta, pelo menos), para fazer render a prova.
Ele era cheio de cuidados: ajeitou o compressor para encher os pneus nos intervalos, montou um sistema de navegação que incluía um desenrolador eléctrico road-book, um conta quilómetros com comando lateral e GPS orientado e extensível, fez exercício de perícia em terra batida, sem esquecer as zonas dos buracos e... bem... a perspectiva de curtição era o máximo...


Mas não. O Diogo Cunha Rego (o Dico, como todos lhe chamavam), ali mesmo em cima da hora, trocou-me por um co-piloto com dois metros de altura, cavas longas e uma mota XXL tatuada no bíceps.

Uma mulher aguenta isto?


sábado, janeiro 06, 2007

Para satisfazer os meus leitores masculinos (antes que eles bazem...)


Ok. pronto, eu cedo.
Deixo aos Homens o espacinho de entertenimento, mas não me peçam para escarrapachar aqui tudo, vão lá ver!
Se tiverem outros gostos basta pedir... o que é que uma mulher não consegue?!!!
(Não pedi autorização ao dono, espero não ir presa... além de que é por boa causa. Explorem...)

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Parabéns Maria Árvore



Ela é bonita, exigente, irreverente, ousada, aventureira, perversa, felina, atenta, apimentada, curiosa, cuidadosa, venturosa, calorosa, musicóloga, imaginativa, inspiradora, organizada, apreciada… com muito sentido de humor e um elevado sentido estético. E junta a tudo isto uma escrita com muito nível, puxada do coração, aprumada na forma e envolvente no conteúdo. Não exagero, garanto!
Gosto de a visitar e sou uma das muitas visitas que lhe descobriu a porta sempre aberta, onde ninguém fica sem resposta.

Também gosto de lá ir por outras razões, claro, que ela não se poupa nas gravuras mais esculturais, havendo para todos os gostos...

Experimentem, se não conhecem, e verão que ficam reféns! Porque "nada vem do nada"...

Aqui lhe rendo homenagem pelo terceiro aniversário da casa.
E deixo um mimo, claro!, com muito prazer!!!

Quando eu era pequenina e pensava em ser grande...

A Marta mandou-me fazer um TPC.
Eu disse-lhe que não ia sair boa coisa, mas ela insistiu...
Ora aqui vai o exercício:

Quando eu era pequenina gostava de vir a ser cantora de festivais da eurovisão, assim bonitona e de cabelo entufado, a aparecer para toda a gente e a receber flores. E então punha-me em cima do muro do quintal, improvisava o microfone e lá vai disto: “sei quem ele é… trá-lá-lá-lá-lá-lá-rá-lá-lá-lá-lá-rá...".



Um dia convenceram-me a ir vestida de anjinha numa procissão do senhor dos passos. Era assim o mais aproximado que havia para dar nas vistas. Um vestido até aos pés e umas asas penduradas às costas eram acessórios suficientes para uma tarde de glória. Mas… livra, aquilo era lindo, só que ter de palmilhar a vila toda com um objecto votivo nas mãos, exposto num pano de cetim, era cá uma responsabilidade… e depois tinha de me esforçar mesmo para ir para o céu porque o senhor prior a quem me obrigaram a confessar os meus pecados antes da procissão fora bem duro: primeiro perguntou-me se eu tinha pecados a confessar; perante o meu silêncio disse umas coisas que eu não compreendi na altura e perguntou ostensivamente se eu já tinha feito malandrices com rapazes. Ora eu sabia lá o que eram rapazes? Só sabia que havia um que também estava à espera para se confessar e tinha reparado que ele era feio como uma noite de trovoada, desengonçado e com óculos de fundo de garrafa… tirando esse só conhecia o meu irmãozito de meses, que tinha pilinha, mas que, apesar disso, parecia ser normal.Fiquei, contudo, curiosa com a conversa do padre, que me ameaçou com uma coisa chamada penitência se eu tivesse maus pensamentos, que me valeriam uma ida para o inferno. Creio até que me mandou rezar umas avé-marias e uns pais-nossos, coisa fácil, aquilo estava tão bem decorado, até era eu que continuava a lengalenga da salve-rainha quando a D. Brites, a catequista, se deixava dormir! Foi por isso que ela me deu uma medalhinha de lata, baça, que fez as minhas delícias. Era uma santa, porque se fosse um santo, não sei que futuro teria sido o meu!Depois um dia tive um namorado que me levou para a sede dos escuteiros, que era nas traseiras da Igreja, e começou a lambuzar-me toda naquela casa sagrada e eu a arredar- me daquele Satanás que me estava a puxar para o Inferno.






Ó Marta, já viste o que fizeste, agora aqui estou eu a puxar pela memória e a lembrar os meus pecados todos!
Será que é daí que me vem esta incompreensão pelos homens?
Boa!!!
É capaz de ser, mesmo!
Já tenho assunto para a próxima sessão com o meu psicanalista (um homem, para variar… ai quem me dera compreendê-lo… é cá um pão!)

E ainda por cima, agora tenho de mandar o TPC a mais pessoas: então uma vai ser um amigo meu que não compreende as mulheres; outra amiga minha que compreende toda a gente mas niguém a compreende a ela; e o outro pode ser um gajo que aparece aqui a mandar umas bocas e que agora vai ao castigo.

Vou lá dizer-lhes e seja o que deus quiser!

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Romance em Si maior

imagem daqui


Primeiro perguntou-me se preferia a flauta doce ou a travessa. Por mim gostaria de começar pela doce mas não deixaria de querer conhecer a outra. Então ele veio, munido das duas e deslumbrou-me com a magia da música que parecia contar-me histórias de ninfas e de pastores. Tocava em graves suaves, cheios; em registos médios, brilhantes, melodiosos; e prometia agudos penetrantes, claros e precisos.
O meu lirismo passa imediatamente de presto a prestíssimo, quando um homem pega no seu instrumento e executa melodias que tiram a respiração a qualquer mortal. Porém, nunca me tinha passado pela cabeça que um flautista pudesse ser interessante fora do palco. Não é por nada mas acho-lhes sempre algo de pã, provavelmente pela associação lexical do deus com os outros. Não era o caso.

Chamei-lhe encantador de serpentes, num murmúrio dito ao ouvido, o que o deixou ainda mais brilhante na execução.
À medida que as ondas sonoras se propagavam pela sala, passavam do ouvido à alma e da alma ao corpo, que vibrava, qual metrónomo, com o andamento moderado de tão magnífica flauta.
Entusiasmada com tamanha harmonia era já eu que comandava os andamentos pedindo, nos meus gestos insaciáveis, o ostinato rítmico, acompanhando o cânone em oitava de modo a tirar partido dos meus agudos. Nessas alturas ele acelerava e quando já ia em 60 semínimas por minuto tive de pegar na batuta com as duas mãos e reduzir-me ao pianíssimo, ou a música terminava logo ali.

A flauta é ágil e costuma ser o instrumento usado em passagens rápidas e salteadas – ele tinha-me avisado – mas eu tinha replicado dizendo-lhe que um flautista precisa de saber ter controlo sobre a natureza do seu instrumento, sob pena da peça perder qualidade.
Deliciei-me, pois, um pouco mais, em verdadeiro adágio, atenta à maneira como ele rangia o frulatto ou como usava os dedos tapando e destapando os orifícios para modificar o comprimento da coluna de ar e obter, assim, sons múltiplos, soprados em registos andantes. Usava a embocadura a rigor, no ângulo certo, acrescentando virtuosismo ao desempenho.
Depois, sim, foi a altura ideal para o vivace, fortíssimo, num vibrato extremo como eu não supunha que algum flautista fosse capaz.

Romance digno de registo, este.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Coisas que só se comem em certas alturas

Eu sabia que me estaria reservada uma surpresa para o dia de natal.
Foi como num destes finais de ano em que me prometeram um anjo para o dia seguinte e eu não acreditei: pois ele veio, sim senhor e logo me foi encontrar desgrenhada, ainda em pijama e com as ruguinhas todas acentuadas pela noite de insónia. E veio carregado de tâmaras e passas de uvas. É claro que eu já estava bem enjoada dos excessos da véspera, mas o desígnio cumpriu-se. Vinha tudo um pouco amassado da viagem mas não teve importância, foi o suficiente para ter a certeza de que sou uma mulher com dias de sorte. Pena serem poucos, mas bem pensado, aquilo do outro dia sobre uma queca e um aquecer de pés… a conclusão não foi lá muito vantajosa para o aquecimento global; talvez uma aquecidazinha de vez em quando seja quanto baste para ser bom, porque há uma diferença entre o “até logo” e o “anda cá”. Um “anda cá” parece-se com uma corda e uma mulher não pode ceder a prisões, sob pena de não ter mais nada quente até ao fim da vida senão os pés.
Foi boa a surpresa. Não me lembro de ter vivido antes um momento assim (mas a gente nunca se lembra; quando corre bem esquece-se tudo o que está para trás). É certo que no dia 22 de Dezembro as coisas não correram mal para o meu lado, mas foi aquela cena da obrigação de contribuir para a paz, quase como quando nos metem na mão um saco, à entrada do supermercado, para contribuirmos para o banco alimentar. A gente dar, dá; e até gosta de ajudar os mais necessitados, mas há dias em que quem necessita somos nós!
Pois foi isso, foi assim uma cena entre o “até logo” e o “anda cá”, uma coisa que satisfez a necessidade de ajuda alimentar mas sem ser aquele arroz carolino do costume ou a massinha de pevide ou a sardinhazita em conserva.
Como é que eu posso explicar? Assim uma coisa situada entre um tronco de natal bem trabalhado e um “mon chéri”, que tem de se meter todo na boca para não ficar a escorrer pelos lábios. Coisas que só se comem em certas alturas.
Depois fiquei na paz dos anjos e, ao acordar, percebi que ele deixara na mesinha de cabeceira um pequeno livro com o retrato de Afrodite na capa.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

22 de Dezembro - dia do Orgasmo Mundial pela PAZ



Quem é que podia esquecer a data?


A selecção foi difícil mas foi um prazer ...
Obrigada a todos os que se candidataram. É claro que os eliminados não eram desperdício nenhum mas eu tinha estabelecido as minhas regras.

Não posso perder mais tempo... vamos à PAZ!!!!!!!!!!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Eu nas prateleiras de um hiper-mercado… uma questão para reflectir …



Veio ter comigo e disse-me assim de uma assentada:
- Tu contas-me tudo e eu escrevo o livro.
- Conto? Mas conto o quê?
- Tudo, sei lá!, tudo aquilo que sabes dos gajos, tudo o que quiseres dizer sobre os tamanhos, as medidas, os desempenhos, as fantasias… sei lá!
Usava aquele sei lá de uma maneira irritante.
- No meio de tantas aventuras há-de haver por aí um famoso qualquer, não me digas que não!
Que raio de conversa. Eu já sabia que não lhe podia dar confiança, mas era bem boa aquela energia toda, nos dias mais frios.
- Mas nem é por isso; basta a situação em si: já viste a capa preta assim com as letras vermelho-fogo “Não compreendo os Homens!” Púnhamos a boazona da vassourinha em lugar de destaque e …
Logo, logo não percebi onde é que o Romi queria chegar. Mas ele não se calava. Já há uns tempos que andava bem lixada por lhe ter dado bola. O rapaz era competente, não digo que não. Mas era complicado aguentar-lhe o ritmo da conversa, sempre a queixar-se que fez o curso de Ciências da Comunicação para ficar no desemprego e que o sistema estava a esmagar-lhe as capacidades e que só não criava um jornal porque lhe faltavam outsiders da sua cepa e que no Brasil é que se safava bem…
- Vais ver que rende. Nesta época vende-se tudo. Se me contares coisas escaldantes e eu apimentar um pouco as cenas... estamos governados até à próxima quadra. Tudo a meias, claro! E ainda tenho a vantagem desse teu humor me dar cá uma ponta!

Fiquei a pensar no assunto. Palavra que fiquei.
Bem sei que os blogues são lugares de desabafos e é só por isso que este textozinho não destoa dos demais. É que o Romi tem razão! Mas por que é que há-de ser a meias? Eu, Fausta Paixão, sou mulher para isso e para muito mais!
Deixo passar a quadra (pode ser que o Pai Natal me compense, caramba, tenho andado tão certinha nos últimos tempos!) e depois… mãos à obra!

domingo, dezembro 17, 2006

Eu, Fausta Paixão


Estive quase a sucumbir, amigos, mas mulher que é mulher não se deixa gelar assim por coisa tão pouca como a falta do Natalino ou de quem o substitua. É certo que aconchegar os pés não é o mesmo que dar uma queca; dar uma queca é coisa de grande amplitude térmica, começando-se normalmente pela parte mais quente mas chegando-se rapidamente ao grau zero. Gelo outra vez, lá está!!!
Noites demoradas, com uma pitada de romance à mistura e… quem sabe, um grãozinho de promessa a mexer na alma… isso sim, já vale a pena porque o calor não se perde naquela parte da cena em que se apanham os trapos caídos pelo chão. A gente puxa o cobertor para junto do queixo e encaixa-se no outro, com todo o tempo do mundo e com vontade de só acordar no dia seguinte e … bem, já estou a divagar e a desejar coisas impossíveis quando toda a gente sabe que recorrendo à velha botija também se fica aconchegado; com a vantagem de não se ouvir o outro a ressonar.
Onde é que eu quero chegar? É muito simples de perceber – é tudo uma questão de vantagens: ter os pés aquecidos é meio caminho andado para um dia termos de levar à editora as folhas escritas de um livro natalício a denunciar o cheiro a chulé, os pneus decadentes, a dentadura postiça, a psoríase nos cotovelos e, pior ainda, ao fundo das costas, coisa horrível, parecendo-se o homem com uma saca de farelo já rota. Ah!, e os comprimidos azuis na mesinha de cabeceira e o hábito de coçar os tomates com a mão que não segura o comando, quando se distai a ver televisão.
Ter os pés quentinhos é ceder depois, também, a “são só mais três folhas, querida, até acabar este capítulo” e duas horas depois vê-lo fechar o livro com um sorriso sacana a dizer entre-dentes “tenho de comprar este para o Aires e resolvo assim dois problemas: o da prenda de Natal e o do cachecol do dragão que ele exibe à segunda-feira quando chega ao gabinete".
O outro tinha razão: aqui em Portugal o que vende bem não são os escândalos sexuais, mas sim os da corrupção. Sobretudo em época natalícia, que ao menos para isso temos dois olhinhos.
E… sabem que mais? Já não me falta muito para compreender os homens: “ a corrupção e não o sexo foi sempre o maior entusiasmo português” (1).

Sucessos, eu? Como, se a única coisa que os põe de pé é o futebol!
(1) Vasco Pulido Valente, Público, 15 Dez. 2006

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Só encontrei gelo



Arrefeci um pouco no gelo do Norte. Não trouxe o Natalino.
Também não encontrei o Pai Natal. Não sei se estava fechado em casa, farto de mulherio ou se por ali as pessoas desaparecem, como duendes na floresta.
Aqui no Sul a gente tem sempre mais calor. Deve ser por isso que gostamos de andar na rua e falar muito. Bem... também gostamos de estar em casa, de preferência no aconchego de uns pézinhos quentes. Se para alguma coisa os homens servem é para esse pequena falha que nos acontece no Inverno.
Os homens do Norte são calados, sentam-se quietos, de mãos no colo e olhos de carneirinho. Não sei como são na cama, não cheguei a vias de facto, mas aquilo não me pareceu chão que desse uvas. O vinho, aliás era sempre do Sul.
Estou melancólica? parece que sim. Deve ser o efeito do mês de Dezembro, que é um mês que todos detestam, embora finjam que não e continuem a pendurar as bolas nas árvores de natal.
Não há pendurezas que resistam a tanta repetição, anos e anos seguidos!

Viram a fotografia? Pois é isso mesmo!
Por agora nada mais do que gelo e árvores despidas.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Em memória do Natalino, que eu hei-de trazer de volta...



Uma mulher não passa sem a sua dose de ternura.
Por mais que digam que as coisas do corpo são assim a puxar para o mecânico e que depois de oleada a engrenagem tudo funciona com menos chiadeira, quem me tira as doces memórias tira-me tudo.
Bem… tudo, tudo, não!, porque de memórias não se vive propriamente com a qualidade desejada, mas esse é outro assunto; e não é agora que vou estragar o espírito natalício - que este mês já começou a anunciar-se - trazendo exigências à conversa. Para isso já bastam os comentários bem mordazes dos homens que passam por aqui.
Só que hoje deu-me para a nostalgia e lembrei-me do Natalino.
Ah! Não venham para aqui dizer que sou mulher insatisfeita. Nem tudo me correu mal na vida!
É por isso que em dias como o de hoje, com a chuva a fustigar-me as vidraças (ui, que mimo de frase!) e as memórias a darem-me cabo do canastro, veio-me à memória o Natalino, que partiu dizendo que o amor é bom mas tem o seu tempo, como todas as coisas.
Ora, não sendo eu mulher de ficar quieta à espera que os Pais Natais caiam dos céus, resolvi que eu também vou partir. Vou rumo ao frio do Norte. Não é que eu goste muito dos efeitos do frio sobre a pele dos interiores, mas se o encontrar… juro que o trago para junto da minha lareira, mostro-lhe a imagem da árvore de Natal maior da Europa para o estimular à competição e hei-de mantê-lo quentinho até à conso(l)ada.

sábado, dezembro 02, 2006

e nem à lupa!!!

Eu esquadrinhei os lugares certos, passei a mão por tudo o que era simulacro de volume, olhei de frente, de lado e de trás... e, não confiando no tacto, recorri aos outros sentidos: cheirei, fechei os olhos para ouvir a ressonância dos interiores, abri os olhos para me enfeitiçar de novo na profundidade dos dele... faróis que iluminavam a noite e eu perdida na luz divina da perfeição.
E só eu sei o que me tentam uns olhos assim sedosos, a chamar a chama, a laborar em labirinto louco, aprofundando o desejo na doçura da expectativa.
E poderia continuar a descrição, narrando também a demora, porque me apetecia fazer render aquele tempo preliminar...
... mas estava incomodada com a letargia, com tanta paz colada às mãos, com a imobilidade dos músculos em rosa vergado, belos... mas frios como todo o mármore.
Puxei da lupa.
Que diabo! Os que cheiram a cavalo suado afugentam-me; os apolíneos puxam por mim, mas por mais que eu aposte na reciprocidade... nem à lupa, deus meu... nem à lupa!!!
A falta dele é desesperante.
Mandei-o embora. Nem lhe quis saber o nome.
Ficou, definitivamente, anónimo!

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Sirvam-se... cada um come do que mais gosta...



Enquanto vamos esperando... temos de ir ingerindo umas calorias.

Hoje é por minha conta!

Se quiserem mais é aqui...

domingo, novembro 26, 2006

ANÚNCIO MUITO URGENTE

22 de Dezembro

Dia 22 de Dezembro é o dia escolhido pela Organização Global Orgasm para um grande desafio: um Orgasmo Global Sincronizado pela Paz.
Dada a dimensão da causa, este orgasmo tem regras e exige (mais do que todosos outros) sintonia e entrega total, não só com o parceiro escolhido mas com o mundo em geral.



...é já a 22 de Dezembro?

... tenho de agir com muita eficácia.
Afinal este mês é trágico, com a lista de prendas para comprar, as filas nos shoppings e a decoração da casa para fazer. O que vale é que estou a dieta para ver se me posso esticar depois, nas festas. Pelo menos não tenho que cozinhar, basta-me ir ali à charcutaria e trazer uns rissóizinhos e umas empadas. A dona é muito gentil, faz tudo com ingredientes light...

Então é assim:



URGENTE

Procura-se homem que queira contribuir para a paz no mundo



Aguardo as respostas e os contactos. Marcaremos os testes de selecção com toda a urgência necessária.
Afinal está em causa a PAZ no MUNDO.
Querem melhor causa do que esta?
Acham que vale a pena correr riscos? É que a guerra ronda-nos; se não fizermos nada como vão ficar as nossas consciências para o resto da vida?

P.S. Será que vai dar tempo de fazer os testes aos candidatos até à data proposta?